O camarada Saramago, coitadinho, viu o seu nome riscado no editor de que há muitos anos se servia.
É que, rezam as crónicas, o senhor Berlusconi, dono da tal editora, teve o topete de não gostar que o senhor Saramago lhe chamasse, repetidas vezes, ladrão, gangster, fascista e outros mimos do mesmo estilo.
Trata-se do caso do cão que morde na mão do dono.
O camarada Saramago jamais se inquietou por publicar livros na editora do homem e de receber os seus proventos da dita. Pelo contrário, os livros eram bem promovidos e davam ao autor as jeitosas massas que o senhor Berlusconi lhe ia mandando pagar a tempo e horas.
Mesmo assim, o camarada rosnou e mordeu. Mordeu muito, muitas vezes.
Agora queixa-se que o “tenebroso fascista” não quer publicar mais livros dele.
Censura!
Censura?
Bem pelo contrário. Il Cavaliere, em prejuízo próprio uma vez que o camarada Saramago tem alguma freguesia, põe na rua, dignamente, um tipo que o insulta por pura ordinarice e preconceito ideológico.
Está no seu pleno direito. O Saramago que vá mamar noutra teta, se calhar com menos leite que a do Cavaliere.
1.6.09
António Borges de Carvalho

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