Sempre fui contrário a referendos. Sobretudo aqueles que têm por fim pôr o povo a tomar decisões da responsabilidade dos governos. Quando estes, ainda que mandatados, não têm coragem para fazer o que lhes compete, borrifam no mandato e atiram o ónus para as costas do povo. O povo (os eleitores), sem fazer ao certo ideia das consequências, vota para o lado para que foir mais empurrado.
Quando os governos são de tendência totalitária – como é o caso do Syriza, dos fascistas com quem está coligado e dos nazis que o apoiam – começam por criar o inimigo externo, excitar contra ele aquilo a que chamam orgulho nacional, dignidade da pátria, soberania popular, etc., arrastando estes valores na valeta da demagogia. Depois, transformam a “vontade do povo”, que fabricaram ou aldrabaram, na sua, e fazem dela o que lhes vier à cabeça, doa a quem doer. É triste que, muitas vezes, isto resulte.
Resultou na Alemanha nazi, na Itália fascista, resultou na ilha de Cuba, na União Soviética, no Chile, sempre com fatais consequências para os povos entusiasticamente enganados e, quantas vezes, para muitos outros.
Posto isto, acalmemo-nos. O Falhoufakis já declarou que chegará a um acordo em 24 horas. Depois, disse que não tinha dito “quais” 24 horas, o que quer dizer que, se for meia hora por semana, a promessa cumprir-se-á, a exemplo dos últimos 5 meses, nas próximas 48 semanas. O ministro grego não sei de quê, talvez de forma pré-monitória, já veio esclarecer que não serão 24 horas, mas 48, o que alarga o prazo para umas calendas quaisquer. E fiquemos ainda mais calmos por saber que, afinal, o Falhoufakis não vai cortar um braço, o que teria fatais consequências para a utilização do motociclo.
E inquietemo-nos também. Antes de mais, que entidade tomou conta do referendo? O governo do Syriza e dos fascistas. Quem o vigiou? O governo do Syriza e dos fascistas: ninguém independente, nenhuma organização internacional, nenhuma “entidade” do tipo Comissão Nacional de Eleições. Como é possível que todas as sondagens se tenham enganado, incluindo as feitas à boca das urnas? Quem acredita na fiabilidade do resultado anunciado, ainda por cima com um inacreditável exagero? A Europa? Meu Deus, que desgraça!
Tudo foi feito, no parecer do governo grego e dos seus apoiantes cá do sítio, em nome da “democracia”, da soberania e de outras coisas tranformadas em ameaça, em chantagem, em pantomina, para justificar o aumento do poder da banditagem que se apoderou da Grécia.
O BCE já pôs à disposição dos funcionários públicos e dos pensionistas gregos, através dos bancos, quase €100.000.000.000 (leu bem: cem mil milhões de euros). Sem tais euros, dois meses depois da vitória do Syriza já não haveria salários nem pensões. Três dias depois de estancar esta mama – que não se sabe se, ou como, é contabilizada nas contas públicas – já não havia liquidez nos bancos gregos. Tiveram que fechar. E o povo lá foi, às seis da manhã, para as bichas, à procura de 60 euros. Mas parece que até estes 60 já lá vão. Os pensionistas, esses felizardos, vão buscar 120, de vez em quando, em mais bichas. É a fome institucionalizada pelo governo eleito, e confirmado por “referendo”. Uma burla de dimensões galácticas.
Não restam dúvidas. Nesta matéria, já não há esquerda nem direita, Há democratas de um lado, e os que o não são, do outro. Estes, com o apoio de desvairados ideológicos e demagogos encartados como os do Podemos, do BE e do Front National.
Mais uma vez, helas!, assistimos ao confronto entre a Liberdade e a sua negação.
5.7.15

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