Entre dois mergulhos, uns copos de vinho e três sessões de beijocas, o senhor de Belém (e da ilha do Corvo) foi vestir uma fatiota para tapar as maminhas, engravatou-se, e proferiu douta mensagem de ano novo, largamente difundida pelos nacionais media.
Em tal mensagem dedicou-se a repetir os mantras da ordem, ou seja, as directivas políticas, sociais e climáticas do governo, das esquerdófilas e do partido socialista, assim negando as tendências do seu tempo de político engagé, de feroz jornalista e de comentador teleinfluente.
Todos os partidos políticos reagiram de imediato, não aos mergulhos, antigamente tão criticados, não aos copos, presidencial prática, nem às beijocas, que caraceterizam o mandato e a que já ninguém liga. Vieram todos dizer coisas, como a prima do Solnado, que gostava muito de as dizer e ficou célebrte quando proferiu a básica e erudita frase “que”. Os partidos acharam, e bem, que era preciso era “reagir”: diz-se uns inconsequentes “ques”, mas ganha-se uns minutos de televisão, que é o que importa. A democracia tem disto.
Todos os partidos? Não! Um houve que não chegou a entrar na jogada, nem mudo, nem calado: o PSD. O senhor Rio deve ter achado que, entre seguir os ditames da sua inegável tendência para apoiar o satus quo e ficar calado, era preferível a segunda. Aqui temos um ponto positivo a seu favor, isto é, parece que percebeu que a opinião pública está farta de seguidismos, e não teve coragem para repetir o apoio ao que está a dar. Mesmo com sacrifício dos minutos de antena, ficou calado. Registo.
Isto, no fundo, representa o que o homem é: um tipo que sabe que atingiu a fronteira do princípio de Peter, mas tem vergonha de o dizer. A ver vamos se os reduzidíssimos eleitores do PSD estão a pau com esta triste realidade.
2.1.20

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