IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DO RIDÍCULO E DO CONTRAPRODUCENTE

Os jornais de hoje trazem notícias aterradoras: parece que vamos ter candidatos de peso à Presidência. Nada menos que a montanha de laca e a voz de falsete da dona Maria de Belém e a importância folclória da reciclagen bolchevista do Carvalho da Silva. A coisa é tão ridícula que se dirá digna da pessegada que é o nosso, tão original como burro, sistema “semi-presidencialista”.

Para que serve o PR? A experiência mostra que quem para lá vai tem o poder de mandar umas bocas de vez em quando, de se meter onde não é chamado, de se embrulhar em politiquices, de fazer congressos oposicionistas e visitas protocolares, além de, como o intolerável Sampaio, se meter em matérias castrenses e perpetrar golpes de Estado. O tal “independente representante da Nação” jamais foi independente, dele se exigindo, consoante o sentir de cada um, que “faça coisas”, para uns umas, para outros outras, todas mais ou menos impossíveis à luz da Constituição ou das conveniências.

É a nossa infelicidade política levada ao extremo. Votamos para eleger um senhor que, ou não serve para nada, ou serve para complicar o que, de si, já não é simples. Por outras palavras, enquanto eleitores somos tratados como idiotas e levados a achar que a ridícula e contraproducente existência de um “Chefe de Estado” com as características constitucionais do nosso é uma coisa importante para a nossa vida, quando só serve para dar abébias à esquerda, quando é de esquerda, ou uma no cravo outra na ferradura, quando não tem tal origem. É o que diz a experiência, uma experiência com mais de trinta anos, sempre a mesma se a virmos a partir de 82, e pior antes disso, se considerarmos a presidência castrense e pretensamente salvífica do General Eanes e dos seus tristes governos.

Um sistema único na Europa! Somos os maiores! Como o Fado ou o Cante o são da Humanidade, devia ser candidato a património da estupidez ou, no Guiness, a recordista do ridículo. Apesar disso, imagine-se, há candidatos e apoiantes de candidatos à candidatura! Há, aos montes, “pais da Constituição” e apaniguados capazes de parir tratados sobre a excelência e a “produtividade” da asneira.

Todos os chefes de Estado da Europa Ocidental, à excepção do francês (mas esse tem poder, chefia o governo, competem-lhe a defesa e a política externa, etc.), são de nomeação parlamentar, tanto os Presidentes como os Reis, o que confere aos primeiros a independência possível e, aos segundos, reconhece a independência inerente. Talvez, nestes casos, os chefes de Estado tenham condições para, não tendo poderes funcionais, servir para alguma, ou muita coisa, e ser objecto de consenso generalizado.

Entre nós, um cargo inútil e contraproducente é alvo de inúmeros ambiciosos ou prègadores de fancaria e fonte de dislates, macacadas eleitorais e enormas despesas.

Até quando?

 

13.3.15

António Borges de Carvalho



7 respostas a “DO RIDÍCULO E DO CONTRAPRODUCENTE”

  1. Ainda prefiro a minha definição: a Presidência é um tacho honorífico para reformados do Centrão. Quer melhor exemplo do que a Múmia Cavaca, que até prefere receber a reforma? Mas o maior problema, para mim, nem é a função (jarra decorativa) ou as pessoas (tachistas medíocres): é o próprio conceito de um Presidente, um Primeiro-Ministro, um Monarca, um, um, um… ainda não ultrapassámos esta mentalidade tribal de um chefe, um líder para tudo. Todas as decisões importantes devem ser colectivas. Isso é o futuro. Nada a ver com socialismos: pura democracia. O socialismo também tem um chefe supremo, e abaixo dele uma clique de sub-chefes. Já os americanos, muito democratas e tal, veneram o POUS como qualquer monarca europeu. Países, povos inteiros sujeitos à vontade de um só fulano ou fulana. Tanta evolução técnica, e não passamos disto. Claro que por vontade do Irritado, um reizinho bastava. Para o resto da vida.

    1. Lá vem você com as sua teorias colectivistas! Não vê no que isso tem dado?

  2. Filipe, ainda que as decisões mais justas sejam as sufragadas por toda a comunidade, por vezes os Estados só sobrevivem se o poder estiver centralizado. Isto em situações de excepção ou de grande dificuldade. Parece-me que a figura de um PR não é de todo descabida. Poderá ser inútil durante muitos anos, como poderá ser imprescindível a qualquer momento no futuro.A solução do Irritado não me entusiasma. Herdar poder político por consanguinidade causa-me calafrios. Nascer com direitos especiais também. Não compro.

    1. Não compra um Presidente de eleição parlamentar, com maioria qualificada?

    2. Bom, não vejo que vantagem trará uma Múmia numa dificuldade… está talvez a pensar em figuras como Churchill, Lloyd George ou Roosevelt, que uniram e exaltaram nações durante grandes crises. Mesmo aceitando a forma como a História glorifica essas figuras, ou Bismarck, ou Ataturk, ou até Salazar após o caos da I República, para cada grande exemplo quantos exemplos medíocres e quantos desastrosos existem? Quantas crises, guerras e atrocidades foram causadas pelo poder centralizado duma pessoa, ou duma suposta elite? Será mais adequado perguntar: quantas não o foram? Dirá, com razão, que o poder sempre foi de uns poucos. Mas passámos a fase dos faraós e a dos monarcas, havemos de passar também esta. E mesmo antes disso, o nosso sistema é anacrónico e absurdo: que mérito, que provas dadas, que faculdades pessoais e profissionais tem esta gente para liderar? Se lhe rebentar um cano, chama um canalizador ou um artolas bem-falante? Nós pomos artolas, amadores, fura-vidas, chulecos e tachistas a decidir o destino dum país. Será de admirar que corra mal?

  3. «Quem pode age e quem não pode ensina» escreveu o Sr. Nietzsche. Quando se deixa de poder praticar o desporto vira-se treinador. Quando alguém se baixa aparecerá um para lhe saltar para cima.Individualmente é assim. A nossa vontade é de poder. Até o Sr. Irritado começou a adquirir essa postura quando em pequeno lhe diziam: o menino vai mas comporta-se direito. Era uma chatice. Mas é assim com todos. Cada um quer fazer o que lhe apetece.Com o poder do grupo a coisa é muito mais complicada. Para que o grupo tenha poder e seja soberano (detentor do poder absoluto) é necessário que cada um seja submisso.Quanto aos monarcas portugueses que foram os depositários do poder supremo, parece que D. João, Mestre de Aviz, não queria e teve que ser levado por D. Nuno Alvares Pereira e D. Afonso VI foi mandado para os Açores, segundo parece, por lhe faltar outro poder e a esposa se queixar ao seu confessor que poderia haver nova crise sucessória por ausência de legítimos. Para legitimar bastardos como detentores de poder é preciso haver pessoas superiores: D. Nuno Alvares Pereira e João das Regras.Sr. Filipe Bastos, sabe o que acontece ao elemento do grupo: ovelha, cabra, gazela, etc. que se distrai a olhar para o céu vendo a águia rodopiar, sonhando ser livre como ela? Fica isolada do rebanho que afasta e é pegada pelos predadores.Sr. Calígula, O Nero era uma peste, mas após o seu suicídio, os romanos viveram uma guerra civil com caos, anarquia e desgraça com quatro mudanças de imperadores num ano: Alba, Otão, Vitélio e Vespasiano.

    1. Sr. Picaroto, neste país quem vota são ovelhas ou carneiros, lá isso é verdade. Já o resto de nós deixou na infância as fábulas animalescas, assim como os contos de reis e de fadas. Fora desse mundo de fantasia os predadores são outros: criminosos, celerados, fanáticos, pulhíticos, chulos, trafulhas, mamões. Portugal não é um país violento, mas do resto temos para dar e vender. Estamos no séc. XXI. Cabe à sociedade usar a tecnologia e criar as regras para decidir a sua própria vida, em vez de delegar tudo numa minoria como até aqui. Isso é que é democracia.

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