Os jornais de hoje trazem notícias aterradoras: parece que vamos ter candidatos de peso à Presidência. Nada menos que a montanha de laca e a voz de falsete da dona Maria de Belém e a importância folclória da reciclagen bolchevista do Carvalho da Silva. A coisa é tão ridícula que se dirá digna da pessegada que é o nosso, tão original como burro, sistema “semi-presidencialista”.
Para que serve o PR? A experiência mostra que quem para lá vai tem o poder de mandar umas bocas de vez em quando, de se meter onde não é chamado, de se embrulhar em politiquices, de fazer congressos oposicionistas e visitas protocolares, além de, como o intolerável Sampaio, se meter em matérias castrenses e perpetrar golpes de Estado. O tal “independente representante da Nação” jamais foi independente, dele se exigindo, consoante o sentir de cada um, que “faça coisas”, para uns umas, para outros outras, todas mais ou menos impossíveis à luz da Constituição ou das conveniências.
É a nossa infelicidade política levada ao extremo. Votamos para eleger um senhor que, ou não serve para nada, ou serve para complicar o que, de si, já não é simples. Por outras palavras, enquanto eleitores somos tratados como idiotas e levados a achar que a ridícula e contraproducente existência de um “Chefe de Estado” com as características constitucionais do nosso é uma coisa importante para a nossa vida, quando só serve para dar abébias à esquerda, quando é de esquerda, ou uma no cravo outra na ferradura, quando não tem tal origem. É o que diz a experiência, uma experiência com mais de trinta anos, sempre a mesma se a virmos a partir de 82, e pior antes disso, se considerarmos a presidência castrense e pretensamente salvífica do General Eanes e dos seus tristes governos.
Um sistema único na Europa! Somos os maiores! Como o Fado ou o Cante o são da Humanidade, devia ser candidato a património da estupidez ou, no Guiness, a recordista do ridículo. Apesar disso, imagine-se, há candidatos e apoiantes de candidatos à candidatura! Há, aos montes, “pais da Constituição” e apaniguados capazes de parir tratados sobre a excelência e a “produtividade” da asneira.
Todos os chefes de Estado da Europa Ocidental, à excepção do francês (mas esse tem poder, chefia o governo, competem-lhe a defesa e a política externa, etc.), são de nomeação parlamentar, tanto os Presidentes como os Reis, o que confere aos primeiros a independência possível e, aos segundos, reconhece a independência inerente. Talvez, nestes casos, os chefes de Estado tenham condições para, não tendo poderes funcionais, servir para alguma, ou muita coisa, e ser objecto de consenso generalizado.
Entre nós, um cargo inútil e contraproducente é alvo de inúmeros ambiciosos ou prègadores de fancaria e fonte de dislates, macacadas eleitorais e enormas despesas.
Até quando?
13.3.15
António Borges de Carvalho

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