Dizem os entendidos que as democracias morrem por dentro. Há exemplos disso, verificáveis e dramáticos. Quando acontecem? Quando ganham força os políticos que se consideram donos únicos da razão única, irrefutável e inoponível.
Por cá, apregoa-se que é o caso do Chega. Não é, não tem qualquer intenção de acabar com a democracia e, se a tivesse, não tinha força para tal. Como é que a adquiriria? Sendo marginalizado em vez de integrado, tolerado, combatido, mas não ostracizado.
Verdade se diga, há casos bem mais preocupantes. As esquerdas, por se considerar donas da República, da Nação, das novas morais, verdadeiras donas disto tudo, encarregam-se, moderadas ou radicais, de arrastar para o Chega inúmeros moderados de direita, rapidamente apodados de saudosistas, fascistas, xenófobos e outras patacoadas que as esquerdas incluiram no seu patois e que aplicam a todos os que duvidam da sua “razão” ou se opõem a ela. É a intolerância erigida à categoria de obrigatória, o contrário da convivência dos contrários, ou seja, o contrário da democracia.
O problema é tão mais importante quando faz caminho na força política actualmente mais votada, o PS. A intolerância ganha terreno no antigo partido democrático de Mário Soares, hoje pasto de gente verdadeiramente totalitária. Como dizer outra coisa de senhores como P.N.Santos, A.Simões, ou da senhora A.Gomes? Dizem o que hoje ainda há quem considere o que dizem como barbaridades, mas que, por inércia de quem devia opor, fazem caminho no partido, na “informação”, no comentariado, até que se tranformem nos rinocerontes de Ionesco, portadores do poder total, nas ruas e nas consciências.
A arrancada totalitária de dona A.Gomes é sinal disso mesmo. Assustada com o A. Ventura, o qual, a imaginar o pior, seria como ela, desata numa guerra, estúpida ma eficaz, servindo-se de instâncias democráticas para limitar, voire destruir, a própria essência da democracia. Para já, irá onde for preciso para atingir os seus miseráveis fins, assim abrido caminho à destruição da liberdade, em nome da liberdade. É assim que se começa.
Mário Soares distinguia entre partidos democráticos e não democráticos. Mas nunca lhe passou pela cabeça destruir, ainda menos proibir, os segundos. As odiosas acções da dona Gomes & companhia são a negação final, e total, da tradição soarista. Quando se fala de perigos que a democracia enfrenta, é disso que se deve falar. Sobretudo porque, perdidos todos os escrúpulos, o PS não reage à turba de militantes daquela laia, que instalaram no PS a intolerância do BE. Fazem mais mossa à democracia que todos os venturas que por aí andam.
2.3.21

Deixe um comentário