Estou deveras impressionado com o terrível drama do story teller/opinion maker Tavares, o qual foi acusado de plágio por um tenebroso bloguista. A coberto do ciber-anonimato, o dito lançou as mais infames acusações. Que o Tavares copiou frases inteiras de um romance qualquer, que a história do “Equador”, pouco verosímil saga santomense, é uma cópia, mutatis mutandis, de uma outra, de marajás e divas hindus, etc.
Não sou simpatizante, nem do Tavares, nem de bloguistas anónimos.
Aquele, com invejáveis costados literários, entretem-se a imitar o pai – a cujas solas jamais chegará – em diatribes várias, e tem um pendorzinho muito bem sucedido para contar histórias, o que o põe a anos-luz da senhora sua mãe. Reconheça-se que a mais não é obrigado. Isto dos genes não é coisa que se domine.
Os bloguistas anónimos são como todos os anónimos: ordinários e cobardes.
Postas as coisas nestes termos, perguntará quem me ler ao que venho, afinal?
Respondo que à desmesura da proclamada impotência do Tavares para se defender. Diz ele que foi miseravelmente caluniado, o que pode ser verdade, que nem ao poder judicial pode recorrer porque não sabe de quem se queixar, que foi difamado e que a culpa da difamação vai morrer solteira, que jamais terá meios para recuperar as feridas que a calúnia abriu.
Isto, de um fulano que tem à disposição meia página do “Expresso”, inteirinha, todas as semanas, e que a usa, inteirinha, para se defender das acusações. Mais. O homem á pago para isso. Não só tem um espaço público privilegiado para se defender, como ganha dinheiro com isso. Não sei quanto, mas não será pouco, de certeza.
Ponha você o caso em si próprio. É difamado por um anónimo, a coisa vem nos jornais, uma bronca do caneco. Restar-lhe-á apresentar queixa contra desconhecidos, e ficar em casa à espera que a Judiciária lhe mande a habitual notificação a dizer que os autos foram arquivados. Se você fosse o Tavares, dizia, urbi et orbe, o que lhe apetecesse sobre o assunto e ainda ganhava umas massas com isso. Veja a diferença.
Aliás, a coisa não é tão grave como o Tavares quer fazer crer. Ainda há pouco, a dona Clara Pinto Correia, professora doutora de cátedras várias, foi apanhada a copiar e a vender artigos inteirinhos de uma revista americana. Era verdade! O que aconteceu? As águas mexeram um pouco, depois amainaram, e lá está ela, como uma leoa, na maior.
O bom do nosso storyteller que, segundo parece, nada copiou, tão só se “inspirou”, nada tem a temer. Fica, também, na maior, e gere com mestria uma campanha publicitária dos diabos à custa do canalha do bloguista, ónus da conta invertido. Coitado!
António Borges de Carvalho

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