IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


CULPAS

Esta coisa – Portugal – tem várias vantagens comparativas em relação à demais “Europa”. Não, não estou a falar do sol, nem da luz de Lisboa, nem dos brandos costumes. O que sublinho, desta vez, é a extraordinária capacidade dos portugueses para identificar com precisão quem não está na origem dos seus males.

Assim:

– Se a Justiça anda de rastos, é evidente que a culpa não é dos juízes, nem dos procuradores, nem dos funcionários, nem dos advogados; andam todos preocupadíssimos com assuntos mais relevantes;

– Se cada vez há mais assaltos e mais assassínios, é evidente que a culpa não é dos polícias, que andam a passear de automóvel em vez de fazer rondas;

– Se a educação não presta, é evidente que a culpa não é dos professores, que mal têm tempo, coitados, para fazer manifestações:

– Se a saúde dá raia, é evidente que a culpa não é dos médicos, nem dos enfermeiros, nem das empregadas da limpeza, todos eles demasiado ocupados com a defesa das respectivas carreiras;

– Se as pontes caem, é evidente que a culpa não é dos engenheiros (engenheiros?);

– Se ninguém sabe se se deve, ou não, reconhecer o Kosovo, é evidente que a culpa não é do governo, que se está nas tintas para o assunto;

– Se as ruas estão sujas, é evidente que a culpa não é dos almeidas, que têm uma vida muito dura;

– Se as sarjetas estão entupidas, é evidente que a culpa não é da câmara, que é um conjunto de celebridades, não uma equipa de desentupidores de sarjetas;

– Se não há investigação científica, é evidente que a culpa não é dos investigadores, que até queriam, mas…

– Se os impostos aumentam todos os dias, a culpa não é do governo que, coitado, mais não faz que obter meios para pagar as despesas que o povo ignaro lhe arranja.

 

A culpa disto tudo, garanto, também não é do Irritado, que não tem culpa nenhuma de ser português.

 

E, embora alguns ignaros digam o contrário, a culpa não pode ser do senhor Pinto de Sousa, coitado, que só quer o nosso bem. Não é?

 

António Borges de Carvalho

 

 


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