IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


O Museu Salazar

Reza um jornal qualquer que, em Santa Comba Dão, umas santas almas vão erigir um museu em honra do doutor António de Oliveira Salazar. Tratar-se-á de recuperar as instalações do senhor, e de musear o seu arquivo, ou aquilo que, do seu arquivo, anda por aquelas bandas.

Deste humilde cantinho, permito-me fazer uma sugestão: porque não integrar o tal museu, como secção, ou dependência, no museu da República?

Por muito que custe aos manuéis alegres da nossa praça, o doutor Oliveira Salazar foi o chefe da segunda República. Re-adoptou as cores do partido republicano para a Bandeira Nacional, borrifando-se, como a primeira República, num azul e num branco com oito séculos de História. Re-adoptou, como hino nacional, uma marchinha ultra-patriotiqueira e ultra-republicana. Levou às últimas consequências o patriotismo colonial que tinha sido uma das principais bandeiras do 5 de Outibro. Não consta, além disso, que Craveiro Lopes fosse filho de Óscar Carmona, nem que Américo Tomás fosse filho de Craveiro Lopes, pelo que se deve considerar afastada qualquer hipótese dinástica na chefia do Estado da ditadura. Esta foi uma República, mais nada senão uma República. Restará aos manuéis alegres da nossa praça falar de democracia, blá, blá, confundindo-a com a República, estúpida falácia que, enquanto tal, não carece de demonstração, dado o sem número de repúblicas que são ditaduras, e as inúmeras monarquias que são democracias. E, se os manuéis alegres e quejandos, quiserem argumentar com a obra política e social da primeira república, a fim de a separar da segunda, lembremos, a título de exemplo, que as leis “celeradas” da Monarquia foram repetidas quase ipsis verbis pelos homens do 5 de Outubro[1], que a obra social dos mesmos se saldou pelo esmagamento dos desfavorecidos (de forma bem mais violenta que a usada pelo Salazar) [2], e que o país foi “governado” pelas alfurjas terroristas de Lisboa durante quatorze anos, com dois de ditadura militar pelo meio, para compôr o ramalhete.

A primeira república foi esta miséria, a segunda uma ditadura tout-court. Ficam bem, muito juntinhas, uma ao lado da outra, no mesmo museu, museu de coisas a não repetir e a lembrar q.b..

Salazar e Afonso Costa lado a lado, que delícia!

Num tempo em que se prega, tanto a gosto do dr. Sampaio, a excelência das “virtudes republicanas”, talvez fosse de começar a praticá-las, se é que existem, não falsificando a História.

Mas isso é coisa de que quem quer ser cego jamais fará.

 

 

António Borges de Carvalho


Bibliografia

 [1]  Pulido Valente, Vasco – O Poder e o Povo

[2] Oliveira, César – O sindicalismo e a Primeira República

 


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