Dona Helena (Roseta) acha que os problemas do primeiro ministro, ao contrário do que diz o senhor Martins, não são um "problema de inveja" mas uma questão de “ética republicana”.
À semelhança de outros luminares da moralidade, como Sampaio ou Soares, dona Helena descobre essa coisa extraordinária a que dá o nome de “ética republicana”.
Ficamos a saber que, na cabeça de certa gente, há duas éticas: a republicana e a monárquica, sendo que a primeira é boa e a segunda má. Tudo o que acontece de mal fica a dever-se à não aplicação da “ética republicana”.
Em matéria de patacoadas, estamos conversados. Luís XVI e Maria Antonieta terão sido os primeiros beneficiários da “ética republicana” em França, tal como terá acontecido em Portugal com as vítimas da I República.
A ética (normas de conduta social, sinónimo de moral), dona Helena, não tem nada de republicano ou de monárquico, a ética está, ou devia estar, acima ou para além dos sistemas e dos regimes políticos.
A ética “republicana”, dona Helena, é uma invenção de zarolhos, de ignorantes e de malandros.
4.4.09
António Borges de Carvalho

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