Acho muito bem que o Porto tenha sucesso na sua candidatura, acho muito bem que a tal agência dos remédios venha para o Porto, acho muito bem que venham novecentos funcionários da UE viver no Porto e gastar dinheiro no Porto, acho muito bem que tudo corra pelo melhor ao Porto e no Porto. Nada a criticar. Antecipo os meus parabéns ao Porto ainda que, como é evidente, reserve o meu prognóstico.
O que, no meio desta história, tem uma triste graça, é a coerência da classe política. Costumo criticar a parte dela que mais crítica merece. Desta vez, levam as partes todas a mesma règuada.
Pois não é que, por unanimidade, a distinta Assembleia da República, decidiu que Lisboa é que era bom, que o chamado primeiro-ministro declarou solenemente que a única cidade portuguesa com condições favoráveis para a coisa era Lisboa e que, tendo as forças vivas portuenses desatado a agitar as águas, ai credo!, vamos reconsiderar. Reconsideraram. Passadas umas semanas, o dito governo passou a achar que o Porto é a melhor escolha e que a única candidatura portuguesa seria a do Porto. Com a mesma jactância alarve com que tinha sido declarado o contrário, agora é o conselho dos chamados ministros que, por unanimidade, se desdiz, sem dar satisfações, antes se revendo gloriosamente no flicflac. E, por unânime omissão, a Assembleia desdiz-se.
É-me totalmente indiferente que a cidade candidata seja uma ou outra, como podia ser Faro, a Covilhã ou Alfândega da Fé. O que não é indiferente é que o Parlamento, o dito primeiro-ministro, o governo em peso digam num dia, sem qualquer justificação, o contrário do que juravam há um mês. Dá uma imagem um tanto estranha da classe política.
Por outro lado, e aí tiro o chapéu, verdade é que qualquer ataque de ciumeira dos nossos amigos do Porto causa um abalo dos diabos a esta gente. Há que reconhecer que a tática funcionou com a candidatura à tal Agência, exactamente como costuma funcionar para tudo e mais alguma coisa. Não gosto do sistema, mas reconheço-lhe a eficácia.
14.7.17

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