IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ZANGAS

Anda tudo à bordoada.

O ministro da agricultura, um imbecil (quem ainda não deu por isso?) diz asneiras e graçolas. O primeiro-ministro não se importa e chega ao ponto de pôr as culpas ao ofendido.

A ministra de educação leva pancada de meia-noite dos professores (professores?). A ex-secretária de estado da educação, horribile visu!, uma fulana que se queixava dos paginadores dos jornais que a deixavam fora da fotografia, desanca a ministra com os mais vis epítetos.

O procurador geral está zangado com os polícias. Os polícias odeiam o procurador geral. O chefe da polícia também. O ministro assobia para o ar. Os sindicatos dos magistrados estão cronicamente zangados com o governo. Os dos polícias também. Os advogados, zangadíssimos, processam-se uns aos outros.

A ponte, que tinha um sítio escolhido deixou de o ter e passou a três pontes e um túnel, não se sabendo ao certo, neste caso, quem se zangou com quem, ou se as pontes e o túnel são para comboios ou para automóveis, ou para o ex-PR Sampaio fazer maratonas, lado a lado com o afilhado Pinto de Sousa.

O senhor Pacheco Pereira está permanentemente zangado, desancando na família como um desvairado. Um dia destes começa a deitar fumo pelos ouvidos. Outros o seguem, em grande alarde de fervor partidário. O clínico Meneses zanga-se com os pactos. Os parceiros dos pactos desatam à martelada na cabeça do clínico.

O senhor Alegre zanga-se por achar que há falta de esquerdismo. O senhor Pinto de Sousa, zangado, gostava de limpar o sarampo ao senhor Alegre, mas tem medo de ficar mal na fotografia.

Os arquitectos estão zangados com o primeiro-ministro, sem qualquer dúvida culpado dos mais desbragados pontapés na paisagem, no urbanismo e num mínimo de bom gosto.

Um tipo que levou um enxerto de bordoada sem saber porquê (ou sabendo?) viu o processo arquivado. A malta zanga-se com os juízes que fazem destas e começa a pensar que a cambada de assassinos que para aí anda à solta vai ver os crimes prescritos.

O senhor Valentim está zangado com a morgadinha dos processos, e ela com toda a gente.

O senhor Isaltino zangou-se com o juiz, e até lhe aplicou a receita do costume por causa de um bidé fora do sítio.

O camarada Jerónimo está, cartilha oblige, irreversivelmente zangado com o senhor Pinto de Sousa.

O camarada Loiça está perdido de fúria, de tal forma que até acha que o senhor Pinto de Sousa é liberal!

Os tipos da Madeira deram um porradão ao ministro das finanças. O ministro das finanças, para se vingar, diz que vai meter sessenta e tal mil contribuintes na cadeia.

Os jornais, ainda que já tenham percebido que o casino de Lisboa foi o melhor negócio que o Estado fez nos últimos cento e cinquenta anos, continuam a encher papel com a história. Têm que se zangar com alguém. Uma questão de marketing.

Os desempregados estão zangados com o governo, ou seja, ainda não perceberam que o que o governo só tem a ver com emprego (não foi isso o que prometeu?), não lhe dizendo respeito essa estúpida história do desemprego. Burros.

Os tipos do taco zangam-se uns com os outros e põem-se a lavar roupa suja no meio da rua. Depois abaixam-se, e lá vem o governo dar uma ajudinha. Com esses é melhor não se zangar. Se o taco começa a fugir (ainda não começou?) é o fim da macacada.

 

Enfim, estejam descansados. O senhor Pinto de Sousa, extremoso pai do socretinismo, vela sobre nós.   

 

António Borges de Carvalho


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