A mui nobre senhora dona Paula Teixeira da Cruz, ilustre advogada com escritório no Marquês de Pombal, é uma verdadeira democrata. Tem “na sua estrutura intrínseca um sentimento de bem e de harmonia com o que está à volta” e, imagine-se, até anda de metro!
Seja o que for a “estrutura intrínseca” de cada um, a qual se deve opor a uma estrutura extrínseca, tipo Centro Pompidou, o facto é que tal estrutura permite à senhora evitar “assistir a vinte missas”, como se compreende e aceita.
Ao contrário de maldosos boatos que por aí circulam, diz o “Diário de Notícias” que a senhora é casada com o “ex-banqueiro” Teixeira Pinto. Ao contrário do que o próprio Teixeira Pinto declarou há que tempos, o “Diário de Notícias”, eventualmente para obter um efeito de contraste com a aversão às missas expressa pela senhora, assegura que o homem é do Opus Dei, e não ex-Opus Dei. Nestas coisas de jornalismo, nunca se sabe.
A atestar a sua “estrutura intrínseca”, revelou a senhora que, em tempos, apresentou sem sucesso uma petição a favor da descriminalização da homossexualidade em todo o mundo. A universalidade do gesto, obviamente não destinado a Portugal, onde tal coisa não é crime, atesta bem das ambições globais que animam a estrutura intrínseca da dona Paula, pronta a lançar o seu poder em zonas fundamentalistas como o Irão e o Sudão, ou nas arábias em geral.
A senhora demarca-se “absolutamente” da boutade da sua chefe, no que à procriação diz respeito. Não senhor, o casamento não se destina à procriação. Nem por sombras. A senhora, “em termos de costumes”, insiste, está contra a chefe.
A senhora quer a “liberdade individual”. O que a não impede de ser a favor do proteccionismo e do estatismo, e contra a “liberalidade económica que está na moda”(?). Até já lia Marx aos treze anos, o que a qualifica como génio precoce, embora não diga se percebeu, tão jóvem, os escritos do homem.
A senhora já foi assediada para se candidatar à presidência da câmara de Lisboa. O mesmo se passou em relação ao governo. Disse que não a dois convites. “Nunca cargos executivos, nunca”. Uma frase que deve ficar para a história.Andar na mó de cima, chatear, inviabilizar, comentar, criticar, bocas na TV e nos jornais, muito bem. Assumir responsabilidades, tá quieto ó mau!
Acrescente-se que a senhora, em Itália, “teve muito más experiências com carpaccios”. Acredito. Coisas da estrutura intrínseca.
António Borges de Carvalho

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