No dia em que, por ordem do senhor Pinto de Sousa, a ministra da educação cedeu à gritaria dos bandos sindicais, isto é, dos partidos comunistas, o Irritado escreveu que a avaliação dos professores tinha acabado, que a monstruosa rebaldaria, a preguiça, a irresponsabilidade e o abuso iam continuar como dantes, e que a “classe” dos professores, a breve prazo, voltaria à carga, a fim de inviabilizar o que ainda restava do chamado processo de avaliação profissional.
Quando o tipo do bigode e do olho de xarroco voltou aos monitores, o Irritado gritou “aí estão eles!” (post de 07.10.08), seguindo a previsão que tinha feito, facilmente, dir-se-á, uma vez que é preciso ser muito estúpido para não perceber o que viria a seguir.
O que vinha seguir, aí está: o sindicato apresentou as suas “justas” exigências. A saber:
– Os professores passam a participar na definição de todos
os seus objectivos de avaliação;
– A supervisão do processo passa a ser feita pelos colegas;
– Deixa de haver quotas para as melhores notas;
– Os mais mal classificados deixam de sofrer com isso;
– Todos os critérios de avaliação passam a ser controlados
pelo avaliado;
– Todas as classificações passam a ser feitas pelos
próprios, sem intervenção de gente de fora;
– As classificações de “regular” e “excelente” desaparecem,
ficando só as de “muito bom”, “bom” e “insuficiente”;
– As avaliações passam a ser feitas de quatro em quatro
anos;
– As notas mais altas deixam de ter influência na progressão
na carreira;
– O “insuficiente” deixa de poder ser motivo para rescisão
contratual;
– Os “insuficientes” passam a ser objecto de um plano de
apoio.
Como acima dizia, não é preciso ser muito esperto para perceber que, a ser aprovadas as propostas do sindicato, se passará a um sistema de total irresponsabilidade e absoluta impunidade.
Se tais propostas não forem aprovadas, o bigodes arranja mais uma gritaria de tal ordem, que, passados uns dias, o senhor Pinto de Sousa se borra todo outra vez e a ministra, disciplinadamente, mete a viola no saco.
Antes que se comece a gastar uma fortuna com avaliações que não servem para nada a não ser para que tudo fique na mesma ou pior, a única medida com algum sentido é acabar com a coisa em definitivo, e deixar correr.
Para quem não tem coragem para matar coelhos, o melhor é não ir à caça.
11.10.08
António Borges de Carvalho

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