Causando largo afã mediático, o Banco de Portugal divulgou que, na sequência do socialismo tarado, ou socrélfio, hoje de novo em moda, os portugueses puseram a milhas quase cinco mil milhões de euros. Depois, nos anos da troica, foram mais moderados: mais ou menos metade daquilo em quatro anos.
Dos cerca de dez mil milhões que partiram, menos de quatro centenas de milhar são de particulares, o restante é de empresas, parece que algumas do Estado.
Todas estas transferências foram feitas com autorização e registo do BdP, e dentro da legalidade vigente na Europa, ou seja, da livre circulação de capitais.
Longe de mim achar bem, ou mal. Só caso a caso seria possível julgar, o que não é coisa que interesse aos críticos em acção: o que lhes interessa é o barulho e a condenação popular mal informada e fácil.
Onde está o crime? Em parte alguma que não seja a percepção pública da coisa, largamente exponenciada pelas charamelas da “informação” e pelas bocas da Bloca de Esquerda, adjacentes e apaniguados, o que não integra o conceito de crime mas funciona como se integrasse.
Quem não gosta, que ponha em causa a livre circulação de capitais vigente na UE e a universal existência de offshores. Estará no seu pleno direito. Mas o que disto passe é conversa politiqueira, ordinária e pidesca.
Outra coisa será saber se os exportadores do dinheirinho tiveram dele dividendos. Se os declararam ao fisco e pagaram o devido, acabou a história. Se não declararam, então que sejam perseguidos. A história acabará, dolorosamente para eles, mais tarde. Mas acabará na mesma.
Outra história, essa mal conhecida como é natural, será a dos que ficaram de fora, os que puseram o taco a voar sem dar satisfações e por meios fraudulentos. Esses onde estão? Parece que há por aí umas investigações. Que proliferem e cheguem a bom termo.
Vir insinuar acusações contra quem cumpriu a lei é que não cola, ou não devia colar. Ainda menos com a colaboração do BdP.
29.4.16

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