Um chamado ministro não sei de quê (julgo que aquele do “azar” do Metro) veio há dias declarar que, para aumentar a capacidade dos aeroportos da zona de Lisboa, nada melhor que um novo aeroporto em Alcochete.
No mesmo dia, julgo, o chamado ministro do equipamento, fez boquinhas na defesa intransigente do aeroporto do Montijo, onde deve ser construída uma nova pista e mais umas facilities.
Entretanto, o chamado ministro da defesa, ou alguém por ele ou com ele, avisou que a Força Aérea exigia uns 400 milhões para ceder instalações.
Uma alta instância técnica internacional apareceu então nos jornais a garantir que o Montijo é que é bom.
O indivíduo do segundo parágrafo supra apareceu outra vez, informando os seus compatriotas sobre a ingente necessidade de mandar fazer “uns estudos” sobre a operacionalidade do Montijo e as obras necessárias à sua “civilização”.
Partindo do princípio que o governo será capaz de optar pelo Montijo, veja se agora o que falta na douta declaração do chamado ministro:
– Serão lançados uns três ou quatro concursos (procedimentos concursais em novilíngua) para a selecção dos “estudiosos”; segue-se a avaliação das propostas e, admitindo que os ganhadores dos procedimentos concursais não são objecto de impugnação judicial, talvez possam começar a trabalhar dali a um ano; sendo rápidos, entregarão os “estudos” uns seis meses depois;
– A seguir à aprovação dos “estudos”, teremos a fase de projecto: mais uns concursos, mais uns meses largos e, ano e meio depois, o chamado ministro anunciará, em sessão solene, na augusta presença do chamado primeiro-ministro e de Sua Excelência Rebelo de Sousa, a aprovação do projecto;
– Depois, altas entidades procederão à elaboração dos cadernos de encargos para as dezenas de empreitadas que serão objecto de novos “procedimentos concursais”; prontos os cadernos de encargos, seguir-se-á a selecção dos convidados a concorrer; dali a seis meses, começarão a ser avaliadas as propostas; se tudo correr pelo melhor, dali a um ano começarão as obras, cujos projectos, no decorrer delas, serão objecto de inúmeras alterações e aumentos de preços;
– Entretanto, é bom não esquecer, um comité de trutas congeminará a forma, ou formas, de financiamento das obras, atentos os interesses das várias parte envolvidas, as facilidades comunitárias, o parecer do BCE e do BEI, etc.;
– As obras, dado o aquecimento global, as necessidades de refinanciamento das alterações e a tradicional produtividade da Nação, arrastar-se-ão por dois anos;
– Em 14 de Dezembro de 2024, se tudo correr pelo melhor, o chamado ministro, o chamado primeiro ministro e Sua Excelência Rebelo de Sousa inaugurarão solenemente o novo aeroporto auxiliar do Montijo, o qual, à data, já estará a camino da obsolescência.
Pode ser que não seja assim:
– Se os franceses da Vinci tiverem interesse no assunto e procederem em conformidade;
– Se a geringonça, entretanto, for para o lixo;
– Se Portugal, pelo caminho, tiver aberto os olhos.
24.12.16

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