IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ENTREGUES AOS HIPÓCRITAS

 

Uma pessoa que me era próxima passou os últimos anos da sua vida em estado vegetativo, incapaz, sequer, de conhecer os seus. Estava afogada em medicamentos, tendentes uns a atenuar o seu sofrimento, outros a alimentar a vã esperança numa recuperação reconhecida como improvável, ou impossível. Um dia, um médico aconselhou a que lhe fossem retirados os medicamentos, a ver o que dava. Dias depois, a pessoa foi “apanhada” a ler um livro em francês e explicá-lo a uma cuidadora. O lampejo durou pouco, mas aconteceu, vá lá saber-se porquê. Se esta pessoa, quando estava em seu perfeito juízo, tivesse feito a fatal declaração da eutanásia, sabe-se lá se não teria também um tal lampejo, mudando de ideias na hora da alguém cumprir a sua eutanásica vontade.

Isto já aconteceu na Holanda, onde uma senhora que tinha feito a declaração, teve o tal lampejo, percebeu que a iam matar, e resistiu. De nada lhe valeu, como foi noticiado. Mataram-na na mesma.

São dois exemplos que, mesmo vindos de uma minoria de dentro de outra minoria, deviam alertar, mas não alertam, os crentes nessa estranha “obra humanitária de solidariedade, amizade, compreensão e amor” que dizem ser a eutanásia, pela simples razão de que a nova “moral” quanto mais fracturante melhor, quanto mais totalitária melhor, quanto mais tornar legítimo o que não o era, melhor.

Em relação, por exemplo, à não aceitação da pena de morte, um dos muitos, e válidos, argumentos é o de que se corre o risco de matar inocentes. Será, evidentemente, um rara excepção, mas deve correr-se tal risco? Claro que não. Porque será diferente no caso da eutanásia é coisa que nenhum dos seus adeptos será capaz de explicar.

A lenga-lenga pseudo-humanitária que “explica” o novo direito de matar, desta feita mascarado de direito de morrer, é comparável àquilo a que os seus praticantes usam chamar “caridadezinha”. Só que a tal caridadezinha nunca matou niguém. Talvez, como dizem os seus acusadores, sirva para aliviar as consciências de quem a pratica, mas não consta que faça mal a quem a recebe.

Por isso que, ao ouvir “missionários” como o senhor Pureza ou a dona Moreira a regougar os seus tão nobres sentimentos nos encha, não só de asco como de intenso pavor pela infrene hipocrisia que revelam.

 

21.2.20



6 respostas a “ENTREGUES AOS HIPÓCRITAS”

  1. A comparação da eutanásia com a pena de morte parece-me forçada – além de as intenções serem opostamente diferentes, é claro que o ‘eutanasiado’ deve poder mudar de ideias – e com a caridadezinha parece-me estranha. Como assim, caridadezinha? Para mim, este termo designa a hipocrisia dos que reduzem a empatia e a compaixão pelo próximo a uma mera exibição de piedade, geralmente religiosa, reduzindo os pobrezinhos a um estereótipo e preservando na íntegra o sistema iníquo que os cria e mantém. Serve sobretudo para acender velinhas e lavar consciências. Poupar alguém a sofrimento insuportável, a pedido dele/dela, é caridadezinha porquê?

    1. Não sei se percebi a razão para o Bastos ter utilizado plicas… Sentido figurado ou palavra que acabou de inventar? Plicas?!(Não percebo que sentido figurado pode ter esta palavra neste ou em qualquer outro contexto.) Seja qual for a sua intenção para as plicas ou mesmo para a palavra, a verdade é que um “eutanasiado” (palavra utilizada pelo Bastos) nunca poderá mudar de ideias. A mim parece-me coisa óbvia e indiscutível mas para o Bastos parece que um eutanasiado “deve poder mudar de ideias” como se um eutanasiado ainda estivesse vivo, sem dúvida coisa extraordinária, talvez mesmo milagrosa (e em pleno choque com o antiteísmo do Bastos). Já ao candidato a eutanasiado não é garantido que possa mudar de ideias como bem se vê pelo exemplo dado pelo Irritado, ocorrido na Holanda e cujo profissional de saúde foi ilibado, em julgamento, dos seus actos, por aparentemente (segundo douta opinião da juíza) não irem contra a lei (é de ficar de queixo caído com tal argumento). O Bastos parece ter horror à palavra caridade. Pois não se preocupe que esta palavra já raramente é utilizada, foi já substituída por outras muito menos… vergonhosas.(Tão menos vergonhosas que já muita gente, demasiada gente, vive à custa da caridade do estado, de todos nós.) Além de que é melhor ser alvo dessa caridade ou piedade (de origem religiosa ou não) ou outras que tais palavras já caídas em desuso do que estar morto. É melhor ser alvo dessa muito necessária ajuda do que estar morto. E quem é alvo de ajuda, surpresa das surpresas, terá muito mais probabilidade de mais tarde vir a ser também um dos que presta esse mesmo tipo de ajuda, mesmo que de modo mais limitado. Quanto a reduzir as pessoas a estereótipos… esse tem sido o seu incansável trabalho em praticamente todos os seus comentários. Finalmente a sua última frase, o Bastos não teve qualquer hesitação em deturpar as palavras do Irritado para fazer valer a sua opinião. Como diz o outro… não havia necessidade!

  2. Sabe, Irritado, isto da eutanásia, concorde-se ou não, tem um lado positivo: muita gente – sobretudo ‘gente bem’, direitista e conservadora, como o Irritado – descobriu que… imagine… a classe política decide coisas sem nos consultar! E é vê-los a resmungar nos jornais, nos blogs, feicebuques e afins: que isto não pode ser assim, que está mal feito, que não podem ignorar as pessoas, que “os políticos têm demasiado poder”… imagina o que me rio a ouvir isto? É, claro, um riso breve e pífio: tudo continuará na mesma, nem assim a carneirada acorda ou os compinchas do Irritado sonham sequer em pôr estes pulhíticos com trela, ou numa democracia a sério, mais directa. Mas sabe bem.

    1. Veja-se só, o Bastos consegue encontrar na eutanásia um aspecto positivo com o qual, diz o Bastos, todos concordarão! Terá o Bastos entrado na minha cabeça para me poder atribuir tal concordância? E o Bastos adora deturpar as coisas, tal é a frequência com que o faz… desta vez ignorando, propositadamente, ou fazendo confundir a diferente natureza dos vários assuntos. Caro Bastos, há os assuntos de governação que os eleitores delegam nos eleitos e há os assuntos que fazem parte do âmago de uma sociedade e que a definem não podendo ser mudados ou alterados por simples vontade de uns quantos políticos. O Bastos até sabe bem que assim é, apesar de não lhe ser conveniente para a defesa que faz da eutanásia. É a hipocrisia à moda do Bastos.

      1. “Há os assuntos de governação que os eleitores delegam nos eleitos” – eu não deleguei porra nenhuma. E mais de metade da população nem vota. Mesmo à que vota ninguém pergunta nada. O voto é um cheque em branco. “E há os assuntos que fazem parte do âmago de uma sociedade e que a definem” – urge então fazer a lista de tais assuntos: é que, com ou sem maioria de 2/3, a classe pulhítica hoje pode quase tudo. Além de legalizar a eutanásia, pode subjugar-nos à UE ou tirar-nos dela; pode assinar o que quiser em nosso nome; pode mudar a língua oficial para Espanhol; ou para Lituano; pode endividar-nos por gerações nos ‘mercados’; pode encher bancos falidos; pode estourar 1.1 mil milhões em submarinos; pode falir o SNS; pode criar regras exclusivas para políticos; etc. E v. tem de comer tudo e calar, Anónimo. É a democracia, está a ver?

        1. «”Há os assuntos de governação que os eleitores delegam nos eleitos” – eu não deleguei porra nenhuma.» Se nunca delegou nada nos políticos é porque nunca votou. «E mais de metade da população nem vota.» Isso já é outro assunto, aliás, é o tal assunto que só é muito levemente abordado por ocasião de eleições e por aí se fica. É falta de cultura democrática mas não necessariamente da população. A culpa maior é sem dúvida daqueles a quem não interessa discutir este assunto (aqui dou-lhe toda a razão). «Mesmo à que vota ninguém pergunta nada.» Lá está o Bastos outra vez com a ideia de se fazerem referendos a torto e a direito. Dizia o Bastos no tópico “E SE PENSÁSSEMOS? 16.01.20″: «Quantos referendos? O que for razoável. Talvez um nacional por mês, um regional por quinzena, um local por semana. »https://irritado.blogs.sapo.pt/e-se-pensassemos-1114529#comentarios Já reparou quantos referendos seriam necessários para cumprir as suas expectativas? Por ano seriam: um nacional por mês = 12 um regional por quinzena = 24 (arredondando para 2 por mês) um local por semana = 52 Total anual = 88 Pensando a nível nacional ainda teríamos de multiplicar os regionais pela quantidade de regiões e os locais pela quantidade localidades/freguesias. Neste tópico de 16 de Janeiro só faltou mesmo fazer estas contas e perguntar-lhe: quantas perguntas por referendo? Não íamos desperdiçar tal quantidade de referendos com uma só pergunta por referendo, ou íamos? E diz o Bastos que não delega nada… preferia votar em 88 referendos anuais? Repito o que escrevi nesse tópico. Estaríamos a banalizar o referendo. Passada a novidade desmotivaria o eleitor para qualquer participação em tais actos já que ninguém teria tempo livre que chegasse para se inteirar de todos os assuntos em referendo e mesmo que tivesse esse tempo livre necessário seriam decisões que passariam a ser tomadas por quem pouco ou nada perceberia dessa imensidão de assuntos. Constituiria um permanente adiar de decisões com potencial para bloquear o funcionamento das instituições! E, não menos gravoso, passariam tais referendos a ser sequestrados pelas pessoas mais motivadas para determinados assuntos, sequestrados pelos grupos mais motivados em fazer mudanças radicais. «O voto é um cheque em branco.» Se o eleitor se estiver marimbando para os outros e para tudo o resto e só pensar no seu interesse imediato inevitavelmente votará em quem se aproveite disso. «”E há os assuntos que fazem parte do âmago de uma sociedade e que a definem” – urge então fazer a lista de tais assuntos: é que, com ou sem maioria de 2/3, a classe pulhítica hoje pode quase tudo. » O Bastos precisa mesmo de uma lista? Da maneira que isto anda, para além daqueles que nos querem impor a sua doutrina extremista, parece ainda haver por aí gente que não é dotada do bom senso necessário para discernir assuntos de governação do eventual assunto que toca na maneira de ser de todo um povo mas que o Bastos faça parte dessa gente… «Além de legalizar a eutanásia, pode subjugar-nos à UE ou tirar-nos dela; pode assinar o que quiser em nosso nome; pode mudar a língua oficial para Espanhol; ou para Lituano; pode endividar-nos por gerações nos ‘mercados’; pode encher bancos falidos; pode estourar 1.1 mil milhões em submarinos; pode falir o SNS; pode criar regras exclusivas para políticos; etc. E v. tem de comer tudo e calar, Anónimo. É a democracia, está a ver? » Sim, já deu para perceber que o Bastos tem sérios problemas com a nossa democracia, no entanto, por piores que sejam alguns dos seus intervenientes em que o Bastos tanto gosta de malhar, ainda assim… por muito que custe dizê-lo, ainda estou convencido que um governo constituído por pessoas como o Bastos seria mil vezes pior.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *