IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


EROS E TANATOS

 

A pedido de várias pessoas, cumpre que me pronuncie sobre a eutanásia, nova coqueluche das esquerdoidas  e de várias personalidades e organizações. O assunto é sério demais para ser tratado por aquela gente, ou com os argumentos daquela gente.

Se me perguntarem se estou contra ou a favor da eutanásia, não saberei responder em definitivo. Olhando para os farrapos humanos que, infelizmente, tenho tido bem próximo, tenderei a dizer que estou a favor. Não é fácil olhar os nossos (ou outros) e vê-los reduzidos a restos, sem memória, sem movimentos, pior que vegetais, mortos vivos. E não é difícil pensar que a morte propriamente dita é, ai de mim, um bem.

Para além destes sentimentos, que podem ser nobres, mas são fáceis e imediatos, há vários problemas, humanos e civilizacionais.

Dos primeiros (humanos), sobreleva o que nos diz que ninguém sabe de ciência certa a verdadeira vontade do doente. Ninguém sabe se, no fundo da (in)consciência de quem vegeta, não está, ainda, alguma vontade de viver. Mesmo aqueles que terão, no seu perfeito juízo, determinado um dia que, verificadas certas circunstâncias, preferam morrer. Ou que os matem.

Dos segundos (civilizacionais), direi que vivemos em sociedades onde o direito de matar não existe. Podem os atingidos pela desgraça ter manifestado a vontade de morrer em certas circunstâncias, mas, verificadas elas e partindo do princípio que não modificaram a opinião expressa em perfeito juízo, terão o “direito de morrer com dignidade”, como se propagandeia?

Mas terão os outros o direito de os matar?

A questão da eutanásia tem mais a ver com o direito de matar que com o de morrer, com dignidade ou sem ela. O direito de matar, repito, não existe. Há excepções, mas sempre motivadas por excepcionalidades, passe a redundância, como a guerra ou a legítima defesa. Mas não parece civilizacionalmente aceitável que haja que mate o seu semelhante conscientemente e sem ser em presença de provocação que o justifique. Nem a pedido do próprio, ainda por cima expresso em circunstâncias que já não se verificam.

É isso a eutanásia: dar a terceiros, em plena consciência e sem provocação, o direito de matar o seu semelhante, com base em factos que se situam no terreno do incerto, do inverificável, do desconhecido.

 

Resta voltar ao princípio. O BE costuma pensar com o pélvis. As suas iniciativas têm a ver com questões sexuais nas suas mais variegadas versões. Querem “chocar” a sociedade, as mais das vezes inventando ou alegando histórias que alegam ter a ver com “direitos”. O que interessa é vir nos jornais, fazer tonitruantes declarações, alegar taradices, excepcionalidades e defeitos físicos de vária ordem e transformando tudo em excelsas qualidades. É a face Eros do BE& Cª.

Quase esgotada esta (não se sabe se farão mais descobetas…), dedicam-se agora a Tanatos. Desde que seja propagandisticamente válido, chocante ou desestabilizador, é válido. Iludam-se os que pensam que esta gente está preocupada com as pessoas. O que a move é a publicidade.

 

12.5.18



13 respostas a “EROS E TANATOS”

  1. Avatar de cidadão urbano
    cidadão urbano

    Nunca se morre com ou sem dignidade, vive-se com ou sem dignidade! A dignidade é algo que se tem (ou não se tem) ao logo de todo o percurso de vida. Morte é morte, é o fim da possibilidade de dignidade.

  2. A eutanásia não dá a terceiros, em plena consciência e sem provocação, o direito de matar o seu semelhante. Na verdade dá o DEVER, em plena consciência, de cumprir com o direito exercido pelo seu semelhante. Se o sr antónio não quer a morte assistida, é um direito seu. Agora, não tem o direito de me negar que eu o possa exercer. Deixe-me essa possibilidade para mim próprio.É tão simples, como isso.

    1. O problema é o de negar tal direito a quem quer morrer. É dar a outrem o direito de matar. Além disso, eutanásia e morte assistida são coisas diferentes, discussão que nos levaria mais longe. Não creio que valha a pena, sr. xxi.

    2. Errata. Na primera drase falta um “não”.

      1. tem razão, sr antónio. Não vale a pena discutir … consigo. O esforço é inglório.

    3. Avatar de cidadão urbano
      cidadão urbano

      Ou seja, caro “Anónimo” das 15:57, para si a eutanásia dá o dever de matar outro ser humano e a desculpa desse seu “dever de matar” é o de alguém ter dito, no auge da sua vida (possivelmente quando era jovem) ou ainda não demasiado longe desse auge, que não quer ficar igual a uma outra pessoa eventualmente velha que tenha visto ficar gravemente doente e dependente de terceiros… Ora, haja paciência! Para começar, quem no auge da sua vida quer ser velho? Ninguém, aliás ninguém sequer pensa em ser velho ou frágil. E além de velho quem no auge da sua vida quer ser velho e ainda/ou doente e dependente de terceiros para tudo? Absolutamente ninguém e, no entanto, estamos todos indubitavelmente a caminho de ser velhos e com razoável probabilidade de ficarmos doentes e dependentes de terceiros como se comprova com o aumento da esperança de vida e consequente aumento da senilidade incluindo demências! Isto se, pelo caminho, não tivermos um grande azar que nos deixe doentes e dependentes muito antes de ficarmos senis. Com muita sorte apenas não ficaremos dependentes para tudo. Não nos julgamos, afinal, todos eternos quando somos jovens? Não passamos, afinal, todos por uma cada vez mais longa fase inconsequente em que apenas vivemos para o presente sem pensar no futuro? Ou que o futuro está tão longe, cada vez mais longe, que nem se pensa nisso? Ou se se pensa não se vai além de serem ditas umas frases feitas do estilo “Eu não quero ficar assim.” ou “Nããã, eu nunca ficarei assim.” sem se pensar realmente e a fundo no assunto? Caro “Anónimo” das 15:57, que raio de sociedade é que você quer que não apenas dá o direito como ainda considera ser um dever o matar dos mais frágeis só porque estes em tempos pensaram no assunto para si mesmos? E sendo dever… como é depois? Também haverá lugar a multa ou outras sanções ou penalizações para quem se recusar a cumprir esse suposto dever, essa suposta obrigação social sobre alguém fragilizado? Nunca ouviu alguém dizer que mudou de ideias sobre algo? Pois, e se alguém mudar de ideias e não tiver tempo ou oportunidade de expressar oficialmente essa mudança de ideias antes que o azar lhe bata à porta? Azar, não é? Ou duplo azar pois não só o azar já lhe bateu à porta como o que antes decidiu está decidido e já não haverá volta a dar. Destino traçado! Destino traçado contra a nova vontade ainda por declarar oficialmente! E falando em destinos traçados, o caro “Anónimo” das 15:57 já fez o seu testamento vital? Se alguém se vê numa situação de fragilidade possivelmente uma das razões é a sociedade já ter falhado com essa pessoa! Agora, em vez de se investigarem as causas desses falhanços (que na verdade muitas são já bem conhecidas) e de se tratar de as erradicar vamos pelo caminho mais fácil e também o pior deles todos que é, além de tudo o mais, incutir nos mais frágeis a sensação de culpa por ainda viverem? A sensação de serem um empecilho para a sociedade e acima de tudo para os seus familiares? Não. Se depender de mim, nem pensar! Com mentalidades como a sua e numa sociedade como a que pretende o que teria sido, por exemplo, de Stephen Hawking? Teria encontrado o seu destino final há 50 anos. Ou que tremenda sorte teve o miúdo de notícias recentes diagnosticado com morte cerebral por ter acordado um dia antes de lhe desligarem as máquinas! Se o “Anónimo” das 15:57 quer para si próprio “o direito da morte assistida” considerando ainda que ninguém tem o direito de lhe negar o seu exercício julgar-se-ia que isso seria algo apenas seu e só seu mas nem isso é assim tão simples como diz pois se é assistida obriga à intervenção de terceiros para que consiga cumprir aquilo a que diz ser um direito seu. Pois então, que direito tem o “Anónimo” das 15:57 de impor a terceiros (sejam eles amigos, familiares, médicos, enfermeiros ou o vizinho do lado) o cumprimento de uma vontade sua desta natureza? Que direito tem de impor a terceiros um acto que, mesmo legalizado, lhes ficaria na consciência para o resto das suas vidas? Quem sabe… desenvolvendo um trauma. Que direito tem? Ou para si bastam-lhe os seus direitos sem se importar com os direitos dos outros?

    4. Avatar de cidadão urbano
      cidadão urbano

      (continuação da resposta ao “Anónimo” das 15:57) Para finalizar, acredite no que lhe digo, imaginar agora uma situação futura e o que pretendemos para essa situação é bem diferente de vivermos essa situação. A diferença é tanta como da noite para o dia e de um momento para o outro damo-nos conta de que aquilo que pensávamos querer não é nada daquilo que queremos.

      1. Resposta do “Anónimo” das 15:57 ao “cidadão urbano”:Nunca acreditei em “dogmáticos” que tentam impor a sua “ideia” aos outros. Daí, não acreditar no que me diz. Fique com a sua “ideia” para si.

        1. Avatar de cidadão urbano
          cidadão urbano

          Se nunca acreditou em «”dogmáticos” que tentam impor a sua “ideia” aos outros» então porque acredita nas suas próprias palavras? Não sou eu quem tenta impor um novo dogma. Você, meu caro, é que tenta impor a sua “ideia” aos outros pois neste assunto eu apenas quero que fique tudo como está. E sendo essa a sua “ideia” que tenta impor aos outros só falta saber se é uma ideia que quer para todos (inclusive para si) ou se é só para os outros, ou seja, se quando chegar a sua altura continuará com a mesma “ideia”, com a mesma vontade de morrer ou se terá entretanto mudado de ideias e lutará com todas as suas forças (se ainda lhe restar alguma) para se manter vivo!

          1. Caro “cidadão urbano”, como bem sabe, eu não tento impor a minha ideia aos outros. Mas, “chicos espertos urbanos” dizem o que o senhor diz, em beneficio próprio.Assim, definitivamente, termino. Jamais responderei a qualquer “provocação” do cidadão (des)ubano.

          2. Avatar de cidadão urbano
            cidadão urbano

            Como eu bem sei? Não, não sei nada disso. Bem pelo contrário, como ficou evidente pelos meus comentários. O facto de você ter sido curto no seu comentário inicial não significa que não tenha tentado impor a sua ideia aos outros ou não tivesse vindo com os seus próprios argumentos. Claro que o que eu aqui disse é em benefício próprio, não quero que ninguém me desligue a máquina no meu maior momento de fragilidade pessoal mas também o disse em benefício de toda a sociedade. Ninguém jamais deve ter o direito de desligar a máquina a pessoas fragilizadas… que é para onde caminharemos se pessoas como você levarem consecutivamente a vossa avante. É sempre assim, começam por puxar o dedo e se deixarmos quando dermos conta já nos estam a puxar o braço e aí já estaremos todos tramados! Finalizo perguntando: não gostou do que eu por aqui disse? Azar o seu mas, pelo menos, ficou agora a saber o que os outros sentem quando espalha o seu veneno, perdão, “ideias”… pois agora, provou do seu próprio veneno e não gostou!

          3. Será que o Bruno de Carvalho é “cidadão urbano”?!

  3. Trata-se apenas de mais um negócio que nos querem impingir; o BE é, mais uma vez, o idiota útil, o marçano que dá voz a mais um trema fracturante, futuramente facturante…

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *