IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ESTÁ BEM? DESTRUA-SE!

 

A senda é conhecida e praticada, quase religiosamente.

Passado um século sobre a destruição e a desertificação humana das cidades, lá se legislou sobre o tristemente célebre bloqueamento das rendas, sobre a liberdade contratual das pessoas, o (relativo) respeito pelo constitucional direito à propriedade privada. Em meia dúzia de anos, as cidades ganharam nova face, milhares de prédios em estado de ruina regressaram a ceitáveis níveis de qualidade, tudo a provar que, em benefício de todos (Estado, particulares, senhorios e inquilinos) havia energias sociais garrotadas que regressavam à vida depois de anos e anos de abandono.

Veio a geringonça. Anuncia-se o fim do sistema, a “reforma” do RAU, do NRAU, etc., de forma a consolar ideólogos e ideologias, cujos resultados, cá e pelo mundo fora, sempre resultaram em miséria, das pessoas e dos Estados.

O turismo ressuscitou em resultado do aumento da procura e de alguma liberdade cívica. Com ele os arrendamentos turísticos, a procura externa, a entrada de milhões. Porém… com a geringonça, há que acabar com o movimento. Os tuktuk são uma desgraça. É preciso dar cabo do alojamento local, criar regras e regrinhas, sacar mais dinheirinho ao mercado, dificultar, anquilosar, perder o conquistado, dominar os arranques e as iniciativas da sociedade civil. Os turistas passaram a incómodos invasores, há que “limitar” os que aproveitam com ele, desincentivar o investimento externo, criar mais burocracia, cortar as pernas à coisa, como a tudo o que signifique liberdade, a tudo o que mexa.

(Um dos mais lídimos adeptos da geringonça, célebre por um dia ter pedido à CML que apressasse o “feixo” da CRIL – rapaz culto, maçon e socialista – quer proibir os tuktuks lá do bairro e mandar fechar o comércio mais cedo, a fim de que tudo fique mais silencioso, e mais pobre).    

Nos transportes públicos via-se uma luzinha ao fundo do túnel. Veio a geringonça. Destrua-se. Municipalize-se. Estatize-se. Se correr mal, como corre, é “azar”, como decreta um tipo que se diz ministro. Vai haver indemnizações aos prejudicados? Lança-se mais um imposto para pagar a bronca. O socialismo paga-se, pelo menos até acabar o dinheiro emprestado.

A água está cara? Está. O remédio, como vem sendo anunciado, é aumentar o preço. A geringonça não brinca em serviço.

A chamada “restauração” queixa-se do IVA a 23%. Abra-se uma excepção, passe a 13. Os preços da restauração sobem três vezes mais que a inflacção em geral, a demonstrar as consequências da genial medida. Não interessa, há quem pague.

Há petróleo na costa? No mar? Faça-se a respectiva “interrupção voluntária” da procura. As exportações de produtos petrolíferos são fulcrais na balança externa, ainda que trabalhem com matéria prima importada a cem por cento. Passar a ter matéria prima nacional? Que disparate! Cancele-se os contratos. Um porque a outra parte se esqueceu de incluir um papel, mesmo que já tenha passado o prazo para reclamar. Os outros não se sabe ainda porquê. Que importa? Pague-se as indemnizações que os tribunais arbitrais não deixaram de exigir. O socialismo é honesto, desde que as pessoas o paguem. A Noruega (país impecável em matéria ambiental), à custa do petróleo, tem as maiores reservas financeiras da Europa, e das maiores do mundo. Que interessa? Petróleo no Algarve é que não, mesmo que não tenha qualquer influência na qualidade de vida das pessoas. A Escócia queria ser independente para ficar com o petrólio do Reino Unido. Que estupidez! A gringonça é que é inteligente.

A ADSE estava a correr bem? Estava. Até dava lucro, os seus beneficiários, que bem a pagam, não tinham razão de queixa. Acabe-se com isso. Crie-se um “conselho geral”: 15 marmanjos de alto coturno se sentarão á volta da mesa para vigiar a direcção e ganhar, pelo menos, umas senhas. Os sindicatos rejubilam com novos tachinhos! Dar-se-á à coisa o sonante nome de “instituto público de gestão participada”. Lindo: o social-complicómetro no seu esplendor. Dou-lhe três anos até ir à falência. Não fará mal, lança-se uma taxa qualquer, e pronto.

Mas nem tudo é mau. Por exemplo, as criancinhas de 10 anos vão ser ensinadas pelo Estado a fazer abortos. Progresso é o progresso, raio!

 

15.12.16



8 respostas a “ESTÁ BEM? DESTRUA-SE!”

  1. Tudo verdade, com duas ressalvas: o petróleo e as rendas.No petróleo o Estado será, não tenhamos dúvidas, embarrilado pelos mamões do costume. Os contratos serem do PS ou PSD é igual: não é preciso ler uma só linha para saber que vem aí mamanço. Logo, cancelá-los nem é mau.Quanto às rendas, o Irritado está contente porque ganha (pode ganhar) mais umas lecas. Mas nem foi essa a maior mudança: foi a Internet. Esta é que trouxe os turistas e muito dinheiro a muito senhorio. E muito trafulha.A coisa chama-se Airbnb, um site que apresenta turistas a senhorios. É a nova mina de ouro nacional.É isso, a sede de dinheirinho estrangeiro via Airbnb, que tem renovado muitos prédios e muitas casas. Não são as rendas de inquilinos tugas. Sobretudo na Lisboa antiga: Alfama, Graça, Chiado, etc. Porque um T1 arranjadinho cobra facilmente 60€/noite a um casal de bifes; e os senhorios preferem bifes a tugas.Resultado: o centro da cidade é cada vez mais para turistas e menos para tugas. E a cereja no bolo: é dinheirinho livre de impostos para muito senhorio trafulha.

    1. Tem alguma razão, para além da teoria geral dos mamões (todos menos o Bastos).A recuperação não começou com a net, nem com o turismo. Começou com a reforma do RAU. Bem visível, por exemplo, nas avenidas novas, desde anos antes daqueles fenómenos. No caso do petróleo, ainda bem que há quem ganhe dinheiro com isso. Bem hajam os que arriscam, se bem arriscarem e se o Estado, em vez de empata, for bom vigilante. Só teremos a ganhar.

      1. O Irritado fala das avenidas novas por ter lá os seus (certamente modestos) imóveis; mas se olhar para o resto da cidade, sobretudo do Marquês para baixo, verá o efeito Airbnb. Sabia que as rendas em Lisboa subiram 30% nos últimos dois anos? Assim como os preços das casas? Leia aqui: http://expresso.sapo.pt/economia/2016-05-08-Imobiliarias-estimam-subida-de-40-nas-rendas-em-Lisboa Ou aqui: http://dn.pt/dinheiro/interior/precos-de-casas-na-baixa-e-no-chiado-subiram-30-num-ano-5063383.htmlTadinhos dos senhorios.«No caso do petróleo, ainda bem que há quem ganhe dinheiro com isso.»Num país cronicamente a saque, chulado e roubado por mamões e pelos seus capachos pulhíticos, de PPP escabrosas a rendas energéticas obscenas, passando pela mama dos combustíveis e das comunicações, o Irritado insiste na atitude da avestruz ingénua: a cabeça bem enterrada na areia, o sorriso crédulo, a teoria bonita.

        1. Pois. O melhor é ir ao PC preencher a ficha.

  2. E se for um inquilino a alugar quartos?Ter razão?Só vejo dextros e canhotos a destruir riqueza transformando o país em lixo à margem da lei e do direito. Uns fazendo, outros desfazendo enquanto outros apenas vão opinando. “Não é rígido o direito”, disse o prof Marcelo.

      1. O segundo. O primeiro, padrinho do segundo, tinha consciência das características do direito e não flexibilizava com a mesma ligeireza.

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