Costumo dar uma volta pelo jardim que há aqui ao pé de casa. Dizem as nossas autoritárias autoridades que faz bem aos confinados e, na minha dupla qualidade de confinado e de membro de um “grupo de risco”, sigo disciplinadamente as instruções do poder.
Ontem, dei com os bancos do jardins envoltos em fita cola, daquela que se usa nas crime scenes dos filmes policiais. Às vezes, em tempos ditos normais, sento-me por ali a ler o jornal. Fiquei banzo com a fita-cola. E ainda mais banzo fiquei quando alguém me disse que o meu jardim era dos últimos a receber a fita, uma vez que a coisa anda por aí em todos os jardins da Câmara.
Não haverá quem não tenha percebido, e sofrido, os idiotas, estúpidos e contraproducentes exageros da guerra do Covide, em muitos casos não se percebendo quem é o inimigo, se o Covide se as “autoridades”. Quando as pessoas vêem cancelado um direito tão simples como o de se sentar num banco de jardim, percebem a que ponto chega a sanha de poder e de controle de uma sociedade por parte de gente que perdeu por completo a noção do direito, meteu a Constituição na gaveta e exerce estupidamente um poder que, de democrático, parece já só ter o nome, ou menos.
O “alívio” das medidas tem hoje mais um interessante desenvolvimento: quem se apresentar no barbeiro sem máscara, para que aprenda a ser obediente levará uma talhada de 350 euros, docemente aplicada pelas “autoridades”.
Um rol de outras desmedidas “medidas” podia acrescentar. Não vale a pena. A sociedade, instilada com medos e pânicos, cumpre acefalamente, não se sabendo até quando. O poder público perdeu por completo a noção dos seus próprios limites, a Constituição, historicamente vítima do socialismo leva agora um pontapé na área dos direitos individuais, letra moribuna.
Se a economia já recuou 20 anos, e mais vai recuar, a democracia recua com ela por culpa de quem diz defendê-la.
Vou comprar (na net!) uma cadeira de campismo para poder ler o jornal no jardim*.
1.5.20
* Se comprasse duas, ou punha a companhia a sete metros ou era capaz de levar com os 350 euros da praxe.

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