O IRRITADO, na sua altíssima capacidade de análise, disse várias vezes que, nesta legislatura, a geringonça ia continuar. Os acontecimentos, porém, não lhe deram razão. Os parceiros do PS, cheios de ciúmes por terem perdido o acesso directo e garantido ao poder e deixado de ter o “grande negociador”, que migrou para o aeroporto do Montijo e para a sucata dos comboios, começaram a espernear, abanando o PS com “coligações negativas”, isto é, pondo o grande chefe em minoria em já várias ocasiões.
Em causa ficou a navegação, já não da geringonça mas da barcaça, que contava vir a navegar com doce brisa pela popa. O capitão meteu-se em águas traiçoeiras, para as quais não tem os indispensáveis conhecimentos náuticos.
O cavername começou a ranger perigosamente. O capitão sentiu os abanões. Percebeu que tinha passado a ser necessária, mais uma vez, a ajuda de terceiros. Como nem o capitão da barcaça quer, e nem o da nau ou os das canoas a estibordo se dispõem a dar uma ajuda, muita gente entrou em pânico, sendo preciso que o almirante do mar oceano acorresse em sua ajuda.
Vigoroso e e fiel, como sempre, apelou a um entendimento a bombordo que dominasse a porcela. Não disse expressamente que queria que abandonassem a barcaça e se metessem na geringonça outra vez, mas é evidente que era o que ele queria dizer. Depois veio o imediato à primeira página do “Expresso” pôr os pontos nos is, clamando, com todas as letras, pelo desembarque da barcaça e pela viagem por terra a bordo da geringonça.
Está assim tudo a postos para que, no fim de contas, o IRRITADO tivesse razão. Mais cedo ou mais tarde o apelo do almirante será escutado e a geringonça voltará à auto-estrada, talvez com a preciosa colaboração de Sua Excelência o Presidente da Moita.
7.3.20

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