É triste ter de voltar à monumental trapalhada, ou trapalhice, da história de Tancos. Mas, ouvido o que ouvi, ontem, na RTP, não tenho outro remédio.
Duas coisas a sublinhar: a condenação sumária de uns e a absolvição sumária de outros.
Começando pelos absolvidos, hemos de convir que esses, os principais responsáveis, estão (continuam) acima de qualquer responsabilização. O primeiro é o chefe da Polícia Judiciária Militar, não o coronel que está preso mas o chefe propriamente dito, isto é, o chamado ministro da Defesa, cujo brilhante currículo envergonharia o mais desavergonhado. Se o responsável é este pacóvio, porque há-de ser ignorado nas críticas dos críticos? E o chefe dele, o condotieri do chamado governo? Esse sacode, como sempre, a água do capote, sendo que tem transformado o Estado num mar de incompetência, de oportunismo e de propaganda desonesta? Também fica de fora? E o senhor de Belém, seu relapso apoiante, não dá por nada?
Dos condenados pelos críticos, há que dizer que têm alguma, ou muita, razão, quando dizem que fizeram o que a segurança do país mais precisava: a colocação a salvo das armas roubadas. Terão ultrapassado o que seria tolerável, mas o resultado final foi positivo. A PJ, jugo que sem culpa própria, não descobriu coisa nenhuma, não recuprou arma nenhuma. Terão aqueles “perdoado” ao gatuno? Parece que sim. Um caso de delação premiada, coisa que o Estado e a Justiça já praticam, como no caso do Bataglia, lembram-se? Onde está o nefando crime destes militares? Ilegalidade, com certeza, crime, onde?
Não é sem consequências que o governo e o senhor de Belém aguentam sem uma palavra os generais que mentiram – por exemplo no caso das munições “obsoletas” – e que se escondem por aí sem uma palavra. Um deles chegou ao ponto de demitir um comandante porque o homem elogiou um dos grandes heróis fundadores da democracia. E lá continua, com o apoio implícito de PR e PM. As consequências estão à vista de toda a gente. Como nos incêndios, a responsabilidade morre viúva.
Querem que a tropa, ofendida e menosprezada pelo governo e por inaceitáveis chefes, esteja bem organizada, cumpridora, silenciosa e obediente, ou que dê sinais de incómodo perante a palhaçada que a comanda? Isto, enquanto os seus, e nossos, mais altos responsáveis continuam irresponsáveis e irresponsabilzados?
Foi o que vi ontem na RTP.
Aqui ficam os meus respeitos ao coronel prisioneiro.
2.10.18

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