Ao longo das últimas décadas temos assistido a uma luta sem tréguas contra o tabaco. Não sei se com razão ou sem ela, a humanidade inteira encarniça-se contra o produto, acusado de assassínios em massa, de poluição do ambiente e dos mais repenicados males.
Entre nós, os mais encarniçados são os esquerparvos, por exemplo os do BE e do PAN, o que é natural e, podemos convir, não lhes ficará mal. Mas, nisto de coerência, fia mais fino. É que esta malta, ao mesmo tempo que passa os dias a chatear quem fuma, arranjou mais uma “causa fracturante”: a defesa do chamado “canábis recreativo”, talvez implicitamente dedicado à hora do recreio nas escolas.
Dizem vários entendidos, talvez com razão, que o produto pode ser útil para diversos fins medicinais (como aliás, a morfina e outras drogas). Aceite-se. Mas a intenção dos “progessistas” nada tem a ver com medicina: abrir uma caixinha de Pandora – outras drogas se seguirão – muito do seu prosélito agrado. O que, na verdade, os move, é a “recreação”, o lado terapêutico é só um pretexto para o que a seguir virá. Deve ficar muito bem, nas reuniões do BE, ver a dona Catarina a enrolar a sua passa e os camaradas de várias tendências a encher os ares com eflúvios da recreacional actividade, certamente muito estimulante para os respectivos ideais político-éticos.
Parece que a coisa vai ser chumbada no parlamento. Ao chumbo, seguir-se-á uma solene declaração do BE: “voltaremos ao assunto na próxima legislatura”. É assim. Se não fazem o mal à primeira, fá-lo-ão à segunda, ou às que foram precisas.
Uns democratas.
17.1.19

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