Desde tempos imemoriais que se anda para aí a clamar pela chamada regionalização. Um artista qualquer conseguiu meter a coisa na Constituição. Algum rasgo de bom senso, porém, veio em socorro do país. Em inequívoco referendo os portugueses manifestaram-se claramente contra tal atentado. Pensar-se-ia que o assunto estava arrumado de uma vez por todas. A regionalização corresponderia, como é óbvio, à multiplicação da classe política por n, com novas hordas de presidentes, vice-presidentes, deputados regionais, etc., mais dinheiro deitado à rua, mais lutas intestinas, inúteis e caras, mais campo de corridas para a corrupção, mais influência espanhola, um nunca acabar de eleições… enfim, a coisa foi a seu tempo denunciada, os eleitores responderam com clareza.
Agora temos a chamada “descentralização”. Ninguém ainda percebeu com um mínimo de clareza o que será tal coisa. O que se sabe é que um dos antigos profetas da regionalização, o Dr. Rio, está de acordo com o Costa para andar com a história por diante. Tudo o resto é fogo de vista, bla bla bla, dando a impressão ou a convicção de que os donos da iniciativa não têm a mínima noção do que fazer, de quanto vai custar ou de quais serão as consequências da transferência de competências, quer dizer, de dinheiro, e de pelouros, quer dizer, de dinheiro. A confusão está instalada. Parece que a extrema esquerda não vai na conversa, o que é natural. Pense-se no trabalhão que seria para a CGTP, quer dizer, para o PC: andar por aí a fazer greves municipais, a ver os seu agentes cheios de “bairrismo”, os regimentos tranformados em pelotões. O BE como é sabido, a nível concelhio não vale meio tostão furado, nada tem a ver com o “interior” ou com as “classes trabalhadoras”, a não ser para efeito das suas gigajogas parlamentares ultra burguesas; é uma questão de “género”.
Quer isto dizer que a única maneira de fazer passar seja o que for será com a cumplicidade do PSD, ou seja, do Rio. Parece garantido, não parece? Na opinião deste líder, será um passo a caminho da sua bem-amada regionalização.
A ver vamos o que se vai passar. Se querem um prognóstico, direi que nada se passará. Como dinheiro se está a acabar, o Centeno mete umas contas no assunto, e vai tudo por água abaixo.
6.7.18

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