Na ânsia de tecer loas ao jacobinismo, o DN resolveu dedicar várias edições à ominosa data de 5 de Outubro. Para tal, nada melhor do que louvar a queda das monarquias europeias ocorrida no século XX. Apesar da gloriosa marcha das novas repúblicas, o DN reconhece que houve uma dezena da monarquias que resistiram pela Europa fora. Esquece, como é de timbre em propagandas do estilo, que tais monarquias são, por esmagadora maioria, as mais avançadas democracias do continente e as que melhor funcionam, os mais sólidos regimes, as nações onde os direitos das pessoas são mais respeitados. Esquece que, nas nações europeias que têm problemas de nacionalismos internos e de rivalidades linguísticas, são as respectivas monarquias o melhor, e quase único, garante da unidade. Esquece que os respectivos povos não põem em causa, antes respeitam, amam e apoiam as suas dinastias e seus representantes. Esquece o que foi a I República em Portugal, a sua feroz iniquidade, o seu nacionalismo parolo, o seu visceral desprezo pelo direito e pela liberdade. Esquece que, depois dela, a II República foi o que foi, mais de quarenta anos de autoritarismo. E esquece no que deu, e está a dar, a III República.
Ao longo dos dias, tem o DN vindo a publicar facsimiles da propaganda gráfica do 5 de Outubro. Se outro sinal não houvesse da “qualidade” cultural e política do que foi impingido ao povo português a partir daquela data, aí temos bem expresso o que ela foi: primitivismo saloio, gosto miserável, nacionalismo pacóvio, pobreza artística e popularucha bem expressa em imagens dignas de saloios e mentecaptos.
Fica tudo registado, e ainda bem.
5.10.16

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