IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


A QUEDA DE UM ANJO

Há não sei quantos anos, muitos, surgiu neste jardim uma senhora, de origem russo-angolana, casada com um congolês-ou-coisa-que-o-valha, cheia de dinheiro. A talentosa cidadã, perante o deslumbramento geral, desatou a comprar tudo o que lhe apeteceu, sendo objecto de loas e subserviências de vária ordem, julga-se que bem pagas. Tudo bem. Num sítio onde o dinheiro há décadas não abunda, a senhora conquistou corações, bolsos, personalidades, até uma certa área do “social” da nossa praça se curvou, maravilhada, perante tal cidadã estrangeirificada pelos ventos da História. E, assim, tornou-se louvada proprietária, ou societária “de referência” de inúmeros bens, bancos, refinarias, fábricas, etc., um nunca acabar.

Certo é que havia, há sempre, alguns desconfiados profissionais que tinham dúvidas sobre a origem dos dinheiros que a senhora generosamente distribuía por aí. Dizia tal gente que a massa provinha de manigâncias com dinheiros públicos de Angola, dirigida esta pelo papá da criatura. Mas tais aleivosias, como é natural, não colavam. Se até as grandes revistas internacionais a classificavam com altas notas, era a mulher mais rica de África, o marido era um distinto coleccionador da arte, tudo uma maravilha, que dizer?

Eis senão quando quando, lá pelas áfricas, as coisas mudaram, o papá foi substituído por outro, tão poderoso quanto ele, que resolveu pôr em dúvida a legitimidade original dos dinheiros que, por cá, eram exibidos. Tal como o papá, o novo soba domina a procuradoria da república local, só que para o efeito contrário ao do anterior, o que muito contribui para a credibilidade do sistema. Uma chatice.

No nosso jardim, multiplicaram-se as más línguas, surgidas como cogumelos entre muitos dos seus antigos admiradores. Gente do calibre da dona Gomes desatou aos gritos, jornais que eram servis passaram a críticos. Tudo mudou, como por encanto. A senhora, indignada, recorre à Justiça, andam a caluniá-la, ela, coitada, que a partir de pequenos negócios, mais que legítimos, construiu um império. Que despautério!

E agora? Ela é dona e senhora de inúmeros bens que comprou e pagou. Não há quem se queixe de “imparidades”. Que fazer? Se o homem forte lá do sítio começar a dizer que os bens dela são dele, que fazer?

O IRRITADO não tem opinião, como acima se lê. Mas algo lhe diz que esta guerra, de uma forma ou de outra, nos vai cair em cima.

 

3.1.20



2 respostas a “A QUEDA DE UM ANJO”

  1. O Irritado não tem opinião? Apesar da sua vaga ironia acima, acho que tem opinião. Nada que eu lhe diga sobre a mega-mamona Isabel dos Santos, o seu papá cleptocrata e toda a máfia angolana lhe trará a menor novidade. Como pessoa de bem, sabe o que pensar destes mafiosos, das fortunas obscenas que saquearam a povos inteiros, e da vassalagem sabuja e abjecta que os nossos políticos, banqueiros, empresários e jornalistas lhes prestaram. Sabe tudo isto; apenas não o diz com todas as letras. Porquê? Creio que por dois motivos. O primeiro é, vá lá, compreensível: ao expor-se no blog, expõe-se também a processos e chatices. E se há coisa que os mafiosos fazem é proteger o seu “bom nome”. Sobretudo quando jamais foi bom. O outro motivo é mais lamentável que compreensível. O Irritado também presta vassalagem ao capital; quanto mais capital maior o respeitinho e a vénia. E como toda a direita, jamais questiona a origem do capital ou a sua integridade. Seria indelicado. Os ricos, desde que muito ricos, são sagrados. São vacas sagradas. Até os piores mafiosos de África. Há também em si, de conversas anteriores, uma certa tolerância à corrupção. Parece encará-la como uma espécie de lubrificante das sociedades. Não sendo ideal, o facto é que existe e vai funcionando. Há coisas piores… não é assim?

  2. Que tal assim, Irritado. Num mundo só minimamente decente, ninguém teria milhares de milhões. Nem centenas de milhões. Ninguém. Muito menos a mafiosa Isabel. Se houvesse um grama de decência, um só, a vaca estaria hoje presa e arrestada até às cuecas, a explicar numa cela, frente a uma câmara em ‘streaming’ para a TV angolana, cada cêntimo que mamou. Os pulhíticos e jornalistas que lhe lamberam o rabo estariam nas celas ao lado; bastava umas semanas a partir pedra e a comer excrementos, a ver se – quem sabe se por milagre – ganhavam vergonha no focinho. Os banqueiros e empresários que mamaram no regime, esses eram bem investigados. Há milhões e milhões a arrestar. Mas não há um grama de decência. Vivemos num mundo primitivo, cínico e hipócrita, onde 90% da Humanidade viverá e morrerá pobre ou miserável, enquanto uma dúzia de mamões acumula fortunas obscenas. Tudo isto é aceite. Tudo isto é ‘legal’! Até que uma vaca mamona venha cá comprar meio país, após saquear o país dela. Sabe porquê, Irritado? Muito graças a atitudes como essa. Esse encolher de ombros.

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