IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


O GRANDE PROBLEMA

 

Se você pensa que a “venda” do Novo Banco é a principal notícia destes tempos, está muito enganado. Há vários dias que somos bombardeados com a importantíssima questão de um árbitro da bola que levou uma chapadas em Canelas, sim, em Canelas, sabe onde isso é, sabe se existe? Por exemplo, ontem, o jornal “de referência” chamado Público dedica a este tema vital uma chamada de primeira página a vermelho, mais quatro páginas inteirinhas, sim, inteirinhas, pejadas de “informação”, de opiniões, o árbitro, o jogador, vários presidentes, juízes, legisladores, tudo minha gente a pensar e opinar sobre tão ingente matéria. Isto sem contar com um brilhante editorial sobre o mesmo tema, como não podia deixar de ser. No resto dos media, se não foi tanto assim, foi quase, ou mais. A Pátria em perigo tremeu de emoção, de repulsa, de preocupação com o presente e o futuro, de justa inquietude que causa a preservação da integridade física, moral, emocional e intelectual dos árbitros, com a morosidade da justiça, com o tremendo abalo que o crime de Canelas causa à estabilidade da Nação.

As bombas de Moscovo, o comboio de rodas ao ar, até a desgraça (essa sim, desgraça mesmo) da fábrica de foguetes, nem as bocas do Trump, nem Gibraltar, tudo coisas de somenos, isto para não referir outra vez o caso do Novo Banco ou as reiteradas aldrabices do chamado primeiro-ministro sobre o caso.

Árbitros e lambadas, eis a questão.

 

5.4.17



2 respostas a “O GRANDE PROBLEMA”

  1. Avatar de Filipe Bastos
    Filipe Bastos

    Na substância tem razão: mais tricas futeboleiras, mais circo para a carneirada, enquanto a casa arde. Este caso do Canelas tem, no entanto, algumas características especiais. O árbitro não levou só umas chapadas, levou uma joelhada que lhe partiu o nariz; mas isso pouco importa. Todas as semanas, nos escalões inferiores da bola, acontece algo parecido ou pior. O caso teve este impacto porque o Canelas não é um mero clube: é um gangue de rufias da claque do Porto, os autodenominados “Super Dragões”, encabeçado por um tal Fernando Madureira. A sua profissão é espalhar pancada pelos campos onde joga o Porto, e o seu hobby é espalhar pancada nos campos onde joga o Canelas. Os adversários já os boicotaram. Toda a gente sabe que são criminosos violentos, metidos em tráfico e prostituição. Toda a gente sabe que o cabecilha é um gangster que vive impunemente – há décadas – entre Porsches e mansões. Toda a gente sabe que o Pinto da Costa, acima dele, é ainda pior. Parece uma história de filme: aquelas cidades controladas por vilões imunes à lei, que depredam os cidadãos sem que ninguém lhes faça frente, até aparecer o herói da fita. Só que aqui não há heróis. Não aparece ninguém. Isto não se passa nas Honduras, na Albânia ou em África: é aqui mesmo, à nossa frente, neste suposto “Estado de Direito”. É por isto o circo em torno do Canelas. Não é só a bola. É pior. O Canelas espelha a bandalheira corrupta que é Portugal; e, o que por cá é mais raro, vai muito além dos brandos costumes.

    1. Agradeço a informação. Parece que v. sabe desta poda. Eu só viro as páginas, ou mudo de canal. Quando estão todos na bola, desligo a TV. Perdoe-se-me a ignorância.

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