IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


PROPAGANDA ELEITORAL

 

Na sua “Crónica Feminina”, dona Inês Pedrosa, notável escritora da nossa praça, faz um estranho paralelismo entre os senhores Otelo, Alberto João Jardim e Pedro Santana Lopes.

Porquê esta irmandade? Porque, no douto parecer da ilustre senhora, todos comungam dos seguintes defeitos: “jogam com as emoções das pessoas, exacerbando-as sobre si”, causam “hipnose física e verbal”, trata-se de “prestidigitadores de factos e palavras”, “prometem o céu”, “utilizam no poder um discurso de contra-poder”, “armam-se em vítimas”, etc.

Como o povo ou é “analfabeto” ou sofre de “iliteracia” e “não sabe ler estatísticas”, estes homens são, para o povo, um “afrodisíaco eleitoral”.

 

Pelo menos no que se refere a Pedro Santana Lopes, jamais alguém o ouviu “prometer o céu” fosse a quem fosse ou fosse como fosse. Se a senhora o acha eleitoralmente afrodisíaco, ou se sente politicamente hipnotizada por ele, o problema é dela, não dos analfabetos ou dos iliterados, passe o neologismo. E não nos diga, senhora escritora, que Santana Lopes não foi vítima do golpe de estado do Presidente Sampaio, ansioso por pôr a família no poder!

 

Dir-se-ia que, se não estivessem aqueles três nomes no texto, a senhora estaria a descrever as qualidades do senhor Pinto de Sousa. Então não foi o senhor Pinto de Sousa quem prometeu o céu (os postos de trabalho, o não aumento de impostos…)? Não foi o senhor Pinto de Sousa quem disse que estava tudo a correr pelo melhor quando estava tudo a correr pelo pior? Não é o senhor Pinto de Sousa quem insiste em ser “vítima” da oposição, que não lhe propõe coisas que ele ache boas? Não é o senhor Pinto de Sousa quem, vezes sem conta, faz “prestidigitação” com os números do défice e do orçamento? Não é a isto o que se chama “jogar com as emoções das pessoas” com a sua credulidade, com a sua tendência para achar, como opina a senhora, que quem está por cima não mente?

 

As intelectualíssimas afirmações da ilustre escritora mais não são, afinal, que um pouco diáfano manto para cobrir a verdade do julga  deixar na sombra: a “tese”, aliás explícita, de que é preciso “estabilidade governativa” e que esta só se consegue com “maioria absoluta”.

Como vêm, o que a senhora quer é repetir os argumentos do senhor Pinto de Sousa, num panfleto eleitoral mascarado de “análise” sociológica-política.

 

Quase diria que, no fundo, acha que quem a lê no “Expresso” é analfabeto e sofre de “iliteracia”.

 

O problema dela é que ainda há quem não seja parvo, ainda que seja analfabeto, “iliterado”, professor catedrático, médico, engenheiro autêntico ou simplesmente cidadão.

 

7.1.09

 

António Borges de Carvalho


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