IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DO OPORTUNISMO GALOPANTE

 

Nenhum dos habituais constitucionalistas de serviço (v.g. Miranda, Marcelo e outros inventores e adeptos do semi-presidencialismo à portuguesa) reparou, ou quis reparar, ou lhe conveio reparar, em que a opção europeia e a opção NATO de Portugal estão, como normas de direito positivo, ínsitas na Constituição. A uns, os da esquerda, convém; os outros são dominados pelo medo, não havendo outra explicação.

O Tribunal Constitucional, feroz e poderoso reduto da esquerda, também não deu, nem dá, por isso. À farta, usou e abusou de “princípios”, uns constitucionais outros não, sem recurso a qualquer norma concreta, sobretudo nos casos em que o puro e simples objectivo de fazer a vida negra ao governo e atrasar a recuperação económica e financeira do país ultrapassou qualquer outra consideração: pura e dura política. O resto, conversa pseudo constitucional.

A Constituição proíbe a manifestação de ideologias fascistas e afins, mas não proíbe as do outro extremo do cardápio, que são da mesma natureza, como o presente nacionalismo esquerdista e muitos outros pontos de contacto provam à saciedade. O totalitarismo é constitucionalmente mau se for de direita e constitucionalmente bom se for de esquerda, ainda que, no fundo, sejam “farinha do mesmo saco”, como diria, se soubesse o que diz, o grande intelectual Jerónimo e como há dias disse António Barreto, sabendo o que diz.

Mas estas coisas, a avaliar pelas opiniões de personalidades com grande influência nos media, como os já citados Miranda e Marcelo, a que se junta, felicíssimo, o senhor Reis Novais, recém ressuscitado dos bas-fonds do sampaismo, acham que não: a Constituição é uma maravilha, se despojada expurgada de normas inconvenientes, como as que falam da Europa e da NATO. E passam, em doce manifestação de confiança na democraticidade do PC e do BE, por cima, por exemplo, da manifestação de ontem a favor da “Paz”, coisa que, devem pensar, é pormenor que não põe em causa a sinceridade dos “compromissos” assumidos ou a assumir por tais partidos com o PS.

Com a máscara da democraticidade e da vitória eleitoral da esquerda (uma criminosa palhaçada), não hesitam, por oportunismo ou conveniência, em apoiar a “solução” a que Cavaco se opõe, este sim, no intransigente respeito pela Constituição, pela democracia e pelo futuro do país.

 

Pela primeira vez desde os tempos recuadíssimos da CEUD, vou pôr uma enorma cruz a toda a altura do boletim de voto nas presidenciais, esperando que, mais cedo que tarde, as interesseiras e politicamente ilegítimas manobras do Costa estalem na boca desta gente.

 

25.10.15



7 respostas a “DO OPORTUNISMO GALOPANTE”

  1. Há anos que apregoo o voto nulo. Há anos que o Irritado o classifica como inútil, e até irresponsável, pois ajuda por omissão os maus da fita – os esquerdalhas. E hoje pimba, promete votar NULO. Porquê? Simples: está repugnado com a provável derrota do Herói Passos, ainda que temporária, e com a provável vitória do Marcelo. Não gostava do Cavaco, mas o Marcelo parece-lhe ainda pior.O seu voto nulo, ao contrário do meu, não é contra o regime, contra a podridão ou a hipocrisia. Não é consistente, é circunstancial. É um mero protesto por não ganharem aqueles de que gosta. É assim, perdoe, como uma birra. Então mas… não teme ajudar, por omissão, os terríveis esquerdalhas? E se ganhar o Edgar-não-sei-quantas, ou o Nódoa, ou a Maria da Laca? O meu voto nulo é “irresponsável”, e o seu não o é?

    1. É capaz de ter razão. Votaria Marcelo, mas acho que a “abrangência” do homem está a passar os limites. Talvez ainda mude de ideias. A procissão nem no adro vai. Além disso, como sabe, sou monárquico.Um jovem advogado (hoje meio xuxa, julgo) dizia há muitos anos a alguém que lhe perguntava porque era monárquico: “sou monárquico porque sou inteligente”. Não direi tanto, como calcula, mas a resposta do rapaz não foi estúpida… como os factos em presença bem demonstram.

      1. A resposta do jovem advogado seria boa se não teminasse aí. A qualquer pergunta, incluindo “porque é fã do Goucha?” ou “porque se baba na gravata?” qualquer um pode responder “porque sou inteligente”. A questão é o que diz a seguir.

  2. O titulo deste post é “DO OPORTUNISMO GALOPANTE”.Assim, em estrita obediência ao mote dado pelo irritadiço, questiono: Desde o dia 5 de outubro até à sexta-feira passada, o Governo fez publicar em “Diário da República” perto de uma centena de nomeações de dirigentes para cargos intermédios na Função Pública, que não têm de passar pela CReSAP, a Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública, não é “OPORTUNISMO GALOPANTE”?ler mais em: http://www.jn.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=4853485

    1. Para variar, muito bem lembrado. O Pedro “Audi” Soares até nomeou um ex-assessor que nem cumpria os requisitos do tacho.E eis que acabou de aparecer o Marques Guedes, aquele cabeçudo mamão, a desculpar o governo: «A esmagadora maioria das nomeações são de concursos que ocorreram no primeiro semestre deste ano. O Estado, a Administração Pública, não pode estar um ano parado só porque há eleições».Onde é que já ouvimos esta conversa? Ah, é verdade: nos quinze governos anteriores… o Estado não pode parar, diz o mamão! Nem o Estado, nem a orgia de tachos deste governo tão “sério” e “transparente”…

  3. Perguntas óbvias:O que é o poder?Para a democracia qual deve ser o tipo de poder?O que é o direito?O direito é sempre um sacrifício ou um benefício?O que é o estado?Onde existem mais pessoas submissas: numa tirania ou numa democracia?Etc., etc.Enquanto não tiveres a capacidade de olhar para os políticos como se fosse o soberano e um déspota esclarecido que os tem ao seu serviço para cumprir e fazer cumprir as regras que são a estrutura da vivência do grupo que a elas está submetido estarás sempre pronto para seres escravizado.Nas democracias o rebanho deve ter capacidade de escolher os pastos, caminhos para lá chegar e os carneiros condutores. Os portugueses necessitam de pastores.O Salazar apenas seguiu as pisadas do seu pai: caseiro. Não foi de uma família mas de um povo, os dois órgãos externos, onde deve residir o poder e a autoridade. O poder do grupo para ser de todos não pode ser de nenhum.

    1. Às vezes concordo com o Sr. Picaroto, outras vezes discordo. Com a frase «os portugueses necessitam de pastores», creio bem que jamais concordarei. Ou melhor: até concordo. Mas jamais quererei concordar.

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