IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


MEMORÁVEL SESSÃO

O Excelentíssimo Senhor Professor Doutor Eduardo Paz Ferreira saiu do pacato mundo da Faculdade de Direito de Lisboa para as luzes da televisiva ribalta. É daí que o conheço. Aí se tornou público arauto do mais óbvio esquerdismo, praticamente sem temperos que o safem desta tão independente apreciação. Homem de convicções, vejo-o ser capaz de dizer que a noite é negra, ou que é luminosa, consoante a dose de socialismo que a penetrar, sendo a luz proporcional a esta.

A confirmar esta opinião, o senhor lançou um livro, ”Encostados à Parede – Novos anos de Chumbo” de seu título. Não faço ideia de qual será a parede, nem de quem estará encostado, ainda menos do que será o chumbo ou o que chumbará. Não o faço nem farei, já que não me apetece comprar o escrito, nem pedi-lo emprestado, sequer ler a badana na livraria.

O que me trás é a sessão de lançamento da obra, certamente interessantíssima (a sessão). No salão nobre da nobre reitoria da UL juntou-se para o aplaudir um escol ainda mais nobre. Vejam esta amostra: o pretendente Nóvoa, o inacreditável Eanes e o anafado democrata Vasco Lourenço, e fiquem esclarecidos quanto à qualidade da assistência. Há mais: lá estava a mais horrível castelhana e anti-portuguesa da nossa praça, dona Pilar d’el Rio!

Como vêem, só gente fina.

O orador de serviço foi o excelentíssimo embaixador Seixas da Costa, um cidadão do mundo, a man for all seasons, que já esteve em governos do PSD mas também do PS, imagina-se que segundo as conveniências. A ilustrar a delicadeza que costuma caracterizar os diplomatas, Sua Excelência confessou ainda não ter dado pela existência do Prof. Cavaco Silva. Saúde-se a coragem, a frontalidade, a curialidade, a boa educação deste ilustre reformado da nossa diplomática função pública.

Talvez com receio de acusações de primarismo esquerdista, como as do IRRITADO, a trupe deu uma de tradicionalista oferecendo-se um espectáculo de fado. Ficamos a saber que há fadistas para todo o serviço.

 

25.9.15



17 respostas a “MEMORÁVEL SESSÃO”

  1. Passos Coelho “…vejo-o ser capaz de dizer que a noite é negra, ou que é luminosa, consoante a dose…” de interesse que tem. Depois de tantas mentiras, não lhe parece?

    1. Carrega PAF soma e segue 7 pontos acima nao conjtando a Madeira 🙂

  2. Não sabia que tinha estado “em governos do PSD”. Não dei conta, mas fará o favor de me indicar em que período é que isso ocorreu. Quanto ao resto, lá iremos depois me informar.

    1. Com todo o prazer. V. Exa foi adjunto de Durão Barroso na Secretaria de Estado da Cooperação. Foi obrigado? Foi por engano?

      1. Fui, sim senhor. Talvez desconheça que, no Ministério dos Negócios Estrangeiros, há o saudável hábito, desde há muitos anos, de ter, nos gabinetes dos secretários de Estado e dos ministros, funcionários, diplomatas ou técnicos, que são escolhidos exclusivamente pelas suas qualificações profissionais e não pelos seus alinhamentos partidários ou ideológicos. Assim se explica, por exemplo, que, quando eu próprio fui secretário de Estado, sucedendo a uma personalidade do PSD, conservei quase todos os adjuntos e assessores que o meu predecessor tinha escolhido. É estranho? Talvez, para quem não conheça as Necessidades. E talvez não saiba que, dos quatro chefes de gabinete que tive ao longo de cinco anos e meio de governo (eles “rodam” mais do que noutros ministérios, por virtude da mobilidade da carreira), um foi assessor diplomático de Cavaco Silva, outro havia sido adjunto de um secretário de Estado do PSD e a terceira, uma senhora, fora “apenas” chefe de gabinete do meu antecessor (repito, um membro do governo do PSD). Aliás, por esse tempo, eu costumava ironizar que, no meu gabinete, só eu é que era socialista… Entendo que num mundo sectário como aquele em que vive o resto da administração pública o que se passa no MNE seja menos bem entendido. Mas daí a poder ser distorcido vai uma grande distância.Quanto ao que eu disse na apresentação do excelente livro do meu amigo Eduardo Paz Ferreira, em particular sobre a nulidade política objetiva do chefe de Estado cessante, tratou-se de uma avaliação (legítima, como qualquer outra) de natureza política, enquanto cidadão, com um grau de “simpatia” simétrica pela personagem não muito distante da que o meu amigo parece devotar às figuras socialistas. Embora me admire, confesso, de o ver defender com afinco e zelo, enquanto monárquico assumido, as figuras institucionais da minha (e não sua) República. Sans rancune!

        1. António Borges de Carvalho optou por não contestar aquilo que eu referi. Fico grato por este implícito reconhecimento da minha razão que, de certo modo, infirmou o argumento subjacente ao seu post.

          1. Engana-se. Não respondo porque só hoje li a sua douta argumentação. Conheço mal a forma de nomeação dos gabinetes do MNE. Se tivesse pensado melhor, ter-me -ia lembrado, por exemplo, do assessor diplomático do PM Barroso, a quem até devo atenções, julgo que hoje embaixador na ONU e, como V., socialista! O sistema não é comum noutros ministérios, nem percebo lá muito bem como é que há quem meta a raposa na capoeira. Talvez por isso a sua pertença àquele gabinete significasse adesão política ao chefe. Inocência minha! Sans rancunne!

          2. Tem razão, sou monárquico, e cada vez mais. Não tenho estima de espécie nenhuma pelo cargo de PR, que considero (entre nós) uma fonte de conflitos e uma duplicação da legitimidade. Pessoalmente, todos os ex-PR’s me são indiferentes, isto é, gosto menos de uns que de outros. Apesar de, pessoalmente, não ter por Cavaco qualquer simpatia, devo dizer-lhe que acho que, institucionalmente, foi o melhor deles todos, e a grande distância. O que quer dizer que “existe”. Vexata questio, não é?

          3. Não tinha a menor dúvida que o único presidente da República de direita (depois de 1974) era a sua escolha. Mas não deixa de ser curioso revisitar no seu blogue o que escreveu sobre CS no início do seu mandato. Também “sans rancune”.

          4. Aqui lhe deixo o que disse na apresentação do livro, “just for the record”: https://www.youtube.com/watch?v=3ZCz8lGnYIU

          5. Dois erros. O atual embaixador na ONU foi chefe de gabinete do MNE Durão Barroso. O atual embaixador em Washington foi assessor diplomático do PM Durão Barroso (e também do PM Santana Lopes). Ambos ficariam, no mínimo, muito admirados se alguém os conotasse aos socialistas, pode crer! Quanto à pertença a gabinetes do MNE, nós não vivemos num mundo de “raposas” e “galinhas”. Somos servidores públicos, o nosso “patrão” é o Estado e os governos são apenas a sua episódica tutela. No que me toca, tive 21 (vinte e um!) ministros dos Negócios Estrangeiros e nunca nenhum deles (nem os que não gostavam de mim, e houve vários!) alguma vez se queixou de menor falta de lealdade funcional da minha parte. E creio que isso acontece com a esmagadora maioria dos embaixadores.

  3. Parece que o Irritado se enganou: segundo a neste caso insuspeita Wikipédia, o Excelentíssimo Seixas da Costa apenas integrou dois governos, ambos do PS, e ambos do Guterres – também conhecidos por "O Pântano". Saiu em 2001, por upgrade na cozinha: passou do Governo para as Nações Unidas, em Nova Iorque. Seguiu-se a certamente fascinante "Organização para a Segurança e Cooperação na Europa", e embaixadas no Brasil, em França e no Mónaco, com residência em Paris. Como sabemos, Paris é uma cidade particularmente socialista: o PS anda lá em peso.Assim, foi em Paris que o Excelentíssimo Seixas se tornou embaixador junto da UNESCO – sucedendo a nomes tão culturais como Manuel Carrilho (também UNESCO), ou tão casapianos como Ferro Rodrigues (OCDE). E ainda fez uma perninha no Conselho da Europa.Após pedir a aposentação (ufa!), o Excelentíssimo Reformado Seixas exerce agora funções como "consultor estratégico" da Mota-Engil, "administrador não executivo" da Jerónimo Martins, "administrador independente" da Mota-Engil África, e preside ao Conselho Consultivo da Gulbenkian para o seu Centro em… Paris.Ocupa também cargos em faculdades, dá aulas, escreve em jornais… e ainda corrige o blog do Irritado!E o Irritado, com tanto tempo livre, ao contrário do Excelentíssimo e ocupadíssimo Seixas, falha assim em algo tão importante?

    1. É essa a minha surpresa, Filipe Bastos. E, se precisar de alguma informação sobre Paris, é só pedir.

      1. Perdoe a ignorância: a tal “Secretaria de Estado da Cooperação” pertence ao governo, é isso? O Exmo. Seixas sempre integrou um governo PSD, é isso? Então, dois pontos para o Irritado! E nem a Wikipédia sabia, nem ele se lembrava. Mas deixe lá, Exmo. Seixas: com o CV que citei é fácil esquecer um ou outro cargo, não é verdade? São tantos…Julgo que foi no seu blog que li em tempos um post chamado “Mais um tacho!”, ou parecido, em que explicava que certo novo cargo que assumira não era remunerado, só dava trabalho, etc. Claro que o objectivo era dizer “estão a ver como sou um tipo sério?”, mas na altura nem sabia quem era o Exmo. Seixas. Agora, revendo o CV (incompleto) que citei, entendo melhor o seu zelo; e entendo melhor a resposta acima, a realçar as suas “qualificações” em detrimento dos seus “alinhamentos”.Conheço agora bem melhor o Exmo. Seixas: vejo-o e ouço-o, todos os dias, há décadas. Pertence à legião de alinhados do Centrão que passam a vida a saltar de cargo em cargo – de TACHO em TACHO, usando o seu eufemismo – sem que isto tenha NADA a ver com o cartão partidário… e que fazem questão de nos explicar isso! Não é verdade?A palavra chave é “desafio”. São constantemente “desafiados” para belos tachos, que, a contragosto e com grande sacrifício, lá vão aceitando. Já o contribuinte só é desafiado a pagar os tachos e respectivas mordomias.Os diplomatas são particularmente sacrificados; ser embaixador em Nova Iorque ou Paris deve ser do piorio. Mais: o Exmo. Seixas é socialista, e como bom socialista é naturalmente atraído pelos grandes grupos – como a Mota-Engil – onde talvez ajude a criar pontes, sinergias, e outras palavras assim bonitas, entre os nossos impostos e as contas bancárias destes grupos. Por falar em Mota-Engil e em África, ocorrem-me os seus camaradas Jorge Coelho ou Armando Vara – aos quais governos do PS, governos africanos, e outros igualmente recomendáveis, darão particular valor. Aquilo é que foi criar sinergias… e PPP.Agradeço, em todo o caso, a disponibilidade para fornecer mais informação. O que acontece é que o seu CV, e a sua família política, já nos dizem bastante de si. Talvez imagine o quanto.

        1. Leu mal a Wikipedia. Lá estão referidas as funções de “assessoria” desempenhadas.2. Não terá lido a minha resposta ao autor do blogue. Nela se explica o que se passa no MNE – e em mais nenhuma parte, creio – no tocante a cargos em gabinetes.3. No resto, e pela notória má educação e sectarismo de linguagem utilizada, a conversa acaba aqui. Passe bem!

    2. Se vir a minha resposta ao Embaixador, verá se tenho razão. Não se precipite a desdizer.

  4. Avatar de AP-AmigodePeniche
    AP-AmigodePeniche

    Julgava que este senhor estava enconstado ao Conselho de administração da EDP ou CGD, mas não deve ser o mesmo…

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