O Irritado irritou-se com a forma como a entrevista da dona Manuela à SIC Notícias foi “recebida” pela imprensa do dia seguinte. No entanto, dada a hora indecentemente tardia em que tal entrevista foi transmitida, deu o Irritado o benefício da dúvida aos dois jornais “de referência” que costuma ler. Esperou mais um dia, perguntando a si próprio se não teria sido injusto.
Mais uma vez, porém, tinha carradas de razão.
O DN de ontem refere-se ao assunto na página 18, página par, note-se. O jornal, em vez de relatar a entrevista e as mensagens políticas da senhora, dedicou-se a um esquema de sugestões críticas e de implícitas insinuações. Para um jornal que, há uma semana, tinha dado cinco páginas, primeira incluída, ao senhor Pinto de Sousa, é obra. É, como o Pulido dizia ontem no jornal privado chamado “Público”, uma demonstração clara da subserviência jornalística ao poder e do sucesso da central de informção do governo.
O dito jornal privado, por seu lado, referia, na página 8, página par, note-se, uma intervenção da senhora no lançamento de um livro, artigo ilustrado com uma fotografia do senhor Mendes e ladeado por um destaque, a vermelho, intitulado “PSD em queda”, com o retrato dela. A entrevista, essa, era referida num parágrafo a propósito de umas bocas do inenarrável Silva Pereira sobre o assunto. Afinal, o dito jornal privado, tido como crítico do governo, age com os mesmos “critérios” do DN, isto é, mostra tanta subserviência ao poder como o seu congénere.
O “serviço” público de televisão acompanhou os jornais na sua obra de ocultação da informação e de distorção da verdade. Como era, aliás, de esperar, dado o comportamento “independente” do senhor Santos e da sua socretina trupe.
Nos outros canais não sabe o Irritado o que se passou. Mas não édifícil de imaginar.
Que país este, de felizes escravos do socialismo!
1.11.08
António Borges de Carvalho
E.T. Antes de publicar este Post, trouxeram-me o “Expresso” de hoje. Na primeira página, uma “boca” diz-nos que essa horrível criatura que dá pelo nome de Judite de Sousa (será prima do Pinto pelo lado do Sousa?) informou o PSD de que só admitirá a dona Manuela nos estúdios públicos depois da “definição das candidaturas autárquicas”. Isto é, o “serviço” público de televisão determina a seu bel prazer – ou a bel prazer do senhor Pinto de Sousa – quando, como e em que condições dará tempo de antena ao líder da Oposição! E mais, escolhe, não um momento em que tal líder se possa perfilar enquanto tal perante a opinião pública, mas outro em que impõe o “tema” das eleições autárquicas, porque sabe que, nesta matéria, a senhora enfrenta contestação interna, com os Marcelos e os Pachecos à perna, mordidos de inveja por causa da candidatura do Dr. Santana Lopes à CML.
E mais. O “Expresso” põe o senhor Pinto de Sousa no “pódio”, porque “uma só entrevista rendeu vários dias”, constituindo a “arte de multiplicar os pães”. Dona Manuela, por seu lado, fica na posição inversa, porque “várias entrevistas numa só semana e a mensagem não passa. Falta de jeito?”
Pergunta o Irritado: porque é que a mensagem da senhora não passa? A resposta é de uma simplicidade cristalina:porque os “expressos” deste pobre país não a fazem passar, a não ser em comentários que, as mais das vezes, correspondem a leituras enviesadas do que ela disse. Se os órgãos de “informação” entrevistam a senhora à meia-noite, no cabo, e não retomam a entrevista nos dias seguintes, é evidente que não se trata de falta de jeito da visada, mas de pura malevolência dos tais órgãos. Ou, como é evidente, do militante servilismo dos mesmos em relação ao poder socialista.
E mais. O “Expresso” dedica exclusivamente ao PSD a página “Oposição”. De duas formas significativas. Sem jamais referir o que, na verdade, a senhora disse, dedica-se o jornal do “militante nº1” a tecer os mais judiciosos comentários sobre o que andam a fazer os marcos antónios, os meneses e quejandos. Em conclusão, vaticina alegremente o fim da senhora, já, ou mais daqui a bocadinho.
E, ó maravilha!, um terço da página é preenchido com um artigo da autoria do senhor Silva Pereira, alter ego do senhor Pinto de Sousa e ministro (onde chegámos!) não sei de quê. Sua Excelência dedica-se a demolir a senhora, ignorando, pura e simplesmente, todas as suas ideias e propostas. Ninguém poderá reclamar, já que, emboa verdade, ninguém sabe o que ela disse. As ideias e propostas da senhora não vêm escritas em parte nenhuma, nem são repetidas, como as parlapatices do senhor Pinto de Sousa, dias a fio, por jormais, rádios e televisões.
Que raio de democracia esta!
ABC

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