IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


UMA FARTURA

Nada menos que dezoito é o número de câmaras municipais – parece que onze do PSD e sete do PS – que estão à pega devido a um esquema qualquer aplicado ao aluguer de camionetas. A polícia não faz a coisa por menos. Tudo ao molho, uma fartura.

Parece que há uns piores que outros. São cinco, um do PSD, os outros não sei. Para o comum dos mortais, segundo as informações disponíveis, deve tratar-se de um bando de mafiosos que se apoderaram do chamado poder local para se encher de dinheiro. Faziam compras sem concurso (“procedimento concursal”, em novilíngua), tudo à pala de ajustes directos, somando já uma data de milhões, só nos últimos dez anos. Ainda ninguém fez as contas de quanto isso representa ao ano, nem dividiu o resultado por dezoito, o que deixa no ar uma série de dúvidas. A lista dos crimes é vasta, ainda que falte acrescentar os de violência doméstca, tráfico de drogas e outros da moda.

Uma coisa há que me põe de sobreaviso sobre a verdadeira natureza desta história. Os mesmos jornais que sublinham os montantes vezes sem conta, dando ideia de uma monstruosa trafulhice, dizem em letra miudinha que a empresa privilegiada pelos suspeitos “esmagava os preços da concorrência”.  Parece que os autarcas em causa são suspeitos de escolher o preço mais barato sem prejuízo do bom serviço.

Onde estará a verdade no meio disto tudo?

 

14.6.19



6 respostas a “UMA FARTURA”

  1. Li sobre o caso apenas por alto, mas percebo o cepticismo: mete câmaras laranja. Se fossem todas xuxas, o Irritado não duvidaria por um segundo. Ainda assim, aplauda-se a referência ao PSD. Noutros tempos diria algo do tipo “câmaras de vários partidos”, e depois malhava apenas nas xuxas. Duas notas. Nenhum bando de mafiosos se apoderou do poder local. O poder local é um bando de mafiosos. Se investigassem a sério as câmaras, juntas, autarcas, vereadores e assessores, talvez 10% não fossem de cana. Sim, sou um optimista. Quanto ao esmagamento da concorrência, leva a pensar que isto terá sido uma denúncia dos concorrentes preteridos, e que tais preços só eram possíveis porque os serviços não eram realmente prestados, ou outra aldrabice.

    1. Ao contrário do que pensa, não “safo os PPDÊS por ser PPDÊS. Olhe o Rio, por exemplo, ainda que, no caso, são críticas políticas,, não de corrupção. Em matéria de suspeitas de corrupção, só ataco, ou acuso, seja quem for se já ninguém tiver dúvidas. Facto é, que nesse campeonato, em que o PS tem muito mais vitórias…

    2. Avatar de outro anónimo
      outro anónimo

      O Bastos leu “sobre o caso apenas por alto”, não faz mal que o “por alto” seja sempre insuficiente para se formar qualquer tipo de opinião válida seja sobre que assunto for já que o que interessa mesmo é o haver mais uma oportunidade de dar asas à imaginação, engendrar teorias e destilar a sua habitual má vontade contra tudo e todos. Outros veriam no texto do Irritado uma dica sobre o assunto e optariam por investigar mais, saber da sua veracidade por outros meios e ver o que mais se poderá estar a passar mas o Bastos não, ao Bastos basta-lhe o nada que sabe sobre o assunto. Espectáculo! Um pouco de prudência e reflexão fica-nos sempre bem.

      1. Tem razão, convém sempre saber do que se fala. Em condições normais, teria feito uma pesquisa na imprensa nacional e estrangeira, analisado cada pista e cada interveniente, e elaborado um relatório. Depois teria ido investigar in situ a Transdev, em Famalicão, as câmaras de Almeida, Armamar, Braga, Fundão, Guarda, Oleiros, Pinhel, Sertã e Tarouca (PSD), e as de Belmonte, Barcelos, Cinfães, Lamego, Oliveira de Azeméis, Moimenta da Beira e Soure (PS), analisado os documentos do processo, e ‘hackado’ os computadores das câmaras e dos funcionários. De posse desta informação, poderia confrontá-la com escutas aos suspeitos, respectivos associados e familiares directos, e com o histórico dos seus operadores móveis, além dos seus ISP, para chegar a uma opinião válida. Isto em condições normais. Infelizmente, tinha umas visitas lá em casa e não houve tempo. Por isso engendrei as velhas teorias da pulhítica, dos corruptos, das almoçaradas e negociatas, do vamos-aproveitar-quisto-é-tudo-nosso, do são-todos-a-mesma-trampa, dos 40-anos-de-bandalheira-impune, enfim, dei asas à imaginação. Esta má vontade, esta negatividade constante, contrasta com a prudente reflexão do anónimo: este caso pode ser inocente; o poder local não é um bando de mafiosos em conluio com trafulhas, empreiteiros e sucateiros; Portugal não está a saque por uma classe de pulhas impunes. Não podemos generalizar. Sobretudo não devemos ser indelicados. É de mau tom chamar bois aos bois; é feio sequer mencionar os bois. Sejamos amenos, discretos, timoratos. Obrigado pela chamada de atenção. Vou ter mais cuidado.

        1. Gosto deste comentário pela fina ironia.

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