IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


Ai que medo!

Anda meio mundo aterrorizado com o filme do senhor Al Gore. É caso para isso. Parece que a Terra está a aquecer, o gelo dos polos a derreter, o mar a subir, a terra a secar, enfim, um oceano de desgraças que põem a nossa espécie em risco, augurando um mundo invivível para os nossos filhos e netos. Acresce que a culpa de toda esta miséria é nossa. Ansiosos por viver cada vez melhor, enchemos o ar de CO2, abrimos buracos na camada de ozono, consumimos as reservas do planeta, respiramos, cagamos, fumamos – pecado dos pecados! – sujamos tudo, estamos a dar cabo de tudo.

Se os conselhos do senhor Gore não forem seguidos, a humanidade acabará em breve.

A "ecologia" – um negócio bem montado e altamente lucrativo – apoderou-se do planeta. A "ecologia" polui a humanidade com o mais eficaz dos ingredientes: o medo.

Aqui há dias, uma das minhas netas, depois de fazer xixi, recusou-se a puxar o autoclismo. É que, explicou, se o fizesse, estaria a gastar água desnecessariamente e, por isso, a gastar um bem indispensável à vida e a condenar não sei quantos milhões de pessoas à morte pela sede. As novas gerações vivem no terror do sida, da gripe das aves, do tabaco, da desertificação, e não sei de quantas mais desgraças, devidamente empoladas pelas escolas e pelo filme do Al Gore.

A aceitar as teses do senhor, devidamente "provadas" perante o público, concluiremos que a nossa vida tem que mudar, e mudar depressa, sob pena de estarmos a acabar com a humanidade.

Se não estivesse errado, seria, pelo menos, pretensioso. O planeta conheceu as mais diversas eras, glaciares e tórridas, sofreu formidáveis alterações, a era dos dinossauros acabou, sabe-se lá porquê, destruindo toda a vida superior em todo o planeta. Tudo isto se processou ao longo de milhões de anos, sem que houvesse emissões de CO2, sem que ninguém fumasse, sem pesticidas nem insecticidas nem manipulações genéticas, sem que a camada de ozono fosse ofendida, sem que a humanidade, sequer, exixtisse.

Os dados fiáveis existentes sobre o clima têm uns cento e tal anos, o que, claramente, não chega para tirar conclusões. Um pequeno exemplo: entre 1940 e 1970, a temperatura global baixou. Porquê? Ninguém sabe. Em 1940 havia mais emissões que em 1970? Claro que não. O que são, ou o que provam, cem anos de estatísticas na vida do planeta? Nada. Rigorosamente nada. Zero.

Há, nestas horrificantes especulações, um problema de escala, que não se ultrapassa com estatísticas.

Quero dizer com isto que é inútil procurar diminuir a poluição, ou evitar intervenções que, pelo seu volume, ponham em causa equilíbrios sem se cuidar de saber se se podem repor, mesmo que de outra forma? Com certeza que não.

O que quero dizer é que não é aterrorizando a humanidade com falácias, completamente desfasadas da escala planetária, que se consegue seja o que for, a não ser encher os bolsos do senhor Gore ou de alguém por ele com bilhetes de cinema.

 

António Borges de Carvalho



Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *