IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


O Socialismo Ofendido

Há para aí uns três anos fui a um concerto, precedido de uma série de hapennigs, em Belgais, numa casa onde Maria João Pires criou uma espécie de centro cultural. Uma aventura para lá chegar, uma picada tenebrosa, montes e vales de discutível beleza e brutal ferocidade. Foi um fim de tarde inesquecível. Ouvir a senhora tocar, ao ar livre, no silêncio sepulcral de nenhures, sem que fossem permitidos aplausos ou manifestações histéricas, gritinhos de bravô, pedidos de encores e mariquices do género. Uma coisa de um mundo que não existe, uma espécie de entrada no Paraíso.

Paguei uma soma ridícula pelo inestimável espectáculo.

Aqui começa o problema.

É que a senhora, em vez de pôr as pessoas a pagar (eu pagaria o que fosse, dentro do que posso, para lá ir outra vez), a fim de poder financiar a sua obra, não senhor, a senhora achava, e acha, que os poderes públicos, isto é, o meu dinheiro mais o dos meus concidadãos com outras preferências, têm a mais estrita obrigação de lhe pagar o que fôr necessário para manter a coisa.

Num país de tradição anglo-saxónica, uma instituição tipo Belgais teria um grupo de sponsors, uma comissão de fund raising, uns sócios beneméritos, etc., e não precisaria de mais nada nem de mais ninguém para sobreviver e progredir. Por cá, não é assim. Os chamados, com ou sem justiça, criadores culturais, acham que, por o serem, têm o direito de ser pagos pelo dinheiro da comunidade. O "povo" tem obrigação, através dos impostos, de lhes pagar para que eles "dêm" ao "povo" o que têm para dar. Só que, neste sentido, o povo não existe, o que existe são pessoas que, como eu, ficam extasiadas com uma tarde em Belgais, e outras, a quem Belgais não diz absolutamente nada. Num raciocínio anglo-saxónico, melhor dizendo, liberal, os tipos como eu que paguem à Maria João Pires. Outros haverá que paguem a outras marias joões.

Maria João Pires não é mais que um exemplo das entorses que o socialismo (de esquerda e de direita) tem provocado nas meninges das pessoas, sendo já parte da "massa do sangue" dos portugueses.

Uso o exemplo dela por ser, talvez, o mais exagerado. É que a senhora não se fica pelos protestos. Zangada com o Ministério da Cultura, ou com Câmara Municipal, ou seja lá com que colector de impostos for, porque não lhe não paga o que ela acha de justiça, emigra e dedica-se a dizer mal da mãe-Pátria a tudo quanto é cão. Em autêntica paranóia socialista, a senhora chega ao ponto de afirmar, a despropósito, que os Estados Unidos da América são… uma ditadura.

Presto homenagem à lógica do seu raciocínio. Nos EUA, a senhora, se lá criasse um Belgais, teria que fazer pela vida. Para pagar as suas iniciativas, não andaria, de certeza, a comer do dinheiro de quem não gosta de a ouvir tocar nem aprecia o que ela ensina às criancinhas. Nos EUA as pessoas são livres de pagar o que muito bem entendem a quem muito bem entendem. O que pagam ao Estado é para todos, não para as inflorescências da sociedade civil, tenham o valor que tenham, na opinião de cada um.

Ela não percebe que, se fosse para os EUA e tivesse lá uma boa iniciativa, como Belgais era, se calhar tinha imenso êxito e montes de dinheiro para aplicar.

O problema é que isto não entra numa cabeça retorcida pelo socialismo.

A este respeito, parece que não há nada a fazer. Paciência.

 

António Borges de Carvalho



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