IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ENERGIAS

 

Não faço ideia nenhuma se os tipos da EP são culpados ou não das trafulhices de que os acusam. É verdade que nem eles nem o sinistro Pinho me merecem qualquer confiança. Enfim, assuntos da Justiça que, com alguma sorte, daqui a uns dez anos serão resolvidas.

A história que devia ser tratada, mais do que esta, é a da política energética do país. Ao longo de muitos anos, vem a opinião pública sendo injectada com a peregrina história do clima, das energias limpas, da necessiadade de legislar de acordo com os altíssimos objectivos europeus, coisas que, em si, podem ser aceitáveis, desde que seguidas com conta peso e medida. Mas há uns que estão muito orgulhosos por acelerar mais que os outros no cumprimento (antecipado) de objectivos. Portugal tornou-se, e disso se orgulha e gaba, num dos países mais à frente em tais matérias. Por todo o lado, multiplicam-se moinhos de vento e florestas amazónicas de painéis solares. Muito bem, diz a “bempensância” estabelecida.

O problema não é esse, é o da forma como o “avanço” foi conseguido, é o da fingida liberalização energética, expressa em rendas garantidas, benefícios fiscais e outras prebendas. O resultado é que, para implementar o “progresso” energético, se sacrifica o país inteiro, as pessoas, as famílias, as indústrias, a economia em geral, assim garantindo o “sucesso” dos que vivem à pala das políticas públicas, num inextricável mar de privilégios. É a liberalização do mercado, mas de pernas para o ar, o contrário da concorrência, o contrário do risco, preços garantidos, rendas obrigatórias, facturas astronómicas sem outra explicação que não seja a da inoperância e da incompetência públicas – se calhar com pigos ou lagos de venalidade.

Para consolo dos que acham que “somos os melhores” por termos mais energias alternativas que os outros, uma Nação inteira é prejudicada nos seus mais legítimos interesses. É cara, a propaganda, mas eficaz quando mete areia nos olhos das gentes.

Os que se lambem com rendas não são culpados, aproveitam as oportunidades que lhes são dadas de mão beijada por políticos sem visão nem objectivos outros que não sejam os de seguir modas impingidas por terceiros, e gabar-se ao espelho. Isto, sem tocar em eventuais assuntos mais “sensíveis”, que desconheço mas de que muita gente desconfia.

Ninguém saberá como sair disto. A não ser, desconfio, o Galamba, que nos quer pôr a produzir hidrogénio. Coisa baratinha, mais de sete mil milhões. E lembrar-me eu que, há anos, houve quem propusesse tal verba para disponibilizar energia nuclear, limpa e com factura mais barata. Mas isso é roupa de franceses. Não é para um país que recusa o petróleo, o lítio, e tudo o que tenha hipóteses de o tirar da miséria.

 

6.7.20



3 respostas a “ENERGIAS”

  1. Avatar de Filipe Bastos
    Filipe Bastos

    Tem o Irritado certa, ou muita, razão. Excepto em dois pontos, aliás habituais: 1) Os que se lambem com rendas, os Mexias e Motas e Salgados, são culpados. São tão culpados como a classe política que lhes dá as rendas e lhes lambe o rabiosque. Porque são eles que influenciam e corrompem esses pulhíticos; são eles que pervertem e impossibilitam qualquer democracia; são eles os reais donos disto tudo. A direita desculpa sempre os mamões, como se estes apenas aproveitassem “oportunidades”. Como se não fossem eles a criar, a comprar essas “oportunidades”, a obter legislação, apoios e isenções à medida, a comprar os partidos e os pulhíticos, a suborná-los e a dar-lhes tacho, até a afastar os raros políticos que se lhes opõem, como o Álvaro. 2) O Irritado critica esta ‘liberalização de pernas para o ar’ – o contrário da concorrência, o contrário do risco, preços garantidos, rendas obrigatórias, etc. – como se fosse a antítese do seu puro e perfeito capitalismo. Ora já vai sendo tempo de perceber que é isto o verdadeiro capitalismo: é mesmo assim. E é assim desde sempre: mamar o mais possível no público, no privado, em todo o lado. É todo este o objectivo; não há outro. O capitalismo detesta risco e detesta concorrência. Não é um acidente. É mesmo assim. O mercado e a sua suposta regulação serão sempre abusados por mamões. O seu ‘puro capitalismo’ não existe, nunca existirá. Esta evidente constatação não lhe lembra nada, Irritado?

    1. 1) Tive o cuidado de separar as águas, mas v. não deu por isso. E tive- o para não confundir um “mero” processo de corrupção com a raiz do problema, que é o da falta de estratégia, ou estratégia errada, induzida pelos exageros e aldrabices da moda em vigor por toda a parte, sendo Portugal mais “modista” que os outros. 2) Há ainda algumas “avis rara”, como Clemente Pedro Nunes, com raríssimas aberturas mediáticas, que vêm denunciando os custos e a ineficácia de tal moda. É fácil dizer que a culpa é do “capitalismo”, o eterno culpado para os Filipes Bastos da nossa praça, de braço dado com jerónimos e catarinas e boaventuras É fácil, barato, e dá resultado. Sobretudo, baralha. Como se as experiências do “plano” fossem sucessos universais. É certo que, neste caso como noutros, se geram oportunidades e abusos que há sempre quem aproveite. O mal é dos políticos sem projecto, sem cabeça, ou pouco sérios. Uma coisa é condená-los, outra é negar o único sistema que é natural ao homem: o capitalismo, a propriedade privada, a vida.

      1. 1) Sim, ‘separou as águas’ no seu primeiro parágrafo, sempre de forma vaga e anódina, como se fosse uma questão menor. Mas não é menor: em Portugal é a questão. Tudo o resto no seu post é fruto desses interesses de meia dúzia de mamões, com a EDP e o Mexia à cabeça, e do seu controlo da classe política. Ou melhor, do seu controlo do Centrão – PS/PSD/CDS. Quem afastou o Álvaro? A política energética é que é, para mim, a questão menor. A UE manda, os pedintes obedecem. Os exageros são mais por lobby que por ideologia. E as renováveis são inevitáveis – mais que não seja, então o petróleo já não vai acabar? 2) Tal como o Irritado e a direita culpam o ‘socialismo’ de tudo e mais umas botas, não será? A diferença é que o socialismo só existe na v/ cabeça: vivemos num país, numa UE e num Ocidente 100% capitalistas, a saque pela Banca e pelos ‘mercados’, com uns laivos de social-democracia – cada vez menores – que já não disfarçam a mamona e ruinosa ortodoxia vigente. O que aí vem fará 2008 parecer um piquenique. O problema não é a propriedade privada; é o excesso e a desigualdade. Os mamões mamam de mais.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *