IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


JUSTICE EST FAÎTE!

Não sei quem terá sido o artista que fez passar uma lei destinada a punir criminalmente os cidadãos que sejam malcriados, insultem ou agridam os distintíssimos funcionários das finanças. Como se tais coisas não estivessem já, de várias formas, previstas no Código Penal. Deve tratar- se de uma lei “especial”, quer dizer, quem fizer tais pecados contra um funcionário da companhia das águas, do registo civil ou de outra porcaria qualquer, ok, não há problema. Mas, se for das finanças, vai dentro, pois então!
Numa ordem jurídica decente, poderia considerar-se tão hediondos crimes como agravante nos tribunais. Por cá, faz-se uma lei especial, quem sabe se para dar graxa aos sindicatos, os quais, como é de timbre, já vieram declarar que é pouco. Os sindicatos são insaciáveis, como está provado à saciedade. O governo já devia saber que não vale a pena tentar agradar-lhes.

O IRRITADO, dada esta súbita explosão das preocupações governamentais, deixa aqui uma sugestão: os funcionários das finanças deveriam ser obrigados a usar um capacete e um colete à prova de bala e a atender o público atrás de um vidro blindado. Aumentava-se-lhes a segurança, dava-se a ganhar aos fabricantes de capacetes, de coletes e de vidros, bem como aos empreiteiros encarregados da obra, descansava-se inúmeras consciências e aliviava-se os tribunais de mais uns processos.

Já agora, que fazer quando os funcionários das finanças, imperiais, poderosíssimos, tratam as pessoas com os pés, complicam o que é simples, arranjam interpretações malucas de parágrafos e vírgulas, invertem os ónus da prova, negam-se a apreciar documentos, provocam o surgimento de desesperos, arranjam matéria para complicadíssimas diligências, para acções judiciais estúpidas ou redundantes, etc., etc., etc.?
Que fazer? Nada. Estão no seu “direito”, não é? São mais que os que lhes caem nas mãos.
Experimente pedir o livro de reclamações. Não serve para nada mas, no momento, alivia a sua indignação. Feito o pedido, o funcionário olha para si e pergunta para que quer você o livro de reclamações. Você contém a legítima fúria e diz que o tipo não tem nada com isso. Passadas mais umas trocas de amabilidades (tenha cuidado, não perca a cabeça, senão vai preso!), o funcionário/a levanta-se e vai “lá dentro”. Você espera uma boa meia hora – a coisa deve estar estudada para que você, que tem mais que fazer, se vá embora. Não vai. Aguenta. Até que vem “lá de dentro”, uma doutora qualquer que, com ar feroz, lhe pergunta outra vez para que quer o livro de reclamações. Você recorre às últimas reservas de paciência, e responde: para reclamar. Para reclamar o quê? E você diz que a doutora não tem nada com isso. Furibunda, a mulher vai “lá dentro” e, passada outra meia hora, volta com o tal livro. Entrega-lho. Você pede uma esferográfica, ficando logo a saber que “o fisco não é fornecedor de esferográficas”. Vai à rua, compra uma BIC. Regressa. O livro já foi “lá para dentro”. Pede a um funcionário que vá pedir o livro à doutora. O funcionário mira-o com um olhar assassino e responde que está a atender os contribuintes, não pode “lá dentro”.
Aqui, você lembra-se que, mesmo que não almoce, vai chegar ao emprego com duas horas de atraso. Como não é funcionário público, tem que ter cuidado com o patrão, não vá o diabo tecê-las. Sai. Passa pela farmácia e toma um Lexotan, daqueles de seis miligramas. Pensa: hei-de vingar-me destes gajos!

Mas não vinga coisa nenhuma. Amocha. Ao contrário do que se passa consigo, os tipos estão protegidos por lei.

18.10.14

António Borges de Carvalho



3 respostas a “JUSTICE EST FAÎTE!”

  1. Não há qualquer mistério nesta medida, pelo contrário. É clara como água. Este Governo é, desde sempre, um mero executor fiscal. E os funcionários do Fisco são os executores mais directos desse SAQUE ao país. São os cães de fila, os algozes do Governo. Desempenham o mesmo papel dos rufiões da Máfia, que perseguem os devedores e lhes partem as pernas até pagarem. A máquina fiscal (ainda) não parte pernas, mas dispõe de métodos burocráticos e legais que fariam o orgulho da Gestapo. Ninguém está a salvo. Duvido que exista uma única pessoa em Portugal que consiga garantir, com absoluta certeza, que não deve nada ao Estado. Mesmo um recém-nascido, acabado de sair do ventre, há-de ter uma taxa ou uma multa algures nos computadores das Finanças, inexoravelmente no seu caminho. Poderá recebê-la após 10 meses ou 10 anos; poderá ter pouco ou nenhum fundamento; mas é tão certa como o destino. Esta medida visa assim proteger esta extorsão legalizada. É o sonho de qualquer Máfia: esbulhar e atormentar as pessoas com protecção legal. Acresce que, como diz o Irritado, muitos funcionários do Fisco deleitam-se com o seu poderzinho lá na Repartição, e com o sofrimento de quem lá vai – esquecendo que é quem lá vai que lhes paga o ordenado. Daí precisarem de mais protecção, para punirem mais eficazmente os criminosos. Os criminosos, neste país, são os contribuintes.

  2. É por estas e por outras que não sujo as mãos a votar em partido nenhum.Puta que os pariu!

  3. Avatar de XXI (militante PSD)
    XXI (militante PSD)

    Li em PORTUGAL DOS PEQUENINOS:«As mais “influentes” sibilas comunicacionais com origem na maioria, Marcelo e Marques Mendes, deram a entender este fim de semana que a coligação acabou. Apresentaram com “prova” dessa queda pré-anunciada a impaciência do dr. Passos quer em relação ao país – o OE, a “reforma” do IRS e o CDS -. quer em relação ao partido (as distritais) que pretende ganhar as eleições e não vê como “vender” um produto rançoso nos mercados e nas ruas. Por outro lado, as referidas sibilas consideraram que Passos foi “desleal” com Portas na questão da sobretaxa e que Portas, depois do “número” do “irrevogável”, praticamente só tem margem para engolir sapos à custa do seu embotamento. Seja lá o que for, o que parece inverosímil é “isto” aguentar-se mais um ano neste estado decomposto. Passos finge que sim e o Doutor Cavaco, que não quer ouvir falar em maçadas, ajuda-o a fingir que sim. Para reforçar a ilusão até vai ser empossado um secretário de Estado num ministério dirigido por um cadáver político adiado que manifestamente não procria. Se calhar está tudo bem assim e não pode ser de outra forma.»

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