IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


MISTÉRIOS DA ESTRADA

Três fulanos espetaram-se na 2ª Circular a 300 Km à hora, e foram desta para melhor. Uma tragédia, vários mistérios.

O primeiro mistério é o da “informação”. Casos do género, bem menos graves, merecem paragonas nas televisões, quem eram os defuntos, fotografias dos ditos, as mães,  as primas, o vizinho do lado, tudo minha gente a dar a sua esclarecida opinião, vídeos do carro escaqueirado, do poste do outro lado da via, das operações de limpeza, etc., coisa para levar vários dias. Neste caso, porém, quase nada. Que eu saiba, tirando o Correio da Manhã e o Observador, zero. Mesmo estes, pouca coisa. Sobre quem eram os malogrados loucos do volante, pouco se sabe: uma fotografia de um, que parece, pelo nome e pela imagem, ser de um afro-brasileiro. Mia nada. Nos noticiários das TV’s, nada que eu visse. E é tudo. Não que eu queira saber mais, só que o comportamento dos jornalistas é estranho, por contraste com o habitual. Porquê este silêncio, tão pouco habitual, ou “normal”?

Quem eram os loucos? Onde tinham ido arranjar uma “bomba” daquelas? Como é possível arriscar assim a vida dos próprios e de terceiros? Não há respostas, nem investigações, nada que se veja.

Mais estranho ainda, dois dias depois do desastre, uma chusma de uns 200 indivíduos invadiu, de automóvel, a 2ª Circular, e parou o trânsito por largo tempo. Horas depois, foram gentilmente mandados embora pelas simpáticas “autoridades”. Ao que vinham? Vinham prestar homenagem às vítimas, uma espécie de romagem de saudade aos bravos rapazes e ao serviço que prestaram à comunidade e a si mesmos.

Esta demonstração de “civismo” vem, pelo menos, dizer-nos que os infelizes eram membros de uma comunidade de díscolos do volante. Parece que, à altura em que morreram, havia outras “bombas” a circular nos mesmos propósitos, carros, motos, uma grande organização. O que fez, ou faz, a polícia, tão ancha a multar pessoas normais que vão a 60 onde onde o limite é 50, tão competente com os seus radares, tão severa (ofensa grave!”) se você pisar o risco contínuo sem perigo nenhum? Nada, que se saiba. Aquilo não indicia uma horda organizada de malfeitores? Parece que não. Com a preciosa colaboração dos media, uma cortina de silêncio se abateu sobre o assunto.    

A verdade será tão inconveniente que nada se possa dizer dela? Fica a pergunta, à qual o mais certo é não haver resposta.

 

24.2.20



2 respostas a “MISTÉRIOS DA ESTRADA”

  1. Partilho da opinião do Irritado. Se este país ainda nos fizesse cair o queixo, este estaria caído. Mas não está. Como explicar isto? Eis uma teoria. Os tipos pertenciam a uma claque (do Benfica) e moravam em bairros ‘problemáticos’. Tinham uma grande bomba porque eram marginais. Droga, sabe-se lá que mais. E como muitos tipos destas idades, eram obcecados por carros e coisas assim machonas. Entre os bairros, o tráfico, o futebol, os carros e as corridas, tinham muitos amigos. Todos do mesmo meio ou com os mesmos gostos. O tipo de gente com quem a gente ‘normal’ evita meter-se: uma subcultura alienada, volátil, agressiva. A ‘homenagem’, feita desta forma, é uma mensagem à sociedade, a quem teve de parar e esperar, à polícia que teve de engolir e transigir: vocês não mandam em nós. As vossas regras não são as nossas. Vocês têm de respeitar as nossas. Essas regras incluem o direito de andar a 300 à hora em estradas que, por norma, não ajudam a pagar. Ou o direito de se espetar nelas, pondo todos em risco, e de parar o mundo a homenagear os “guerreiros” espetados. Vemos a mesma atitude, de quando em vez, de mais um ou outro grupo particular. Ciganos, por exemplo. Quem já passou tempo na urgência de um hospital, sem precisar de ter grande sorte ou azar, já assistiu a isto e a pior. Quanto disto é cultural e quanto é genético? Vendo as fotos dos tipos que se espetaram, é difícil atribuir percentagens.

    1. De acordo. Sabe mais que eu sobre o assunto. O André Ventura não diria melhor. É por isso que tem tantos clientes.Os seus inimigos ainda não perceberam que dizer a verdade não depende de quem a diz mas de quem tem, ou não, medo de a dizer.

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