As socraticóides invectivas contra a Madeira, bem como as ameaças desbragadas do dr. Alberto João, tiveram o perverso efeito de fazer com que ninguém percebesse o que está, exactamente, em causa.
Do lado de “cá”, entendido o lado de cá como o do sr. Pinto de Sousa (Sócrates) – t’arrenego!, a coisa é simples: a Madeira atingiu um estado de desenvolvimento que já lhe não permite usufruir das ajudas financeiras do costume.
Do lado de lá, quer dizer do lado do sr. Jardim, o problema resume-se a puro “colonialismo”, incompetência, sanha política de vingança do PS, uma corja, uma cambada, uns finórios sem escrúpulos, enfim, coisas que fazem parte do léxico do senhor, e que não saberei repetir.
O deputado Silva, eleito na Madeira, veio, num telejornal qualquer, levantar uma ponta do véu sobre esta história. Parece que do que se trata é de uns compromissos financeiros do governo regional, assumidos na vigência da Lei anterior (uns meros 150 milhões de Euros…), a que a Lei em discussão recusa consagrar cobertura. Vistas as coisas assim, parece evidente que a Madeira teria o direito de contraír a dívida quando a contraíu, assim como teria, em face da lei em vigor à data, legítimas expectativas de ver a sua cobertura consagrada. O mais que se pode dizer é que o sr. Alberto (como soe dizer-se nestes tempos de má educação) contou, coitado, com o ovo no rabinho da galinha. Talvez o não devesse ter feito, mas não é grave se o fez.
Certo é que não se trata de novo endividamento. A Madeira parece não exigir mais que a cobertura de compromissos legalmente contraídos, durante a vigência de uma lei que o permitia.
Foi isto o que julgo ter ficado a perceber depois de ouvir o deputado Silva.
Nesta guerra, se há a tal história da contenção das despezas públicas, blá, blá, blá, não pode, também, deixar de haver um tratamento “específico” da Região Autónoma da Madeira. Donde, o senhor Jardim tem todo o direito à indignação. Tanto mais que o seu colega açoreano está contentíssimo com o que vai receber por virtude da mesmíssima lei que recusa à Madeira os tais cento e cinquenta milhõesinhos.
Já que se não vence o homem pelos votos, que se vença pela fome.
Ao contrário do senhor Pinto de Sousa (Sócrates) – v.g. casos Ota e TGV – não será, ao senhor Jardim, permitido fazer omeletes sem ovos.
António Borges de Carvalho

Deixe um comentário