Já lá vão largos anos, dei comigo a assistir a uma conferência sobre arrendamento urbano promovida pela associação de proprietários. O tema era o que não podia deixar de ser: os inquilinos eternos e as rendas ridículas. Nela falou o senhor Soares (João), que se solidarizou com os proprietários e com as suas justas reivindicações. No mesmo dia, ou no dia seguinte, já não sei, o mesmo artista foi a uma reunião pública da associação dos inquilinos, na qual se solidarizou com os inquilinos e com as suas justas reivindicações.
Não conhecia o homem de parte nenhuma, como não conheço nem quero conhecer. Mas, como devem calcular, fiquei com a noção exacta da qualidade mental, social e moral do dito.
Mais tarde, as suas frequentes aparições na televisão vieram confirmar o que já pensava, acrescentando às características já detectadas, a vacuidade, a gabarolice, o congénito auto-elogio, o visceral “desinteressantismo” das suas ideias e opiniões.
Hoje, tal Soares é ministro da cultura do chamado governo. Está à altura, não do cargo, mas da qualidade da organização que integra. A prová-lo, concretizou ontem a ameaça que há dias vinha fazendo de demitir o presidente do CCB. Porquê? Porque, nas suas poderosas palavras, não concordava com um projecto de gestão cultural e turística da zona de Belém que o homem tinha feito. E porque será que não concordava? Porque, ainda nas palavras do próprio, o ora demitido tinha feito o tal plano sem consultar o patrão da cidade, um certo Costa, à altura presidente da CML, nem o seu avatar Medina, hoje, por herança, no mesmo trono.
À pessoa que foi vítima desta decisão é universalmente reconhecida extraordinária competência científica e técnica em matéria de gestão cultural. Tem notabilíssima obra realizada, à vista de todos e por todos admirada, tanto em meios culturais e patrimoniais como autárquicos e populares. Mas, helas!, não prestou a devida vassalagem ao poder socialista, ou social-comunista, que dominava a cidade e que, agora, domina o país. Nem terá dobrado a espinha perante as grosserias de tal poder. Daí, rua!
E lá veio mais um ignorável boy do socratismo ocupar o lugar o lugar de um homem que nunca foi boy de ninguém.
A procissão de burrices e de raivinhas deste chamado ministro já tem diversos andores. Mas ainda vai nos portões do adro.
O futuro, como vêem, é promissor…
1.3.16

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