IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


A PELE DO LOBO

Os tratadistas, os juristas, a liguagem política comummente aceite, atribui ao termo “guerra” um significado que não se confunde com “manutenção de ordem pública por meios violentos” ou com “resposta civil a actos de terrorismo urbano”. Guerra é mais precisamente luta armada, militar, contra um inimigo, seja ele estado agressor ou guerrilheiro armado.

O Presidente e o PM franceses (como há anos o Presidente Bush) declararam guerra ao terror, ou com significado meramente semântico ou como efectiva declaração de guerra contra outro estado. No caso presente não podem alegar a não territorialidade do inimigo, sabido que é onde ele está, e não sendo os ataques a Paris outra coisa que não uma sua, aliás declarada, manifestação extra-territorial.

Quando ouvi Hollande declarar guerra ao Daesch, pensei que o anúncio seguinte, para além da caça policial ao homem em França, seria o do lançamento de ferocíssimos ataques da força aérea francesa ao território do inimigo, com o objectivo de o destruir, de aniquilar as suas fontes de financiamento (poços de petróleo, locais e estradas por onde circula a sua clientela, facilities de comunicação informática e de obtenção de divisas, etc.), de aniquilar a sua administração pública e a sua rede de transportes – que existem e funcionam -, de ferir de morte a sua inegável organização política, civil e militar. Pode discutir-se, com argumentos de peso, se tal seria aconselhável. O que não se pode, ou não devia poder, é declarar “guerra”, não fazer guerra nenhuma, e ficar à espera não se sabe bem de quê.

O caso é super complicado. Basta dizer que considerar que a França foi atacada por um inimigo externo bem identificado é o suficiente para obrigar ao desencadeamento de uma reacção armada dos países da NATO, em conformidade com a célebre e nunca usada disposição do Tratado do Atlântico que obriga à reacção de todos quando um for atacado. Tal teria imprevisíveis consequências, eventualmente catastróficas.

Será esse o objectivo das declarações oficiais dos franceses? Não sei. O que sei é que quem não quiser ser lobo que não lhe vista a pele.

 

15.11.15

 

Adenda: já este texto estava publicado, soube-se que a aviação francesa tinha bombardeado posições do Daesch. Parte do escrito fica prejudicada. Mas, com este eclarecimento, não vejo razão maior para o alterar.



4 respostas a “A PELE DO LOBO”

  1. O Irritado às vezes é mesmo um optimista. Toda a gente sabe que os pulhíticos de hoje falam para as câmaras, não para as pessoas, e são meros papagaios dos seus inúmeros assessores. O Hollande disse guerra como podia ter dito batalha, ou assobio, ou chiriripatatá, se isso soasse melhor nas sondagens.Nem tem a menor ideia do que irá ou não fazer, basta vê-lo para saber que é um choninhas medíocre. Alguém há-de decidir, talvez a canalha americana (que também decide pelo Cameron e pela Merkel), e ele há-de assinar por baixo.O problema dos terroristas é o do costume: só perdem com isto. De início a França nem apoiava os americanos, isto só vem radicalizar mais a sociedade francesa, tal como os ataques de Madrid ou de Londres. Porquê, para quê? Quem ameaça faz exigências, e espera contrapartidas. Aqui não: bora lá matar o pessoal, morrer em mil pedaços, e deixar todos contra nós. Para nada.Ou os terroristas são doidos varridos, ou masoquistas, ou incrivelmente estúpidos. Não é impossível, de fanáticos espera-se tudo, mas não deixa de ser estranho…E quem ganha com isto? Os que vivem do medo, que vendem armas, que querem controlar países e instalar bases onde lhes convém. Os de sempre. Os que vivem em permanente “guerra ao terror”, a ponto de já não passarem sem ele.

    1. Este Filipe é um “sábio”!!!

  2. A guerra ao Terror declarada por Hollande já começou e o alvo é… a privacidade dos cidadãos franceses prestes a ser aniquilada. Esta guerra de Hollande começou pelo lado mais fácil! Foi “reforçada” a vigilância e monitorização das comunicações via telefone e Internet de cidadãos suspeitos por uma nova lei de vigilância aprovada pelo Parlamento francês que, inclusive, exclui a necessidade de qualquer autorização especial! Já não é a primeira vez que vemos isto a acontecer.

  3. O Público publicou há tempos uma longa reportagem sobre o ISIS/EI/Daesh, que só li hoje: http://www.publico.pt/mundo/noticia/o-que-e-o-estado-islamico-1690458O jornalista, um canadiano que escreve para o New Yorker, New Republic, Bloomberg e outros portentos americanos, falou com vários membros da coisa, e pinta-os como fanáticos presos na Idade Média, tão inteligentes quão alucinados.Curiosamente, só não fala do dinheirinho deles – de onde vem? como lá chega? onde está depositado? – nem como obtêm as armas, nem como andam tão à vontade num mundo em que todos somos vigiados 24h por dia. E nem somos terroristas.Sem grande surpresa, o sr. jornalista conclui que não há grande remédio: temos de os ir combatendo aos poucos, gastando dinheiro em armamento, claro, prescindindo de algumas liberdades, e confiando nos nossos amigos americanos! Pois.Como diz o cidadão urbano, o importante é vigiar a malta… e torrar muito dinheirinho da malta em mísseis e submarinos e pandurs. Se a coisa apertar, chamamos os americanos… e damos-lhes mais umas bases por aí. Eles pagam bem. Dinheiro não é problema.

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