IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ESCOLHAS

 

Voltando às vantagens do Covid19, há que sublinhar o monumental alívio que foi ter deixado de andar submetido, matraqueado, vítima de diárias lavagens ao cérebro ministradas por multidões de desportistas da modalidade de decátolo televisivo, constituídas por inúmeros plantéis (é assim que se escreve?) de profissionais do comentário futebologénico, ocupando intermináveis horas da “informação” nocturna do infeliz indígena.

FoI tal cáfila substituída por outros especialistas, desta vez os mui solidariamente ocupados em explicar às pessoas tudo e o seu contrário sobre a epidemia.

Há-os para todos os gostos e desgostos. Locutores (“pivots”!), quase todos de barbas farfalhudas, muito men, meninas bonitas e meninas feias com fartura, “autoridades”, primas de infectados, filhas de velhos armazenados em lares (dos amargos não dos doces), médicos, enfermeiros, tipos das misericórdias, presidentes de câmaras, emigrantes, intelectuais de toda a ordem, gente contente por se tornar “célebre”, directoras gerais (coitadinha da da saúde), uma ministra pespineta, o insuportável Costa, o espertalhão do Siza, tudo minha gente a perorar salvíficas matérias, lamentações e protestos, estatísticas maradas, prognósticos à la carte.

E estamos todos em casa, a gozar ou a lamentar o mortal silêncio da cidade, a viver o inimaginável com a bonomia possível ou impossível, escravos das ordens que recebemos, sendo a única que funciona a do isolamento. De resto, ninguém sabe se as máscaras são boas ou más, se as luvas funcionam e como, se podemos dar uma volta ao quarteirão como diz uma criaturinha do governo, ou se não podemos como diz a polícia, se há testes ou não há testes, se os testes são precisos ou não são precisos, se o que nos dizem é verdade hoje e mentira amanhã ou vice-versa, se, se, se.

Tomei uma atitude. Nada de notícias. É capaz de ser mais saudável apanhar o vírus que passar os dias a ler, ouvir e ver a “informação”, venha ela donde vier. A verdade , se é que é verdade ou se há verdade, é que mais vale apanhar o vírus (tendo o cuidado de não morrer) e ficar cheiinho de anticorpos, livre dele, do que andar “informado” e correr o risco de perder o juízo de uma vez por todas.

Comentários de futebol ou opiniões sobre Covid19, venha o diabo e escolha.

 

29.3.20



3 respostas a “ESCOLHAS”

  1. Entre o covid e a febre da bola, mal por mal, venha o covid. Mas ó Irritado, já que a malta está fechada em casa, que tal um filme? https://netflix.com/pt/title/81128579 Uma prisão numa torre com um buraco a meio. Em cada piso estão dois prisioneiros. Todos os dias desce uma plataforma pelo buraco, que traz a única comida do dia. Nos pisos superiores, os prisioneiros têm um festim ao seu dispor. Tudo do bom e do melhor. Se cada um comesse apenas uma pequena porção chegaria para todos. Mas nunca chega. Os dos pisos acima alambazam-se, os dos pisos intermédios comem os restos. Ninguém se preocupa com os pisos abaixo de si. E ninguém sabe realmente quantos pisos existem: parece haver sempre mais. Há sempre alguém pior do que nós. A ordenação dos prisioneiros é aleatória: certo dia acordam num piso acima, noutro podem acordar muito abaixo. Quando se vêem num piso superior empanturram-se a dobrar, como que para se vingarem dos tempos difíceis. Jamais pensam nos outros que estão agora nessa situação. Só pensam em si mesmos. A certa altura alguém tenta apelar aos do piso acima e aos do piso abaixo. Ambos se riem. Ambos defecam, metafórica e literalmente, nos pisos mais abaixo. Querem lá saber. É cada um por si. Talvez amanhã acordem num piso acima… Lembra-lhe alguma coisa, Irritado?

    1. Lembra-me a sua filosofia geral, desta vez em tom subtil, ou cínico, como queira.

    2. Lembra-me a sua filosofia geral, desta vez em forma subtil, ou cínica, como queira. Já agora, há quem diga, talvez com razão, que a reacção pública ao covide é um caso paradigmático de democracia directa: o poder público a ceder, e cumprir, as exigências do medo ultra-maioritário da canalha.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *