“D’ouro é o meu menino”, “hei-de levá-lo a voar”, diz a canção. Um bom mote para o PS. O menino é o Ventura, válvula de segurança, seguro de vida, sorte grande. O PS leva-o a voar como um drone do Putin apontado ao PSD. Não vale a pena o Montenegro dizer que não quer nada com ele, tanto faz que diga como que não diga. O Ventura não é parvo, e aproveita. Quanto mais demagogia melhor. Quanto mais palhaçadas melhor. Quanto mais populismo barato melhor. O PS aproveita, a outra face da moeda do Ventura (o Santos Silva), porventura o mais fiel dos socratistas, desdobra-se em bojardas de “indignação” oportunista. Galinha da perna, este Ventura.
Ao mar de aldrabices em que nos mergulhou, o PS responde com a promoção do Ventura. Já não sei que político dizia que tanto faz que nos elogiem como que nos ataquem, preciso é que falem de nós. O Ventura segue este conselho, o PS trata-lhe da propaganda. De borla.
Entretando duas ministras e dois ministros, pelo menos, são apanhados num oceano de mentiras, re-mentiras e “justificações”. Mas nada lhes acontece – como nos tempos do Sócrates, que, apanhado em trafulhices várias, se foi safando. Continuam a mentir, isto é, a ter lata para vir a público dizer coisas em vez de se calar e desaparecer pela esquerda baixa.
O primeiro ministro, assutado, na perspectiva que a malta sossegue atira ao ar uns aumentos que, semanas antes, tinha garantido não ser possíveis. Tem coelhos na cartola, que usa em caso de necessidade. Truque de magia, magia que dá votos, pelo menos de uns milhões de velhotes. O outro coelho é o Ventura.
E nós? Entretidos com greves, aparvalhados, assitimos às habilidades do PS, do Ventura e, já agora, do mestre-sala Marcelo .
30.4.23

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