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Discretamente (não vi, nos jornais referências de maior à coisa), o venerando conselho de ministros aprovou um diploma incluindo as mulheres que abortam no subsídio social de maternidade.
Segundo a filosofia governamental, ter um filho ou matá-lo antes de nascer tem, para o Estado, o mesmo valor.
Mais uma benesse do socialismo.
Um sistema prático para ganhar uns cobres.
Uma menina necessitada não tem mais que truca-truca, que é uma coisa agradável, dirigir-se depois a uma instituição pública, tomar umas pastilhas oferecidas pelo povo, e receber o dela. É fácil, não dará milhões, mas compensa.
Num país onde a natalidade desce todos os dias, o facto de não só se permitir o aborto livre, gratuito e incondicional, mas também de oferecer incentivos financeiros à sua prática é, pelo menos, um crime de lesa Pátria. Não se vislumbra onde pode um governo, seja de que cor for, ir buscar justificação moral e política para uma coisa destas. Ainda menos se pode imaginar que não haja, a tal respeito, uma tempestade mediática, um protesto visível das associações anti-aborto, da Igreja Católica, ou mesmo das pessoas que, sendo a favor do dito, se julgam com um mínimo de bom senso e de escrúpulo moral.
Aqui fica o protesto do Irritado, para registo cibernético da porcaria em que estamos envolvidos. Da porcaria que, afinal, somos.
António Borges de Carvalho

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