O IRRITADO não pode deixar de fazer uma pequena referência a um programa daquela senhora que interrompe toda a gente com perguntas mais ou menos sem sentido, interrompendo cada um quando os espectadores estão interessados no que cada um vai dizendo. Escopo de todos os “profissionais” das TV’s, com raríssimas excepções.
O IRRITADO confessa que não viu aquilo tudo, preferindo passar a ocupar a noite com livros de quadradinhos.
Pode dizer-se que, desta feita, as interrupções não faziam grande mal, já que a intervenções do “painel”, as mais das vezes, pouco ou nada adiantavam. De um lado, tínhamos um fulano, dito “constitucionalista”, cujo nome não sei nem me interessa. Achava ele, como acham todos os de igual ideologia, ou opinião, que se faz omeletes sem ovos ou que, consumidos os ovos, alguém virá cá pôr outros no cesto: assim tipo Fakis ou Tripas, ou os múltiplos Fakis e Tripas que por cá abundam, convencidos que têm “soluções” nascidas como por encanto dos seus politiqueiros cerebelos. Na mesma bancada, perorava a mais desagradável surpresa dos últimos anos, de seu nome António Capucho, rotulado para a ocasião como “ex-membro do Conselho de Estado”. Pelos vistos, ter sido posto à margem de tal organização é o mais importante facto da vida do homem, como aquele que tinha no cartão de visita “ex-passageiro do paquete Funchal”. Fazia uma falta dos diabos no tal Conselho, na opinião do próprio. Rotular-se assim é dar à casca, é mostrar que nada o move para além de dizer cobras e lagartos dos que não lhe reconheceram as excelsas qualidades ou o acharam já gasto. Tinham razão, como o superveniente comportamento do homem veio demonstrar. Para além de outros disparates, na sua esclarecida opinião Portugal, quer dizer, o governo, já devia ter feito uma “aliança com a Grécia, a Itália, a Irlanda, com Chipre e com o utros pedintes que se apresentassem ao serviço. Como é sabido, nenhum deles se prestaria a tal coisa, que isto de brincar com a falta de dinheiro não é para sociedades de falidos ou pataratas frustrados.
Do outro lado da barricada, falaram dois senhores desconhecidos, que disseram algumas verdades que toda a gente conhece, provocando os olhares escandalizados do Capucho e do colega. Sem hitória de maior.
O IRRITADO viu ainda dois membros da selecta audiência. Um, proveniente de um dos três mil movimentos de esquerda radical que por aí vicejam, foi de tal maneira coerente que não se percebeu patavina do que disse. Outro (outra!) confessadamente do BE ou coisa do género, repetia que a sua inexistente “experiência política e académica” a autorizava a repetir por palavras suas, correctos e aumentados, os dislates dos tipos da bancada da esquerda.
Assim vai a informação, o debate político, a controvérsia. Nem uma ideia, nem uma proposta, nem uma opinião com pés e cabeça, nada. Chamava-se aquilo “Ideias para o futuro” ou coisa que o valha.
11.3.15
António Borges de Carvalho

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