IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


CATALEXIT

 

Diz-se que De Gaule opinou um dia que le Portugal est une Catalogne qui a réussi. Diz-se também que foi no 1º de Dezembro que Portugal correu com os castelhanos. Mentira. Andámos 30 anos em guerra para os fazer desistir.

Vai para 400 anos que a Catalunha não “réussiu”. Há quarenta que os catalães, por larga maioria, aceitaram, em referendo, ser uma “aaunomia” no reino espanhol. E, no entanto, agora, há muitos espanhóis da Catalunha que resolverem trair a palavra dada, e querem reverter a História, reacendendo uma questão enterrada há séculos. Não elaborarei sobre a questão, a não ser num ponto: o da nacionalidade.

Todos os catalães são espanhóis. Um grupo, maioritário ou não (tudo indica que não) quer deixar de o ser; se este grupo ganhar, o que acontece aos outros? Passam a apátridas? São obrigados a mudar de nacionalidade? Podem recusar-se a isso? Passam a ter duas? Deixam de ser, como os catalães, cidadãos da UE? Passam a estrangeiros na sua terra? Se insistirem vão para a cadeia?

E como se determina quem é catalão? Têm algum ADN especial? Arranja-se um esquema de tipo nazi para determinar os “puros”? Haverá algum “sangue” catalão? E os que só falam castelhano serão obrigados a deixar de o falar, a favor de uma língua (chamêmos-lhe assim) que não serve para nada, que ninguém mais fala, que não passa de uma caturrice, eventualmente respeitável mas que não passa disso mesmo, caturrice?

Haverá algum separatista que queira responder a estas perguntas? Julgo que não.

Eis a questão.

 

17.10.19



5 respostas a “CATALEXIT”

  1. São boas perguntas. Claro que, tirando alguns casos mais fanáticos, a principal motivação é a de sempre: dinheiro. A Catalunha é a região mais rica de Espanha. A língua, a cultura, a identidade catalã, tudo isso é muito bonito, mas o que a malta quer mesmo, tal como os adeptos tugas da regionalização, é ter toda a massa (e todos os tachos) por sua conta. Sobre o referendo. Em 1979 os catalães apenas puderam escolher se queriam ter um estatuto autónomo… ou não. A independência nunca esteve na mesa. Só 59% votaram, menos de 2/3 dos eleitores, e 92% deles votaram Sim. Trair a palavra seria dizer que afinal não querem a autonomia. No caso, o que estão a dizer é que querem mais, querem aquilo que não lhes foi dado a escolher. Está a ver a importância do que se pergunta no referendo, das suas regras? Depois temos o tempo. Passaram 40 anos desde o referendo. Ainda que ‘traíssem a palavra dada’, seria isso trair? Quem pensa tudo igual 40 anos depois? Seremos a mesma pessoa? E tudo o que mudou na Espanha, na Europa, no mundo? E os milhões de pessoas que nem era nascidas em 1979, ou que eram muito novas para votar? Em 1975, a Inglaterra referendou a permanência na UE (então Comunidade Europeia). Ganhou o Sim. Em 2016, ganhou o Não. Terão traído a palavra dada? Afinal quanto tempo dura essa palavra? Cem anos? Mil? Para sempre? Para distribuir tacho, poleiro e mama, podemos mudar de ideias de 4 em 4 anos. Porque é que nos referendos nem em 40?

    1. Sr. Filipe, comentário excelente. p.s., para manter a excelência, não volte a colocar “bregeirices” nos ccomentários que fará.

  2. Muito bem visto.O resto é estar a brincar.A Catalunha nem nunca chegou a ser um reino. Ao longo dos tempos foi um Condado e até ligado, isso sim, ao Reino de Aragão.

  3. E há ainda outra questão que não será pouco importante. Eles acham que, além de serem mais ricos, ainda trabalham para os outros espanhóis. Mas será que separados dos outros vão continuar a sê-lo? Quando o Quebec quis ser livre, Montreal começou a definhar e Toronto a captar o pilim. Há por aí quem diga que a China vai começar a criar facilidades em Cantão para atrair grandes empresas. Será que as empresas vão continuar em Hong Kong ou vão preferir um lugar mais ranquilo? Barcelona foi a porta do reino de Aragão para o Mediterrâneo e Condado de Nápoles. O poder tem destas coisas. É tão simples como contar. E para se saber contar é assim: 9 mais 1 é igual a 1, noventa e nove mais um é igual a 1, etc e cada novo 1 que aparece tem mais poder que todos os outros que o antecedem separados.

    1. Carradas de razão. A estupidez, quando passa a colectiva, é quase inelutável.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *