Gostava de perceber a lógica diplomática do senhor de Belém. Numa das suas múltiplas declarações de amor a Moçambique, que, por mero acaso, ouvi, disse que, apesar de algumas divergências políticas, etc., blabla. Referia-se, evidentemente, à posição do país que visitava quanto à guerra da Ucrânia, da qual diverge. Julgo que na mesma declaração, afirmava o apoio incondicional de Portugal à entrada de Moçambique para o Conselho de Segurança da ONU.
Mandaria a mais elementar coerência que Portugal não apoiasse para tal conselho um país que é simpático para o senhor Putin, e que assobia para o lado perante os seus crimes.
Das duas uma: ou o senhor de Belém “ignorava” tal circunstância (a meu ver mais substancial que circunstancial) e dava tal apoio, ou não ignorava, e não o dava, nem a tal coisa se referia. Meter no conselho de segurança um país que não se demarca da insegurança global promovida pelo Putin, não parece ser de bom senso, por muito diplomático que se considere ser.
19.3.22

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