Como se devem recordar, este ano não houve Verão. O tempo esteve ameno, as temperaturas tépidas, até o vento Noroeste quase se esqueceu da faixa costeira ocidental.
A tendência continua. Estamos a ter um fim de Outono mais frio que o mais frio Inverno.
Não sei como se compagina este tempo com as brilhantíssimas teorias do aquecimento global. Sei que anda aí muita demagogia, muito negócio e muita aldrabice.
O que há é o que se vê, não o que teorizam os arautos da desgraça e do politicamente correcto.
Os gelos dos pólos estão a desfazer-se? É possível. Então o que fatalmente acontece é o arrefecimento dos oceanos. Se os oceanos arrefecem, então a atmosfera arrefece. Se a atmosfera arrefece, arrefece tudo. Que outras consequências haverá é coisa que me não atrevo a predizer.
Naturalmente, os cientistas da moda e os correctos dirão, com carradas de razão, que o Irritado é uma besta. Desde já agradeço o elogio.
Alguns ostracizados da ciência afirmam que o se passa é que se tornou sensível, para o planeta, o movimento que leva à alteração do ângulo do seu eixo em relação ao plano orbital. Qualquer segundinho de diferença altera a posição das calotes polares. Será isso o que provoca o degelo? Não sei, mas tem a sua lógica. O que não tem lógica nenhuma é que nos digam que isto está a aquecer quando andamos a tiritar de frio.
Por outro lado, já viram as perspectivas que se abrem para a humanidade com a abertura, a Norte, de um continente até agora coberto de gelo? Monumentais reservas de petróleo poderão ser exploradas, diversificando as áreas de produção, com formidáveis consequências geo-estratégicas. Nos mares abrir-se-ão novas rotas, mais fiáveis, mais curtas, mais baratas. Novas espécies poderão povoar as novas regiões, aumentando as fontes de abastecimento humano e a diversidade genética. Novas perspectivas se abrirão para a ocupação humana, para o turismo, para a economia em geral.
Mas a humanidade – ou a filosofia triunfante – anda aflita consigo própria. Em vez de perceber que o planeta se está borrifando para ela, que o eixo da terra mudará ou não de posição apesar dela, que o clima aquecerá ou arrefecerá quer ela o queira quer não, anda a bater com a mão no peito como se fosse culpada de viver e de usar a Natureza, a aterrorizar as criancinhas quanto ao futuro, em vez de lhes dar esperança, tudo, no fundo, para justificar uma série de negócios cujos resultados de longo prazo ninguém conhece, mas que, a curto e médio prazos, enchem da dinheiro uma data de gente.
Combater as emissões de CO2? Com certeza. Porque é nocivo à nossa vida, porque as energias fósseis têm um futuro incerto, porque as fontes de abastecimento, do Irão à Venezuela*, não dão confiança a ninguém. Não porque o planeta se importe com isso. Já houve não sei quantas idades do gelo e não sei quantos aquecimentos globais sem que houvesse consumo de combustíveis fósseis.
Então, perguntará quem for sensível a estes argumentos, porque é que as Nações Unidas têm um comité científico caríssimo, constituído por sumidades universais, destinado a convencer as pessoas de que caminham para o abismo? Porque é que a União Europeia se desdobra em propagandas de incerto ou erróneo fundamento? Porque é que os governos, como é o caso do nosso, atascam as pessoas em impostos “ecológicos” com argumentos que não correspondem, ou não se sabe se correspondem, a qualquer verdade?
A razão é simples. As sumidades da ONU ganham fortunas, os burocratas da UE também, as multinacionais e as nacionais descobriram um filão, os governos andam à procura de dinheiro para colmatar as despesas malucas em que se metem.
Vivemos numa floresta de enganos, joguetes que somos de uma espécie de ciência, à la carte para políticos e agentes económicos, que é a doença fatal do nosso tempo.
É certo que, para quem souber procurar, também há Ciência que não embarca sem mais nem menos neste género de modas. Apesar de tudo, neste campo, a esperança ainda não morreu.
3.12.08
António Borges de Carvalho
*O único político europeu que está convencido que o Chávez vai pagar o que deve é o senhor Pinto de Sousa. Se o preço do petróleo continuar a descer, o calote virá muito mais cedo do que esperavam os mais pessimistas.

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