IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


AS BOTAS E AS PERGIGOTAS

 

O inexcedível brilhantismo do 10 de Junho de 2020 veio alertar-nos para algumas diferenças entre botas e perdigotas.

Do lado das botas, punhamos, aleatoriamente, os notáveis exemplos do 1º de Maio, as manifestações racistas, os espectáculos do Nogueira e a futura festa do Avante. No das perdigotas, o 13 de Maio e o 10 de Junho. Meros exemplos.

As botas não dizem com as perdigotas, pelo menos parece: estamos no mundo ideal. As botas, com multidões q.b., chegam a ter honras da presença das mais gradas figuras da Pátria, desconfinadas, a libertar o povo dos ditames do covide.  As perdigotas lembram a todos o contrário: que devem estar afastados uns dos outros, a nadar em desinfectantes, ou metidos em casa ou nada de ajuntamentos, de vida em sociedade, de “contactos”. Altíssimas autoridades assim o determinam, resta-nos obedecer, frequentando as botas e abominando as perdigotas.

É claro que isto não é maledicência, é mera constatação de que há quem tenha o direito de meter coisas no rol das botas ou no das perdigotas, a seu livre alvedrio. Às supracitadas botas, como é do conhecimento geral, não se aplicam, ou pouco se aplicam, os ditames da moda. Às perdigotas, pelo contrário, aplicam-se com toda a força  da lei, ou do que passou a tal se chamar.

E bem se justifica:

O 13 de Maio, como toda a gente sabe, é, segundo a filosofia triunfante, uma mera manifestação do mais obsoleto obscurantismo, não sendo de admitir que os seus adeptos se manifestem. Ao 10 de Junho, sabendo-se que Camões mais não fez que louvar salteadores, esclavagistas e torcionários, dê-se-lhe o que merece, sem prejuízo de fazer uns mariatos para consolar alguns raros indígenas. Faça-se alguma coisa, mas sem a participação do que resta daqueles, burros, que ainda não acreditam na história contada pelo Boaventura e pelo Rosas; dê-se-lhes uns discursos, uns tiros no Tejo e uns aviões a passar, tudo sem perigo de contágio. A bem da televisão, dê-se-lhes até o espectáculo de um combatente (um torcionário, um assassino, um canalha) a mostrar saudades do tempo em que se juntava com os seus camaradas para recordar os massacres.

Se calhar, só aparentemente as botas não dizem com as perdigotas. No fundo, está tudo rigorosamente bem pensado para “educar as massas”, metendo-lhe aos poucos pela cabeça dentro as novas verdades a que chamam “novo normal”.

Podem os racistas, os “progressistas”, os animalescos, os herbívoros e quejandos ficar descansados. A nova moral, oficialmente, viceja.  

 

11.6.20



2 respostas a “AS BOTAS E AS PERGIGOTAS”

  1. Ultimamente tenho visitado o Blasfémias e outros blogs mais ‘in’. Voltar ao do Irritado é sempre um prazer: menos quantidade, mais qualidade. Muito poucos escrevem assim; a bem dizer não estou a ver mais nenhum. Neste caso fala de Portugal, mas já viu que é geral, Irritado? Qual confinamento, qual carapuça: todo o Ocidente se verga ao politicamente correcto, à identity politics, a isto que hoje passa por ‘esquerda’. Nem estátuas resistem. Na Inglaterra já caíram várias, estuda-se agora quais as próximas. Até falam da do Gandhi. Programas são cancelados, instituições e políticos ajoelham-se e pedem perdão. O Guardian está em êxtase. Por comparação, Portugal parece calmo e brando. E a esquerda, pese o histérico Berloque, sempre é mais tradicional. O que se vê lá fora é outro nível: a direita chama-lhe “marxismo cultural”, mas tem tanto de Marx como de Marte.

    1. Obrigado pelos, se calhar não merecidos, elogios. De resto tem razão, é uma calamidade geral. Não sei o que se passa com a humanidade.

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