O coração das gentes anda num virote, ansioso, emocionado, possuído de uma inquietação sem limites. É que, meus senhores, um tal Alegre vai dizer, dentro de dias, se vai, ou não vai, ser candidato a deputado pelo Partido Socialista.
Aqui temos uma inversão completa do sistema. Não é o partido que escolhe, e aprova, as suas listas, é um tipo que não tem cargos no partido que “negoceia” a sua própria entrada nas listas. E não é de borla, isto é, o homem faz uma série interminável de exigências, quer mais uma data de fulanas da sua igualha incluídas com ele, quer segurar uma série de decisões que acha bem e o partido acha mal, quer isto e aquilo.
O mais interessante é que o chefe do partido se presta a “negociar”, cumprindo o que o Costa tinha aconselhado: uma “coligação com o tal Alegre. Notável.
Dá um gozo desmedido: o senhor Pinto de Sousa, para não perder votos à esquerda, precisa do Alegre. Mas, se dá guarida ao Alegre, perde votos à direita, depois de, por aldrabófonas artes, a ter andado a convencer que não é tão de esquerda como, na verdade, é, que não governa à esquerda como, na verdade, governa.
Tenebroso dilema! Imagine-se as insónias do senhor Pinto de Sousa. Imagine-se como se arrepela todo por ter deixado chegar onde chegaram as manobras do Alegre. Imagine-se as toutiçadas que dá nas paredes do condomínio da Rua Braancamp!
É de partir o coco a rir, não é verdade?
Alguma coisa, afinal, é susceptível de nos divertir, no meio da desgraça em que vivemos.
9.5.09
António Borges de Carvalho

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