IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


E SE PENSÁSSEMOS?

O meu Post anterior motivou interessantes comentários de dois seus habituais clientes, Filipe Bastos e Isabel.

Merecem algumas reflexões, desta vez não em forma de resposta directa.

O Filipe é habitualmente feroz crítco daquilo a que chama partidocracia, inimigo radical dos “mamões” – a generalidade dos políticos, a que chama pulhíticos, e dos grandes empresários – todos, sem excepção, a viver à custa do cidadão comum. Para ele, a única solução que respeitasse o povo soberano, seria a democracia directa, coisa a que sempre me opus. A Isabel vai fazendo considerações sobre os mesmos assuntos, mas de forma mais moderada, isto é, menos apaixonada e com maior dose de bom senso.

Nas últimas intervenções, o Filipe moderou a expressão das sua ideias, foi mais construtivo, ou menos destrutivo do que de costume, fazendo jus à inteligência que, discordando, lhe reconheço.

Veio à baila a Constituição, assunto que me interessa desde sempre. Presidi à comissão de revisão constitucional de 1982 (um trabalhão) que pôs na rua os militares do conselho da revolução (o “tribunal constitucional” daquele tempo) e limitou as tendências castro-políticas do Presidente Eanes. Disso conservo algum orgulho, ainda que tal revisão não tenha tocado nos chamados “limites materiais” de revisão nem acabado com a ideologia socialista/constitucional, já que, à altura, Mário Soares, concordando com o essencial de tais reformas, confessou que não tinha “margem” dentro do PS para forçar a sua aprovação. Sete anos depois, uma parte do articulado foi alterado, permitindo alguma, ainda que tímida, evolução económica não socialista.

Devo confessar que, abominando o espírito socialista do documento, vim, num livro que publiquei anos depois, a escrever que, apesar de tudo, politicamente, a Constituição vinha tendo um comportamento aceitável.

Os tempos mudaram, a CEE obrigou a algumas modificações, mas o socialismo obrigatório não foi posto de lado.

Como dizem os meus comentadores, é preciso, urgentemente, revê-la, sendo que não haverá uma revisão “a sério” sem que, ou prévia ou seguidamente, seja alterada a lei eleitoral. De acordo. Não adiantarei, nesta ocasião, como vejo tal alteração, mas concluí que o actual sistema deixou de estar à altura das necessidades de representação política dos cidadãos. Devem, ou deveriam, ser encontradas novas soluções, sem preconceitos ideológicos e sem interesses particulares ou partidários, de forma a tornar o voto e a preocupação política mais interessante para a generalidade dos eleitores. Wishful thinking, dir-se-á, com toda a razão. Os partidos comunistas, como já têm repetidamente afirmado, jamais aceitarão seja que alteração for que possa, eventualmente, tocar a fímbria dos seus interesses eleitorais ou das normas ideológicas em vigor. O PS, por seu lado, bem instalado no poder com o apoio deles, está a uma distância cósmica do soarismo e do bom senso democrático. Portanto, nada a fazer, não há maioria qualificada, seja para mudanças constitucionais, seja para alterações eleitorais.

Esta situação, aliada, como previa no meu post (na hipótese de eleição do Rio), leva à irrelevância da direita moderada, à radicalização da direita radical/populista, ao reforço do socialismo constitucional e do estatismo galopante, ao aumento do desiteresse das pessoas, à abolição das alternarivas e à continuação da nossa apagada e vil tristeza.

Captar abstencionistas para a política e para uma cidadania consciente é coisa que ficará, ou fora do nosso futuro político, ou na reserva de caça dos radicais.

Aqui ficam algumas das reflexões que os meus comentadores citados motivaram. Outras virão, quando estiver motivado e com a indispensável pachorra.

 

16.1.20



10 respostas a “E SE PENSÁSSEMOS?”

  1. No meio de tantas nobres intenções de reforma que se vão lendo ou ouvindo aqui e ali e acolá e que, tendo em conta a actual e dominante mentalidade, nunca se concretizarão… já era altura de se pensar em contornar tais assuntos e só voltar a eles em momento mais propício. Parece-me até que esse momento poderia ser antecipado se tratássemos primeiro de outros assuntos igualmente importantes, relacionados ou não. Por exemplo, tratar da abstenção. Julgo que não seria necessária qualquer reforma eleitoral e é surpreendente (pelo menos para mim) que nunca seja abordada a questão do voto electrónico, uma já velha questão mas cada vez mais actual neste mundo cada vez mais tecnológico. E não, não aquele voto electrónico onde o eleitor continua a ser obrigado a deslocar-se até à escola primária mais próxima para votar numa qualquer maquineta com uns botões e um ecrã instalada à pressa para umas horas de uso numa das salas de aula… mas o voto electrónico onde o eleitor possa votar a partir de casa, a partir do seu local de trabalho, a partir da sua toalha de praia ou de piquenique, a partir de onde quer que o eleitor esteja. E não apenas ao domingo, ao sábado também ou, em alternativa, prolongar-se até segunda feira… 48 horas disponibilizadas para o eleitor, qualquer eleitor, seja em que circunstância estiver, poder votar à distância através do seu próprio computador (seja de bolso, portátil ou de secretária). Se a Internet é boa para tratar da nossa relação com os bancos e nosso suado e rico dinheirinho e se é igualmente boa para tratar da nossa relação com o poderoso fisco então também devia ser boa para tratar da nossa relação institucional com os diversos candidatos (ou listas de candidatos (outro assunto de que os partidos igualmente fogem)). Mas se a Internet não for afinal boa para actos eleitorais (como, julgo, muito prontamente todos dirão) então também não devia ser boa para questões de dinheiro (bancos e fisco), parece-me lógico. Criticar os abstencionistas (como tantos fazem), não leva a lado nenhum. Mais importante seria ajudá-los a deixarem de o ser eliminando se possível e de uma só assentada muitas das múltiplas razões que os levam a não votarem e posteriormente tratar caso a caso das razões de mais difícil resolução que subsistissem. Apenas um exemplo de algo mais que poderia ser feito!

    1. Concordo plenamente. É absurdo ainda ter de ir votar à escolinha, em papel.

  2. Tratado o assunto sério, sugeria agora e muito humildemente que o blogue tivesse a sua designação alterada para melhor condizer com a sua actual realidade, assim no momento… talvez para “Blogue do Irritado Complacente, do Zangado Patológico e da Associada Ziguezagueante”!

  3. Se desentranhasse os três últimos parágrafos seria um excepcional artigo.

  4. Irritado, obrigado por pelo menos pensar o assunto.Há dias, recordou o funcionamento da democracia representativa. Cada cidadão é livre de constituir um partido ou de aderir a um. Cada partido tem os seus estatutos e a sua assembleia interna. Esta coloca depois propostas aos cidadãos. Estes votam depois na proposta que preferirem, ou em nenhuma delas; mas só os votos nas propostas contam. Este sistema era compreensível. Cada pessoa tem uma opinião, mas não se pode votar 10 milhões de propostas. Os partidos servem esta função, agrupando ideias e interesses comuns. E se alguém não vota, como saber o que quer? Só que o tempo tudo muda e tudo corrói. O que era útil há 40 anos está hoje penosamente ultrapassado. Na época do Estado Novo este também fazia sentido; o que estava para trás era pior. Mas depois viu-se as suas limitações. No caso da III República, em vez de assembleias de cidadãos os partidos tornaram-se grupos de assalto e manutenção do poder, que excluem o cidadão comum. Este passa a vida a trabalhar; não tem vida para partidos. E até os poucos cidadãos que participam são excluídos pelos profissionais da política, as ‘bases’ e os senadores que lá andam há décadas. O sistema ganhou vida própria: existe por si e para si mesmo. E na verdade, nunca foi mais do que isto – umas dezenas de pessoas, algumas de esquerda, outras de direita, a discutir em circuito fechado o destino de milhões. Essas pessoas nem sequer são especialistas; nem são estudantes ou profissionais brilhantes, uma espécie de escol dos melhores da sociedade, escolhidos a dedo entre as notas 20 das faculdades. São apenas os que subiram nas hierarquias partidárias. E estas, em vez de atraírem os melhores e mais sérios, tendem a repeli-los. Quem fica? Os carreiristas. Em adição, temos três óbvias falhas de representatividade do sistema eleitoral: 1) Não haver um limite mínimo de votos: aceitar mais de 30% de abstenção é duvidoso; mais de 50% é absurdo. 2) A lógica ‘tudo ou nada’, cujo maniqueísmo é também evidente em referendos como o Brexit: se um lado vence por pouca diferença, qual a justiça de ignorar completamente o outro lado? Isto não é futebol, onde só pode ganhar um. (sendo justo, o actual sistema parlamentar atenua isto – ganhar as eleições não chega, é preciso ter maioria). 3) A pior de todas: como pode tudo ser decidido à margem do cidadão? Que democracia dá apenas um cheque em branco? Dirá que é irrealista que o povo se informe e decida as coisas. É mais irrealista esperar que este sistema se reforme sozinho; que os políticos se vigiem a si mesmos; que admitam estar errados, ou que ajam em prejuízo próprio. É uma contradição dizer que é assim a natureza humana, que os políticos são pessoas como as outras, etc., e ao mesmo tempo fingir que agirão de forma diferente. Justamente por serem humanos e falíveis, não podem ter tanto poder. E o povo jamais poderá melhorar se não puder participar. A democracia 100% representativa retira-nos responsabilidade, agência, maturidade. Infantiliza-nos e torna-nos dependentes de um sistema que já não funciona.

    1. Estou de acordo, em geral, com todas as suas afirmações.Acrescento um factor que considero fundamental como origem da inadequação da organização política que se mantém: a crescente influência da tv, com a programação 24h/24h e o aumento exponencial do número de canais. Para o futuro, é obvio que não se pode esquecer a influência crescente que, também por cá, virá a ter a internet.Qualquer PM em Portugal detém um poder quase ilimitado. Simultaneamente, pode dizer-se que não há contrapoderes eficazes institucionais. ( Punhamos de parte a dissolução da AR, de questionável constitucionalidade, usada por Jorge Sampaio ). Dizem alguns especialistas europeus que se contava com a comunicação social para exercer esse « quarto poder ». A concentração dos media em poucos grandes grupos empresariais, entretanto ocorrida, veio contrariar essa expectativa e leva politólogos a sugerir que eles – os media – já são hoje o primeiro poder. Nesta perspectiva, pensar que alguma mudança no « status quo » possa ocorrer por estas bandas, não passa, realmente, de wishful thinking.Ou seja, estamos feitos!

    2. Filipe Bastos,se está a pensar nos referendos (vinculativos ou não) e em torná-los em algo comum como forma de permitir ao cidadão eleitor decidir os mais variados assuntos então não duvido que acabaria esta por ser muito pior solução do que a actual mesmo que o voto fosse um moderno voto electrónico e se definissem percentagens mínimas de votos a favor ou contra o que quer que se estivesse a referendar (mais de 50%, 3 quintos, 2 terços, etc.). No inicio podia até ser tudo muito bonito e com elevada participação mas passada a novidade e banalizados os referendos depressa a abstenção cresceria em flecha e os assuntos passariam a ser decididos pelos eleitores que maior motivação tivessem para votar, o que provavelmente constituiria a mais moderna ditadura das minorias.

      1. Isso é o que acontece em todas as democracias representativas: as pessoas vão-se desinteressando. Muito do desinteresse advém da certeza de que o voto não decide nem muda realmente nada, pois 1) todos os partidos (que podem ganhar) vão dar ao mesmo; 2) todas as decisões serão tomadas por eles. Referendos nacionais, regionais e locais mudariam isso. Ao sentirem que o seu voto conta, as pessoas só podem interessar-se mais. Ditadura da minoria? Quer mais ditadura da minoria que agora, em que uma dúzia decide por dez milhões?

        1. Podia apenas pedir-lhe que relesse o último parágrafo do meu comentário imediatamente acima mas burro como sou irei perder tempo na resposta. “Referendos nacionais, regionais e locais mudariam isso. Ao sentirem que o seu voto conta, as pessoas só podem interessar-se mais.” Espectáculo! Ou o Bastos não conhece a natureza humana ou (descendo ao seu nível) está em absoluto delírio! Mas vá lá, ao todo, quantos referendos seriam? Sim, quero quantidades. Entre todos esses referendos nacionais, regionais e locais, quantos seriam ao todo? Cinco, dez, vinte, trinta… por ano? Por mês? Ou por semana? Se calhar por dia! Eventualmente, haveria sequer algum assunto a decidir sem que algum deputado na Assembleia da Republica ou nas câmaras municipais começasse a exigir referendo? E então nas juntas de freguesia? Livra, vade retro! Para si, isto não seria banalizar o referendo? Não iria desmoralizar e desmotivar o eleitor? Já para não falar que constituiria um permanente adiar de decisões com potencial para bloquear o funcionamento das instituições! E mais, decisões que passariam a ser tomadas por quem pouco ou nada percebe do assunto! Mas, já agora, a nível nacional íamos referendar o quê? Os Orçamentos de Estado? Impossível uma boa decisão sem que todos os eleitores os lessem de fio a pavio! Uma autêntica impossibilidade para o comum cidadão! Claro que isso resolvia-se num ápice dando tolerância de ponto ao eleitor na véspera do referendo para que este tenha tempo de o ler e, claro, outra no próprio dia do referendo para que também tenha tempo de dar o seu contributo decisório. Sem esquecer ainda os necessários cursos superiores de Contabilidade, Economia e Gestão que teriam de ser dados a toda a população adulta fosse por telefone, carta ou Internet com a duração de dois dias para que o agora habilitado eleitor possa colocar a cruzinha na respectiva coluna do “Sim”, “Não”, “Talvez”, “Não Sei”, “Não Percebo Nada Desta Porcaria”! E a nível regional vamos referendar o quê? Se é melhor tapar os buracos de uma estrada perigosa ou se é melhor reparar a ETAR lá do sítio? Não havendo dinheiro para tudo há que decidir: qual será a reparação mais urgente? Simples, cada um trata do seu exclusivo interesse, os que usam a estrada votam pela estrada e os que vivem sob o cheiro da ETAR avariada votam pela ETAR. Problema resolvido e que se lixe a maior urgência. A plantação de milhares de árvores tão ao gosto de ambientalistas motivados ou o abate das que ameaçam a segurança dos transeuntes? Se calhar nem uma coisa nem outra que o dinheiro continua curto e as baratas infestam os sistemas de esgotos… mas estas não se vêem, estão lá escondidas nos tubos debaixo da terra… excepto quando decidem sair às centenas ou aos milhares por um escoadouro ameaçando a saúde pública mas aqui os afectados são apenas uns quantos moradores dessas ruas cuja quantidade, num referendo, não chegaria para decidir nem a compra de uma lata de insecticida para o combate à imensa praga que se alastra todos os Verões por 3 ou 4 concelhos vizinhos. E a nível local, juntas de freguesia e associações de moradores? Quer exemplos ou já viu o absurdo a que se chegaria? E ainda mais aqui nestes sacos de gatos com cada um a puxar a brasa à sua sardinha. Qualquer discordância nas assembleias? Vamos a referendo! E se os eleitores decidirem em referendo algo para o qual não há dinheiro? Ora, passa-se a referendar pedidos de empréstimos à Banca. Lógico, não é? Que lindo seria… surreal mesmo! É quase anedótico mas nem tudo isto se compara à anedota que é o Bastos a defender dar este tipo de poder de decisão aos eleitores, exactamente aqueles que passa a vida a insultar, rebaixar, enxovalhar e tudo o mais que lhe dê na gana! Hmmm… mas se calhar o que o Bastos quer mesmo é referendos nas empresas públicas ou para as empresas públicas! E, quem sabe, se não também nas malvadas empresas privadas mas aí coloca-se a questão: será que o Bastos aceitaria a realização de referendos na sua própria empresa? Deixaria o Bastos que fossem os seus trabalhadores a decidir o rumo da sua empresa? Logo trabalhadores que, enquanto eleitores, são a habitual “carneirada”, segundo as iluminadas palavras do Bastos!

          1. Finalmente questões concretas, anónimo. São questões válidas. É tudo isto que o cidadão comum pensa, se alguma vez pensa em democracia directa. É uma reacção normal a algo novo. O Irritado nunca lá chegou: o conceito faz-lhe tanta alergia que nem considera tais ‘practicalities’; rejeita-o logo. Então vamos lá. Quantos referendos? O que for razoável. Talvez um nacional por mês, um regional por quinzena, um local por semana. Mas parece encará-los com certa solenidade bacoca: pode nem ser referendo, mas uma mera consulta. Todos os dias, quando chego ao escritório, tenho uma lista de temas para rever e decidir. Uns maiores, analiso ao longo de semanas. Outros num dia ou dois. Outros decido na hora. É +- a mesma coisa. Adiar decisões? Na democracia semidirecta continua a haver poder político; é apenas mais controlado e subordinado à vontade popular. Na falta de decisão pública clara, esta pode passar para o político ou para uma ‘câmara alta’. Referendar o OE? Claro. Não linha a linha, mas as linhas e orientações gerais, as principais despesas e investimentos. O desafio é resumir os dados de tal forma que o cidadão comum entenda e vote dentro do que é viável. Isto traz outra vantagem: quando temos de explicar algo a alguém, vemos coisas que não víramos. O OE é uma manta de retalhos cheia de buracos e incongruências. Passando a ser tão público e esmiuçado, muito teria de mudar. Referendar buracos? Continua a haver técnicos, especialistas e prioridades. Nem tudo requer votos. Mas no seu exemplo, se a ETAR incomodasse 500 pessoas e a estrada 5000, é natural que a estrada fosse arranjada primeiro. Finalmente, quanto à incapacidade dos eleitores: ninguém aqui tem ilusões. Começámos por dizer que temos de melhorar como povo, de ser mais informados, sobretudo mais interessados. Não vamos mudar do dia para a noite, daí a democracia semidirecta, uma evolução controlada. Falta criar todas as regras que apoiem essa evolução. Precisamos de regras para as questões acima, e de uma Constituição que proteja direitos fundamentais. Ainda assim, decidindo bem ou mal, são as pessoas que pagam as decisões. São elas que devem tomá-las. Só assim podem aprender com os erros, interessar-se mais, crescer e fazer melhor. Não há outra maneira. “Será que o Bastos aceitaria a realização de referendos na sua própria empresa?” Claro que sim. Não se chamam referendos, mas as pessoas participam nas decisões. Porque não haviam de participar, se são elas que fazem o trabalho, e se são co-responsáveis pelo sucesso ou insucesso da empresa?

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