IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


SIC TRANSIT GLORIA MUNDI

Durante vários anos viveram os nossos ilustres representantes na contemplação servil e admirativa de uma senhora que por aí apareceu, cheia de dinheiro e ostentando no passaporte o nome do pai, o senhor Dos Santos, mui ilustre presidente da República de Angola.

Perante ela, ou perante os milhões que ostentava, curvaram-se governantes, diplomatas, banqueiros, pessoal maior e menor da nossa sociedade. A senhora passeava, imperial, na nossa economia, acompanhada por tutti quanti. Toda a gente sabia que, de uma forma ou de outra, a criatura gozava da presidencial, e paternal protecção. A ninguém ocorreu pôr em causa que os seus milhões tinham origem no poder totalitário do homem. Aliás, tal poder era reconhecido como legítimo pelo nosso Estado e seus agentes. Se tal poder era legítimo, legítimas eram as suas decisões, legítimos os privilégios financeiros de que a senhora gozava.

Ninguém se preocupou com eventuais irregularidades, pela simples razão que tais irregularidades, à face da lei, não existiam. A cidadã comprou, vendeu, trocou, pagou, recebeu, depositou, fez o que queria e podia, montou o seu império, sempre com o aplauso e até a gratidão das nossas “autoridades”, sempre acompanhada por ministros, secretários de Estado e dignitários de todos os tamanhos e feitios.

Nunca se pôs em causa a origem ou as voltas e reviravoltas dos milhões que ela usava. Nem o governo, nem a Procuradoria, ninguém da área da soberania se preocupou.

As coisas deram a volta lá na terra dela. O novo chefe, servindo-se exactamente das mesmas pessoas e poderes que apoiavam os feitos económicos e financeiros da dona Isabel, virou tudo de pernas para o ar: os mesmos passaram a condenar o que, na véspera, defendiam. O que era bom passou a mau, o que era dela passou a não ser, as loas passaram a motivo de perseguição judicial.

Sic transit gloria mundi.

E por cá? Os mesmos que tudo ignoravam, atentos e veneradores, passaram a ferozes perseguidores. A subserviência continua igualzinha. Os critérios é que são outros.

Você confia nisto? Será isto o tal “Estado de Direito”.

  

21.6.20



4 respostas a “SIC TRANSIT GLORIA MUNDI”

  1. “Durante vários anos viveram os nossos ilustres representantes na contemplação servil e admirativa de uma senhora que por aí apareceu”… a sério, Irritado? Não nos diga! Só falta dizer que entre tais ‘representantes’ estava o seu caro Passos. Não estava, pois não? Alguém tão recto, tão nobre, tão sério, tão heróico, etc., jamais se rebaixaria de forma tão abjecta a tal poço de corrupção e podridão. Não, claro que não. E jamais mandou o chuleco Machete pedir desculpas, joelho no chão e língua metida no rabiosque do clã Dos Santos, pela ousadia de sequer pensarmos em investigar algumas das suas trafulhices. Certo?

    1. Ao contrário do que é meu hábito, não escrevi que foram só os socialistas a andar de braço dado com a senhora. Pelo que, se alguém se deixou levar pela malquerença, não fui eu, foi o Filipe.

  2. Quando alguém constata sequer 1% disto, que diz o Irritado? Lá vem o Filipe, o botabaixista, “dizer mal”. Ou o Paulo Morais, ou a Ana Gomes, ou outro qualquer: quem critica, quem denuncia é que está mal. Angola tem a política tuga no bolso? Mentira! O centrão é todo podre? Exagero! Está ao serviço de mamões? Disparate! Esta canalha só quer poleiro e tacho? Calúnias! A Banca e o Mamão Salgado mandam nisto tudo? Comunices! Pois aqui tem, Irritado. Cada tiro cada melro, cada cavadela cada minhoca. Nem quando o tempo traz à luz o que toda a gente já sabia, nem assim defensores do status quo como o Irritado mudam um milímetro. São sempre casos lamentáveis mas isolados, excepções da normalidade e da “dignidade das instituições”. Umas poucas maçãs podres. O resto está bem e recomenda-se. É preciso continuar. Ir botar o botinho. Calar. Ser responsável. Olhe, em abono da verdade: o Berloque denunciou a podridão angolana. No Paralamento foi o único. O único.

    1. Uma coisa é denunciar os erros, outra é alinhar com pidescos.O que eu disse, e v. não reparou, é que quem tem razão é a Isabel: Actuou segundo a “lei” do papá. A lei do papá, aos olhos da política externa, portuguesa e não só, era “legítima”. Os “olhos” dos outros é que mudaram, não foi ela. Era o que o post dizia.

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